A combinação de maré alta e mar agitado têm sido uma receita destrutiva para as praias de Barra Velha. Na última vez em que esses dois fenômenos naturais se uniram, entre os dias 16 a 20, o atlântico invadiu vias e as intensas ondas castigaram os balneários barra-velhenses, que veem suas faixas de areia se reduzirem a cada nova ressaca. A situação ligou o alerta na Defesa Civil Municipal, mas ações de prevenção e recuperação ainda parecem distantes.
As regiões costeiras mais afetadas em Barra Velha são na Praia da Península, Praia das Pedras Brancas e Negras e na Praia do Grant. “É uma ameaça gradativa, não apenas em nossa cidade, mas um fenômeno nacional e mundial. Mas com a fragilidade que se encontram estas praias, de fato o impacto é muito maior a cada ocorrência que eu atendo”, detalha o coordenador da Defesa Civil, Elton Cunha. Em algumas regiões, por exemplo, casas já sofreram avarias – com algumas já condenadas.
Ele ainda que já “existe um projeto de recuperação da orla na Prefeitura, porém como todo projeto envolvendo erosão costeira envolve uma quantia substancial de fundos financeiros. O prefeito Douglas já protocolou junto ao Governo Federal um projeto estrutural envolvendo a proteção da nossa orla”. Os valores, no entanto, não foram confirmados, mas teriam utilização em obras de alargamento da faixa de areia e também molhes de contenção.
“Existe um estudo completo da dinâmica costeira para o nosso município, mas os custos de implantação são estratosféricos. Devemos focar em soluções eficazes e suportáveis aos cofres públicos que contemple as orientações de um profissional de oceanografia e engenheiro especialista em obras costeiras”, acrescenta Elton. Diferente de Balneário Piçarras – que em 2001 criou o Fundo de Manutenção da Praia (FUMPRA) e o alimenta com percentuais do IPTU, ITBI e Dívida Ativa, e atualmente possui cerca de R$ 26 milhões – Barra Velha dependerá de aporte financeiro de esferas governamentais superiores para futuras recuperações da orla.
Elton encerra analisando que a cidade precisa de união para recuperar o que já foi destruído e desenvolver novas políticas para um crescimento mais sustentável. “O mais importante é entender que esse problema é de todos. Poder Público Municipal e Estadual, Judiciário, iniciativa privada (turismo) e população. A gestão costeira deve ser tratada como prioridade e coerência, com ações horizontais e verticais. À conflito de interesses públicos e privados e legislações a respeito desta temática, desta forma não à resolução efetiva de problemas e também insegurança jurídica. Entendo que deve haver desenvolvimento, mas este sendo sustentável. Porém, é inegável que não podemos ser arrogantes em achar que podemos domar o poder da natureza sem respeitar seu comportamento dinâmico e variáveis complexas na execução de qualquer obra”, encerra.
Foto por: Felipe Franco





