Após 28 anos de espera, a família de José Lídio da Costa, o Zé Lídio, terá a oportunidade de acompanhar uma das etapas mais aguardadas do processo que investiga o assassinato do ex-vereador de Penha. O homem acusado pela morte será julgado pelo Tribunal do Júri nesta terça-feira, 1º de setembro, na Comarca de Comodoro, no Mato Grosso.
Zé Lídio foi assassinado em 3 de maio de 1998, no município de Nova Lacerda, também no Mato Grosso. Antes de se mudar para o estado, ele era uma figura conhecida em Penha e havia exercido mandato como vereador no período de 1993 a 1996.
A vítima havia deixado Santa Catarina com a esposa e os dois filhos em busca de novas oportunidades. A família passou a viver na região de Pontes e Lacerda, onde Zé Lídio trabalhava no comércio relacionado à extração de palmito.
No dia do crime, o ex-vereador estava acompanhado da família. De acordo com o relato de seu filho, Aquiles da Costa, que posteriormente foi vereador e prefeito de Penha, o pai foi surpreendido em uma emboscada e atingido por três disparos de arma de fogo.
Após ser baleado, Zé Lídio foi levado ao hospital, mas não resistiu aos ferimentos. A suspeita apontada pela família é de que o assassinato tenha sido motivado por uma disputa relacionada à atividade comercial de extração de palmitos, envolvendo concorrentes do mesmo ramo.

DEMORA DE QUASE TRÊS DÉCADAS
O processo se arrastou durante anos até que o acusado chegasse à fase de julgamento. Segundo a família, uma das dificuldades enfrentadas pela Justiça teria sido a localização do réu, que teria mudado de endereço diversas vezes ao longo do período.
Agora, o caso chega ao Tribunal do Júri, instância responsável por julgar crimes dolosos contra a vida. Aquiles e a irmã, que atualmente vive na Nova Zelândia, estão entre as testemunhas que deverão prestar depoimento durante o julgamento.
A família será acompanhada pela advogada Samantha Andrade, de Balneário Piçarras, que atuará na acusação em conjunto com o Ministério Público de Mato Grosso.
MEMÓRIA MANTIDA PELA FAMÍLIA
Enquanto aguarda o julgamento, a família também passou a utilizar as redes sociais para relembrar a trajetória de Zé Lídio e manter viva a história do ex-vereador. A campanha “Justiça por Zé Lídio” reúne fotografias, relatos e lembranças compartilhadas por familiares e pessoas que conviveram com ele.
Para os familiares, a mobilização representa mais do que uma tentativa de manter o caso em evidência. É também uma forma de preservar a memória de um homem que, segundo os relatos reunidos pela família, era conhecido pela disposição em ajudar outras pessoas e pela participação na comunidade.
O julgamento marcado para 1º de setembro representa, para os familiares, o momento mais importante de uma espera que atravessou gerações. Quase três décadas depois da morte de Zé Lídio, a família volta os olhos para o Mato Grosso na expectativa de que o Tribunal do Júri estabeleça a responsabilidade pelo crime.





