Uma ave marinha considerada rara na costa brasileira chama a atenção de pesquisadores e equipes de monitoramento no Litoral Norte de Santa Catarina. Conhecida popularmente como Alma-de-Mestre, a espécie foi registrada apenas 11 vezes desde 2015 no trecho 5 do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS). Somente neste ano, foram encontrados quatro indivíduos.
Os dados foram divulgados pelo Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos, por meio do perfil Resgate Marinho Univille. A espécie é uma ave de pequeno porte, com até 42 centímetros de envergadura, e pertence à ordem dos Procellariiformes, grupo de aves marinhas que possui como uma das características as narinas em formato de tubo no bico.
Segundo o projeto, a Alma-de-Mestre raramente é avistada na costa brasileira. Quando aparece, os registros costumam ocorrer durante ou após períodos de temporais, quando as condições adversas do oceano podem contribuir para que essas aves cheguem à costa.
Aves chegam em estado de extrema exaustão
O atendimento aos animais encontrados revela um dos principais desafios enfrentados pela espécie. De acordo com a médica veterinária responsável técnica do projeto, Giulia G. Lemos, a maioria dos indivíduos resgatados apresenta sinais de debilidade crônica, como hipotermia, exaustão, desidratação e baixo peso.
O quadro é associado ao que os profissionais chamam de síndrome migratória, caracterizada por um estado de extremo esgotamento físico e metabólico.
Além da dificuldade de sobrevivência associada às condições naturais, as aves também estão expostas aos impactos provocados pela poluição dos oceanos.
Plástico é encontrado no sistema digestivo
Durante a necropsia de uma das aves encontradas, a equipe identificou resíduos de plástico rígido no trato gastrointestinal.
A ingestão de lixo marinho representa uma ameaça especialmente relevante para a espécie devido ao seu comportamento alimentar. A Alma-de-Mestre busca alimento próximo à superfície do oceano e, dessa forma, fica mais exposta aos resíduos que permanecem na água.
O caso reforça a importância do monitoramento das praias para identificar não apenas a ocorrência de espécies pouco comuns, mas também os impactos provocados pelas atividades humanas sobre a fauna marinha.
Monitoramento amplia conhecimento sobre a fauna
O Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos atua há 11 anos e reúne informações sobre animais marinhos encontrados ao longo da costa. Os registros contribuem para ampliar o conhecimento científico sobre a ocorrência, distribuição e condições de saúde das espécies.
Os dados coletados pelo projeto podem ser consultados no Simba – Sistema de Informação de Monitoramento da Biota Aquática, na área de acesso público.
O PMP-BS é realizado como exigência do licenciamento ambiental federal conduzido pelo Ibama para as atividades da Petrobras relacionadas à produção e ao escoamento de petróleo e gás natural na Bacia de Santos.




