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quarta-feira 22 de julho de 2026

Prefeitura afirma que libera o trânsito da ponte do Rio Piçarras esta semana

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Em nota oficial emitida na tarde desta segunda-feira, 8, a Prefeitura de Balneário Piçarras afirmou que o “trânsito sobre a ponte do Rio Piçarras deve ser liberado nesta semana”. Uma data oficial, no entanto, não foi anunciada pela administração.

“De acordo com o secretário de Obras, Orli Carlos Ferreira Júnior, que acompanha a execução do serviço, as rampas de acesso e as cabeceiras foram concluídas no final da tarde desta sexta-feira (5) pela Salver Construtora e Incorporadora, empresa responsável pela obra”, informou.

Nesta segunda-feira, 8, iniciaram os trabalhos de pavimentação asfáltica, com a colocação da primeira camada de 4 centímetros – possibilitando a liberação do trânsito. “Na sexta-feira ou no sábado vamos fechar o acesso para iniciar a colocação da segunda camada asfáltica. A divisão de camadas foi planejada para garantir a qualidade da obra e a fluidez do trânsito”, destacou o secretário de Obras.

Após a finalização da capa asfáltica, serão executadas as sinalizações verticais e horizontais. “A obra completa ainda deverá levar mais alguns meses até que sejam executadas as cabeceiras da ponte”, complementou a Prefeitura.

O secretário de Planejamento, Rodrigo Morimoto, disse ainda que “é uma obra de infraestrutura importante que está atrasada e vem causando transtorno para moradores e comerciantes”.

A ponte começou a ser construída em 4 de maio de 2020 e sua demolição foi iniciada em julho, momento em que moradores e visitantes de Penha tiveram o fluxo natural impedido. Para chegarem à Piçarras, devem trafegar pela região central do bairro Nossa Senhora da Paz.

Contratualmente, a empresa tem até dia 4 de setembro para concluí-la, conforme Termo Aditivo publicado no Diário Oficial dos Municípios dia 9 de dezembro, O prazo de término inicial era em 4 de janeiro. 

Por conta dos novos prazos, uma série de reclamações recaíram sobre a obra, iniciada em maio. A principal delas vem de empresários próximos à divisa, que viram o movimento cair bruscamente por conta do baixo fluxo de veículos e pedestres pela região.

Nicolas Schneider é dono de um estabelecimento de alimentos naturais. Além das perdas financeiras estimadas em 30%, ele carrega o sentimento desrespeito pelo descumprimento dos prazos iniciais.  “Me senti desrespeitado, pois eu como comerciante cumpro com minhas obrigações, e não cumprindo, sou punido. Já o poder público, promete, não cumpre, faz corpo mole e o que acontece?”, comparou. Sem movimento, ele precisou reduzir a equipe.

A nova ponte sobre o Rio Piçarras – na divisa com Penha – tem um valor contratado de R$ 3.333.333,33 via financiamento Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE). Desse total, R$ 88.095,51 foram suprimidos, mas outros R$ 685.503,90 foram aditivados dia 22 de dezembro, totalizando R$ 3.930.741,72.

Pelo projeto, a estrutura atenderá a demanda atual terrestre e náutica, possuindo um viés turístico e uma estrutura mais larga, contemplando áreas protegidas para pedestres, ciclofaixa e espaço para contemplação. Ela contará com 58,8 metros de comprimentos, 5,48 metros de altura e um vão livre de 28 metros, que permitirá a navegação de barcos com até 60 pés.

Setor pesqueiro, náutico e imobiliário podem colher bons frutos

Apesar da morosidade, há setores que podem colher resultados positivos assim que a ponte for finalizada. A pesca, os setores náutico e imobiliário observam o projeto com bons olhos – uma vez que com um vão livre muito maior do que o da antiga estrutura (construída na década de 60) possibilitará a passagem de barcos de maior calado.

“A construção da nova ponte para o setor pesqueiro foi maravilhosa. Nos trouxe mais segurança para a navegação e qualidade de vida para nossos pescadores, pois não existe mais a preocupação com a maré para saírem para o mar, ou entrarem para fazer a descarga da pescaria a bordo da embarcação”, analisou a presidente da Colônia de Pescadores Z-26, Adriana Linhares Fortunato.  Hoje, em Balneário Piçarras, são cerca de 200 embarcações de pesca artesanal, “pescadores que dependem 100% da pesca, fora as embarcações de esporte e lazer que fazem parte do nosso turismo, que ganhará muito também com a ponte”, acrescentou ela.

O corretor de imóveis, Márcio Garcia, vê que para o mercado imobiliária a construção da nova ponte elevará o potencial da cidade. “Hoje, há muitas construtoras com padrão construtivo na categoria luxo e que acabam atraindo compradores seletos. Pessoas com lanchas de maior porte, que buscam certa segurança de navegabilidade. Com uma ponte de maior vão e uma boca da barra segura, eles passam a ver a cidade com potencial”, acredita o profissional.

Jean Pavanello, do ramo náutico, observa três aspectos positivos na pesca: a segurança de usuários, a melhoria da pesca artesanal e a possibilidade do crescimento náutico. “Víamos essa situação (estrutura deteriorada) especialmente com a maré baixa. Uma questão de segurança”, recordou. Ele analisa que o calado de maior espaço vai melhorar o cotidiano dos pescadores artesanais. “Sempre tiveram muita dificuldade. Era uma ponte baixa e com a maré alta muitos pescadores não conseguiram regressar de imediato. Esperavam horas”, reforçou.

Já com relação ao setor náutico, exemplificou que embarcações a partir de 20 pés já tinha dificuldades em navegar e que a nova estrutura vai dar novos ares para o setor. “Muitos clientes que desejavam vir a Piçarras acabavam indo para outros lugares, como Camboriú, Porto Belo. Piçarras estava ficando para trás. A nova ponte, além da questão de segurança, o formato dela vai favorecer a navegação de embarcações maiores vai fazer crescer cada vez mais o setor náutico. Quem cresce é a cidade num todo”, encerrou Jean.  Atualmente, Balneário Piçarras possui cerca de 20 marinas e comércios de serviços e equipamentos de apoio náutico.

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