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quinta-feira 24 de setembro de 2026

Erosão avança na Praia do Tabuleiro e moradores cobram providências após alerta da Defesa Civil

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A erosão costeira na Praia do Tabuleiro, em Barra Velha, voltou a ser motivo de cobrança por parte da Associação de Moradores do Bairro Tabuleiro (AMBT). Segundo a entidade, os pontos mais críticos ao longo da Avenida Beira Mar apresentam agravamento significativo, mesmo após a Defesa Civil Municipal ter alertado oficialmente sobre os riscos e solicitado providências em abril deste ano.

Em 15 de abril, a Diretoria Municipal de Proteção e Defesa Civil encaminhou o ofício à Secretaria Municipal de Obras e à Fundação Municipal do Meio Ambiente (FUNDEMA). O documento tratava da necessidade de “intervenção urgente e levantamento técnico” diante do processo de erosão costeira identificado na avenida.

Conforme registrado no ofício, as vistorias realizadas pelo município apontaram trechos com erosão avançada, atingindo a borda da via e comprometendo a estabilidade de árvores e postes. A Defesa Civil também alertou para a possibilidade de afundamento da pista e para riscos envolvendo pedestres, ciclistas, motociclistas e motoristas.

O documento foi acompanhado por fotografias que registraram diferentes pontos afetados pela erosão.

MEDIDAS SOLICITADAS
À Secretaria de Obras, a Defesa Civil solicitou a adoção prioritária de intervenções tecnicamente cabíveis, incluindo medidas emergenciais de contenção, estabilização, recomposição, sinalização e isolamento preventivo das áreas de risco.

Já à FUNDEMA foi solicitado um levantamento técnico para identificar as causas e condicionantes do processo erosivo e subsidiar a definição de uma solução considerada adequada e duradoura.

A Defesa Civil também pediu que, após as providências, fosse encaminhado um laudo técnico conclusivo com os fatores responsáveis ou agravantes da erosão, as medidas corretivas ou mitigadoras realizadas, a avaliação da eficácia das intervenções e a indicação de eventuais ações complementares.

Cerca de um mês depois do alerta oficial, a Associação de Moradores passou a cobrar publicamente providências. Na ocasião, a entidade chamou atenção para os riscos à segurança da população, à mobilidade e à infraestrutura da região.

ASSOCIAÇÃO APONTA AGRAVAMENTO
Agora, mais de cinco meses após o documento da Defesa Civil, a AMBT afirma que os pontos de erosão continuam sem uma intervenção efetiva e que houve avanço do problema durante o período de inverno.

A entidade também manifesta preocupação com a aproximação da primavera e com a possibilidade de episódios de chuva intensa. Segundo dados citados pela Associação, a NOAA informou, em boletim divulgado em 10 de setembro, que o fenômeno El Niño estava se fortalecendo e apresentava probabilidade superior a 90% de atingir intensidade muito forte durante o outono e inverno do Hemisfério Norte de 2026/27.

Para Santa Catarina, a Epagri/Ciram prevê, de acordo com a Associação, chuva acima da média climatológica durante a primavera, com destaque para outubro e novembro, além da possibilidade de ocorrência de sistemas meteorológicos capazes de provocar chuva forte e elevados acumulados em curto período.

Diante desse cenário, a AMBT defende a adoção de medidas emergenciais nos trechos considerados críticos antes que novos episódios de chuva possam ampliar os danos.

Entre as reivindicações estão intervenções emergenciais, divulgação das providências tomadas após o Ofício nº 39/2026, apresentação dos estudos realizados pela FUNDEMA, definição de um cronograma de ações, medidas de contenção e estabilização, sinalização e isolamento de áreas de risco, além da divulgação de eventual laudo técnico produzido pelo município.

“NÃO PODEMOS ESPERAR ACONTECER UM ACIDENTE PARA AGIR”
O presidente da Associação de Moradores do Bairro Tabuleiro, Luciano Canaparro Behrend, Coronel R1 do Exército Brasileiro, afirma que o problema já é de conhecimento do Poder Público há meses.

“Não estamos tratando de uma situação descoberta agora. Em 15 de abril, a própria Defesa Civil Municipal documentou as erosões, reconheceu os riscos e solicitou providências imediatas à Secretaria de Obras e à FUNDEMA. Cerca de 30 dias depois, a Associação tornou o problema público e cobrou providências. Agora, mais de cinco meses após aquele primeiro alerta oficial, estamos novamente denunciando a situação, porque as erosões pioraram significativamente e continuamos sem uma intervenção efetiva nos locais mais críticos”, declarou.

Segundo Behrend, o cenário climático previsto para os próximos meses aumenta a preocupação dos moradores. “Passamos por um inverno de muita chuva e estamos entrando na primavera com previsão de volumes ainda maiores e com um El Niño que pode alcançar intensidade muito forte. Não podemos esperar acontecer um acidente, uma queda de árvore ou poste, ou o comprometimento da própria pista para depois agir. A prevenção precisa acontecer agora”, afirmou.

A AMBT diz que a cobrança não tem como objetivo criar um conflito institucional, mas acompanhar o cumprimento das providências apontadas pela própria Defesa Civil Municipal em abril.

A associação afirma ainda que continuará monitorando e registrando a evolução dos pontos de erosão na Praia do Tabuleiro até que sejam apresentadas e executadas medidas para reduzir os riscos à população e à infraestrutura da Avenida Beira Mar.

REDAÇÃO, JORNAL DO COMÉRCIO
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