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sexta-feira 25 de setembro de 2026

Quatro dias diante do mar: a história de Samuel, o menino que fez Balneário Piçarras parar

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Naquele domingo, o mar não estava tranquilo. As ondas quebravam fortes na costa de Balneário Piçarras, agitadas, intensas, formando uma paisagem muito diferente daquela que costuma receber famílias e banhistas. Foi nesse cenário que Samuel Henrique Charles, de 10 anos, desapareceu.

Era 20 de setembro. O menino estava na praia, no bairro Itacolomi, quando acabou sendo levado pela força da água. Em poucos instantes, o que era uma tarde diante do mar se transformou em uma corrida contra o tempo.

Depois que o menino foi levado pela força da água, a praia deixou de ser apenas praia. Transformou-se em ponto de encontro de bombeiros, guarda-vidas, policiais, voluntários e moradores. Da família de Samuel. Que desesperada, buscava o milagre ao horizonte.

Em terra, no mar e no céu, todos procuravam pelo mesmo menino.

As horas passaram. Depois veio a noite.

E, com ela, a interrupção das buscas por causa da falta de visibilidade.

Na manhã seguinte, a procura recomeçava.

Imagem editada com IA

Botes entravam no mar. Uma moto aquática percorreu a região próxima à arrebentação. Quadriciclos avançaram pela faixa de areia. Drones ampliaram o campo de visão. Aeronaves sobrevoaram a costa. Embarcações de Balneário Piçarras, Barra Velha e Itajaí participaram da operação.

Durante quatro dias, cerca de 30 profissionais atuaram diariamente nas buscas, entre bombeiros militares, bombeiros comunitários e guarda-vidas civis voluntários.

Mas havia também quem estivesse ali sem uniforme.

Moradores acompanharam a movimentação. Voluntários ajudaram como podiam. Na areia, a espera ganhou rostos. Entre eles, o da família de Samuel, que viu os dias se sucederem enquanto o mar permanecia sem entregar respostas.

A cada nova saída de uma embarcação, uma possibilidade.

A cada retorno, o silêncio.

As buscas chegaram a áreas entre a região do Rio Piçarras e a Ilha do Grant, enquanto as equipes enfrentavam condições que dificultavam a visualização, inclusive a presença de troncos e vegetação na água.

Na quarta-feira, 23 de setembro, o quarto dia de buscas começou como os anteriores: com a esperança de encontrar Samuel.

No fim da tarde, operadores de drone da Polícia Militar e uma aeronave que sobrevoava a região avistaram algo no mar.

Era o corpo do menino.

Mas, por alguns instantes, nem mesmo aquela imagem significou o fim da procura. A posição exata acabou sendo perdida. A aeronave deixou a área e o equipamento utilizado no monitoramento não permitia manter a localização.

Era preciso procurar novamente.

Já estava escuro quando as equipes decidiram voltar ao mar.

Foto, Reprodução

Uma embarcação foi deslocada. O bote inflável e a moto aquática entraram novamente na água. A operação avançou noite adentro — uma circunstância incomum para buscas desse tipo, mas que naquele momento carregava um motivo maior: a certeza de que Samuel estava naquela região.

Cerca de uma hora depois, os bombeiros encontraram o corpo.

A busca havia terminado.

A família foi comunicada e realizou o reconhecimento. Na sequência, o corpo foi encaminhado para os procedimentos periciais.

Samuel nasceu em 29 de outubro de 2015. Tinha 10 anos, era morador de Balneário Piçarras e estudante da Escola Municipal Francisca Borba.

Foto, Reprodução

Para uma cidade acostumada a olhar para o mar como cenário, trabalho, lazer e cartão-postal, aqueles quatro dias tiveram outro significado.

O mar era o mesmo.

Mas ninguém o enxergava da mesma maneira.

Nesta quinta-feira, 24 de setembro, começou a despedida. O velório de Samuel foi realizado na Capela Mortuária do Cemitério Municipal Jardim das Azaléias, em Balneário Piçarras. O sepultamento ocorreu na manhã desta sexta-feira, 25.

A escola onde Samuel estudava, os amigos, os familiares e uma cidade que acompanhou as buscas agora atravessam outro momento: aquele em que já não existe mais a expectativa de vê-lo voltar para casa.

Existe a saudade.

Existe o vazio.

E existem as lembranças.

Durante quatro dias, Balneário Piçarras procurou Samuel.

Procurou no horizonte, entre as ondas, nas imagens dos drones, nas buscas feitas de barco e nas marcas deixadas pela correnteza.

Agora, a cidade procura outra coisa.

Um jeito de lidar com a ausência de um menino de 10 anos.

Samuel não voltou do mar.

Mas, durante quatro dias, enquanto dezenas de pessoas procuravam por ele, ficou evidente que sua história já havia atravessado a praia onde desapareceu.

Ela chegou às casas, às escolas, às famílias, às embarcações que saíram para procurá-lo e aos moradores que permaneceram na areia esperando por uma notícia.

E talvez seja essa a parte mais difícil de uma despedida: perceber que a busca terminou, mas a saudade apenas começou.

Agora, é hora de respeitar seu silêncio, acolher sua família e permitir que o tempo faça aquilo que as palavras não conseguem fazer: ajudar a transformar a dor da perda em uma memória de amor.

Descanse em paz, Samuel.

E que sua família encontre, nos braços de quem a ama, o conforto necessário para atravessar este momento tão difícil.

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