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quarta-feira 8 de julho de 2026

Estudos apontam alto potencial de produção de nova macroalga em Penha

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Estudos da Epagri e da Univali revelam grandes potencialidades de cultivo da macroalga Kapaphycus alvarezii no oceano de Penha. O diagnóstico positivo foi confirmado pelo  Centro de Desenvolvimento em Aquicultura e Pesca da Epagri (Cedap), que nos últimos dois anos estudou o desenvolvimento da macroalga em quatro cidades costeiras do litoral catarinense. A alga possui forte apelo comercial dentro de setores especializados da indústria.

“De 2019 a setembro de 2021, conduzimos um trabalho de pesquisa para comprovar a viabilidade técnica e ambiental do cultivo da macroalga Kappaphycus alvarezii em Penha, Florianópolis, Governador Celso Ramos e Palhoça”, detalhou o pesquisador do Cedap, Alex Alves dos Santos. Ao longo do período, foi analisado o comportamento da Kappaphycus alvarezii nos períodos de inverno e verão e seus impactos sobre os costões locais.

 “Observamos que Penha é um local fantástico para o cultivo de algas. Banhado por águas claras, com médias de temperaturas da água mais elevadas do que em outras regiões produtoras do estado, favorece o crescimento das algas”, garantiu Alex. Ele reforça, no entanto, que “todo o litoral de Santa Catarina tem potencial para cultivo, no entanto algumas regiões reúnem características apropriadas para os cultivos, como por exemplo a Penha” e que  “os resultados do projeto mostraram taxas de crescimento excelentes comparáveis às principais regiões produtoras do mundo”.

O oceanógrafo e professor da Univali, Gilberto Manzoni, detalhou ainda que “essa é uma alga nova que está sendo introduzida em Santa Catarina e está sendo realizado o processo de licenciamento para iniciar os cultivos. A Epagri fez um módulo de pesquisa para, justamente, saber que não existe impacto ambiental na região – já que esta é uma alga exótica”. Agora, eles irão atuar na apresentação do projeto aos maricultores e licenciamentos ambientais.

“O segundo passo é um módulo demonstrativo desse cultivo, para ter uma maior participação dos maricultores e eles conhecerem essa nova tecnologia de cultivo. Então, em breve, deve ter o cultivo dessa macroalga na região. Estamos apenas aguardando a renovação ambiental das áreas de maricultura para começar a cultivar oficialmente”, reforçou Gilberto. Em 2019, o Governo Federal liberou Santa Catarina a dar início ao processo para produção desta alga.

A Kapaphycus alvarezii pode se tornar uma alternativa de renda para os maricutores Santa Catarina, ao lado das ostras, mexilhões e vieiras. “Está macroalga é uma das espécies mais produzidas no mundo, pois dela se extrai um coloide ou um gelo, popularmente falando, chamado carragenana. Está substância tem propriedades espessante, estabilizante, aglutinante e emesulficante. Por essa razão é muito utilizada pelas indústrias química, alimentícia e de cosméticos. Para se ter uma ideia o Brasil importa uma média de 18 milhões de dólares por ano em carragenana”, explica Alex.

Este volume de importação é liderado pela indústria alimentícia, que utiliza a carragenana na confecção dos embutidos, como linguiças, salsichas, salames e também entra na composição de iogurtes, molhos, pastas de dentes, sorvetes e pudins. Contudo, um novo mercado se abriu para a macroalga: o de biofertilizantes. “Nos últimos dois anos, está alga tem sido muito utilizada para a produção de biofertilizantes. Este mercado tem altíssimo potencial de absorver toda a produção que Santa Catarina puder produzir”, adiantou Alex.

Hoje, há centenas de empresas que trabalham com fertilizantes e esta linha natural tem atraído muito o agronegócio brasileiro, por isso a alta demanda por esta alga. “Algumas empresas já visitaram Santa Catarina par conhecer o setor produtivo e avaliar as possibilidades de negócio”, pontua o pesquisador. Já há tratativas avançados para que, futuramente, parcerias de negócios se formem.

Foto por: FOTOS DE Alex Alves dos Santos/EPAGRI

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