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quarta-feira 8 de julho de 2026

GAECO do MPSC apoia MPSP na megaoperação Carbono Oculto, que investiga a ocorrência de ilícitos no mercado de combustíveis

Foto, Tomaz Silva - Agência Brasil
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Na manhã desta quinta-feira (28), o Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO) de Santa Catarina, coordenado pelo Ministério Público estadual, deu apoio ao Ministério Público de São Paulo (MPSP) na Operação Carbono, deflagrada para desarticular um esquema bilionário de fraudes no setor de combustíveis com a participação de facções criminosas.

A ação mobiliza cerca de 1.400 agentes em oito estados – São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, Rio de Janeiro e Santa Catarina – e reúne órgãos como Polícia Federal, Polícias Civil e Militar, Receita Federal, Secretaria da Fazenda de SP, Agência Nacional do Petróleo (ANP) e Procuradoria-Geral do Estado de São Paulo.

Em Santa Catarina, o GAECO cumpriu três mandados de busca e apreensão nas cidades de Itajaí e Criciúma. No total, a Justiça paulista autorizou ainda quebras de sigilo bancário e fiscal, além do sequestro de bens dos investigados.

A investigação é um desdobramento da Operação Boyle, deflagrada em abril pela Polícia Federal em São Paulo. O alvo é uma rede criminosa suspeita de importar e desviar metanol para adulteração de combustíveis. O produto, altamente inflamável e tóxico, chegaria ao país pelo Porto de Paranaguá (PR) e seria desviado para postos e distribuidoras com documentação falsa e sem condições de segurança, oferecendo risco a motoristas, pedestres e ao meio ambiente.

De acordo com o MPSP, foram identificadas fraudes em mais de 300 postos de combustíveis. Entre elas, a chamada fraude quantitativa – quando o consumidor paga por mais combustível do que efetivamente recebe – e a fraude qualitativa, quando o produto vendido está adulterado, fora das especificações técnicas da ANP.

As investigações apontam ainda que proprietários de postos que venderam seus estabelecimentos foram vítimas de calote e chegaram a receber ameaças de morte ao tentar cobrar os valores devidos.

O esquema movimentava bilhões em lucros ilícitos, lavados por meio de empresas de fachada, fundos de investimento e fintechs controladas pelo crime organizado. Essas instituições de pagamento operariam com contabilidade paralela, dificultando o rastreamento do dinheiro. Parte dos recursos teria sido aplicada na compra de usinas sucroalcooleiras, distribuidoras, transportadoras e postos, ampliando a influência da organização.

O Comitê Interinstitucional de Recuperação de Ativos de São Paulo (CIRA/SP) também adotará medidas judiciais para bloquear bens suficientes para ressarcir os cofres públicos. O valor sonegado atualizado é estimado em R$ 7,67 bilhões.

O GAECO de Santa Catarina é uma força-tarefa composta pelo Ministério Público, Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Penal, Receita Estadual e Corpo de Bombeiros Militar, com foco na identificação, prevenção e repressão às organizações criminosas.

REDAÇÃO, JORNAL DO COMÉRCIO
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