Uma complexa investigação conduzida pela Delegacia de Investigação de Lavagem de Dinheiro (DLAV/DEIC) da Polícia Civil de Santa Catarina revelou como o mercado imobiliário do Litoral Norte foi utilizado para escoar recursos de um golpe milionário. A Operação Supply Chain apura fraudes corporativas que causaram um prejuízo superior a R$ 8 milhões à uma fabricante de suplementos alimentares sediada em Tijucas.
O cruzamento de dados financeiros aponta que os recursos desviados irrigaram canteiros de obras em Balneário Piçarras, cidade que vive forte expansão imobiliária. No local, o capital ilícito financiou a erguição de casas de alto padrão e edifícios residenciais.
A engrenagem financeira do esquema ganhou tração com a entrada de um empresário da construção civil baseado na região de Itajaí, preso preventivamente durante a terceira fase da operação. Segundo a Polícia Civil, ele atuava como o principal articulador e beneficiário deste núcleo específico de ocultação de bens.
Ciente da procedência ilícita do dinheiro, o construtor absorvia os montantes desviados e os injetava diretamente na incorporação de projetos imobiliários em Balneário Piçarras. A tática consistia em transformar o fluxo de caixa criminoso em ativos físicos de rápida valorização, misturando os valores com a contabilidade legítima de suas obras.

BLOQUEIO DE R$ 6,2 MILHÕES E ASFIXIA PATRIMONIAL
Para resguardar o direito de indenização da empresa lesada e interromper a atividade do grupo, a Vara Regional de Garantias da Comarca de Balneário Camboriú deferiu medidas de asfixia financeira:
– Sequestro de Imóveis e Veículos: Imposição de restrições de transferência a carros premium e o embargo judicial de propriedades em construção no Litoral Norte catarinense.
– Congelamento de Contas: Bloqueio eletrônico de R$ 6.203.044,46 pertencentes aos investigados e a empresas de fachada ligadas ao núcleo.
– Ativos Virtuais: Notificação a exchanges de criptomoedas e fundos de previdência privada para congelamento imediato de carteiras digitais e aportes societários.
A DINÂMICA DO GOLPE
O desfalque financeiro iniciou-se internamente em 2024 através de um ex-comprador empresa de suplementos. Valendo-se do cargo, o funcionário emitia duplicatas simuladas e notas fiscais sem lastro comercial real para simular a aquisição de insumos. Os pagamentos eram direcionados a contas intermediadoras e empresas fantasmas geridas por familiares e “laranjas”.
Após os saques e transferências fracionadas, o dinheiro chegava ao núcleo imobiliário. Com as três fases da operação já deflagradas, a polícia soma cinco prisões no total, atingindo suspeitos em Joinville, Itajaí e Porto Belo.
Em nota oficial emitida por sua assessoria, a Growth Supplements, declarou colaborar ativamente com as investigações, posicionando-se como a principal interessada no esclarecimento integral dos fatos. Os envolvidos respondem por estelionato, lavagem de capitais, associação criminosa e furto qualificado mediante fraude.





