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quinta-feira 22 de outubro de 2026

Festa de Nossa Senhora do Rosário movimenta comunidade em Balneário Piçarras

Foto, Danielle Garcia /FMC
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A Irmandade do Rosário de Balneário Piçarras intensifica os preparativos para a Festa de Nossa Senhora do Rosário, marcada para o dia 8 de novembro, no bairro Santo Antônio. A celebração reúne fé, cultura e ancestralidade, mantendo viva uma tradição ligada à história da comunidade negra em Santa Catarina.

A programação preparatória inclui o último dia do tríduo de orações, neste sábado (24), às 20h. Os foliões e o casal real da festa, Maurício Renato e Eliane Maria, seguirão até a residência de Tânia e Ivo Rodrigues, onde será realizado o encontro de oração.

Na véspera da celebração, em 7 de novembro, ocorrerá o tradicional fincamento do mastro, na residência de Clarice e Hélio Teixeira, também no bairro Santo Antônio.

“São momentos de muita fé e tradição, quando todos nós nos reunimos para agradecer pelo ano e por Nossa Senhora nos guiar com saúde e resistência até o dia da festa”, destacam Maurício Renato e Eliane Maria.

Foto, Danielle Garcia / FMC

RECURSOS FORTALECEM A ORGANIZAÇÃO DA FESTA
Neste ano, a organização contou com um apoio adicional para custear parte das despesas. Tradicionalmente, a festa é realizada com recursos provenientes de doações e apoio da Fundação Municipal de Cultura e da Prefeitura.

Segundo Tânia Rodrigues, integrante da Irmandade do Rosário, a aprovação de um projeto por meio da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB) contribuiu para viabilizar parte dos custos e fortalecer a organização do evento.

A iniciativa também prevê ações educativas como contrapartida aos recursos recebidos. Nesta sexta-feira (23), integrantes da Irmandade e a rainha da Festa 2026 participarão de dois encontros com estudantes da Escola Municipal Adolfo Cabral. A proposta é abordar a história da celebração e a mobilização da comunidade negra em torno da tradição, em preparação para o Mês da Consciência Negra.

TRADIÇÃO CENTENÁRIA NO LITORAL CATARINENSE
A Festa de Nossa Senhora do Rosário está entre as manifestações religiosas e culturais tradicionais do litoral catarinense. Há registros de celebrações desde o início do século 20 em municípios como Penha, Balneário Piçarras, Itajaí e Araquari. Em Balneário Piçarras, a realização ocorre de forma ininterrupta desde 1995.

No dia 8 de novembro, a programação começa às 9h, com cortejo pelo bairro Santo Antônio em direção à Igreja Matriz da Paróquia Santo Antônio de Pádua. Às 10h, será celebrada uma missa, seguida de apresentações do Catumbi de Itapocu e almoço festivo para foliões e convidados.

Um dos momentos centrais será a coroação do rei e da rainha da festa de 2026, Maurício Renato e Eliane Maria.

Conhecida em algumas comunidades como “Natal dos Pretos”, a celebração integra a cultura afro-brasileira e reúne cortejos, desfile da realeza, danças e apresentações musicais. Embora seja dedicada a Nossa Senhora do Rosário, a festa também expressa a diversidade de práticas e tradições religiosas presentes nas comunidades que a mantêm viva.

A data da celebração varia entre os municípios. Em Balneário Piçarras, a edição deste ano foi transferida para novembro em razão das eleições nacionais, conforme explicou a rainha Eliane Maria.

Ao longo de sua história, a festa também passou por diferentes espaços de celebração no município, incluindo locais comunitários e igrejas matrizes das paróquias Nossa Senhora da Paz e Santo Antônio de Pádua, além de alternar entre os meses de outubro e dezembro.

HISTÓRIA E CULTURA NAS ESCOLAS
Para ampliar o conhecimento sobre a tradição, a professora de História da rede municipal de ensino, Rosa Toller, disponibiliza sua dissertação de mestrado e materiais sobre a festa no portal www.festadorosariopicarras.com.br.

O site reúne informações históricas, registros dos festejos e propostas pedagógicas para trabalhar a história e a cultura da comunidade negra nas escolas durante todo o ano.

A iniciativa dialoga com a legislação brasileira que tornou obrigatório o ensino da História e Cultura Afro-Brasileira, Africana e Indígena na educação básica, por meio das leis federais nº 10.639/2003 e nº 11.645/2008, além das diretrizes nacionais para a equidade e a educação das relações étnico-raciais.

A festa, assim, ultrapassa o caráter religioso e se consolida como espaço de preservação da memória, valorização da identidade afro-brasileira e transmissão de saberes entre gerações.

REDAÇÃO, JORNAL DO COMÉRCIO
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