A Universidade do Vale do Itajaí (Univali) e a Petrobras deram mais um passo importante em sua aliança histórica ao assinarem, no último mês, um novo contrato estratégico que coloca a instituição catarinense na coordenação das ações do Programa Macrorregional de Caracterização da Atividade Pesqueira (PMCAP) em Santa Catarina.
A parceria viabilizará um diagnóstico científico sobre a realidade social e as rotas de navegação dos pescadores, mapeando como a pesca local interage com a exploração de petróleo e gás na região.
A iniciativa atende a uma exigência do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) para o licenciamento ambiental nas bacias de Santos, Campos e Espírito Santo. Ela abrange as dez operadoras do Plano Macro, um esforço unificado para mitigar e gerenciar conjuntamente os impactos das atividades marítimas na costa brasileira.
Segundo o coordenador do projeto na Univali, Roberto Wahrlich, o programa eleva o patamar das pesquisas locais. Enquanto o antigo monitoramento, que ocorria por meio do Projeto de Monitoramento da Atividade Pesqueira no Estado de Santa Catarina (PMAP-SC) conduzido pela Univali, focava na estatística pesqueira diária, o novo modelo adiciona diagnósticos sociais aprofundados para entender como as comunidades tradicionais convivem com a indústria do petróleo, garantindo o respeito a quem vive do mar.

DO MONITORAMENTO FRAGMENTADO AO PLANO MACRO
O novo programa marca uma evolução na gestão socioambiental da costa brasileira. No modelo anterior de licenciamento, cada petrolífera realizava diagnósticos individuais, gerando redundância de dados e sobrecarregando as comunidades com questionários repetitivos.
“Com o Plano Macro, as dez maiores empresas do setor operam sob uma única diretriz metodológica”, explica Wahrlich. A pesquisa deixa de focar apenas em estatísticas de desembarque e produção por estado, como ocorria nos antigos modelos conhecidos como Projeto de Monitoramento da Atividade Pesqueira (PMAP) e Projeto de Monitoramento do Desembarque Pesqueiro (PMDP), para priorizar um diagnóstico socioeconômico consistente e o mapeamento territorial integrando três bacias sedimentares e cinco estados brasileiros.
Atualmente, o projeto passa por transição e mobilização de equipes, além da estruturação operacional das bases, mas as atividades de monitoramento seguem sem interrupção. A Univali lidera as ações em Santa Catarina, enquanto Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Espírito Santo são gerenciados pela Fundação de Desenvolvimento da Pesquisa do Agronegócio (Fundepag), com a colaboração técnica de instituições parceiras locais.
Em campo, os pesquisadores mapearão rotas de navegação, áreas de captura e a vulnerabilidade social das comunidades frente ao tráfego petrolífero. “Essa expertise ajudará a propor medidas mitigadoras eficientes para possíveis interferências nos territórios pesqueiros”, afirma Wahrlich.

EVOLUÇÃO CIENTÍFICA EM SANTA CATARINA
A atuação da Univali é amparada pelo Laboratório de Estudos Marinhos Aplicados (LEMA), que já possui um vasto banco de dados sobre a pesca artesanal e industrial no estado. Essa bagagem viabilizou, em 2024, o lançamento da Plataforma Digital de Dados da Pesca junto ao Governo de SC, modernizando o acesso às estatísticas do setor e servindo como ferramenta para o planejamento público.
A Univali e a Petrobras já possuem uma longa trajetória de cooperação científica voltada à pesquisa e à conservação do ambiente marinho. Um exemplo prático dessa parceria é o Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS). Coordenado pela universidade em SC e no Paraná, o projeto é uma ampla estrutura dedicada ao resgate, atendimento veterinário e reabilitação de aves, tartarugas e mamíferos marinhos encontrados na costa, reforçando o compromisso das duas instituições com a sustentabilidade costeira.
Os dados também devem gerar censos e diagnósticos que apoiem políticas públicas nacionais e estaduais, além de subsidiar a atuação do Brasil em fóruns como a Comissão Internacional para a Conservação do Atum Atlântico (ICCAT).





