O Centro Nacional de Pesquisa e Conservação das Tartarugas Marinhas (Tamar) realizou na tarde de terça-feira, 21, o ato de soltura de uma de tartarugas-verdes, na praia do Cascalho, em Penha. Localizada na mesma região em 11 de julho, a tartaruga foi resgatada e passou por tratamento durante um mês, em Florianópolis.
“Ela tinha sinais de afogamento, que hoje é a primeira grande ameaça às tartarugas marinhas presas em redes de pesca”, afirmou a gestora do centro de visitantes do Tamar, Camila Trentin. O jovem animal foi devolvido ao mar com quatro quilos e aproximadamente 40 centímetros.
Além da soltura da tartaruga, o Tamar também promoveu uma atividade de educação ambiental com os alunos da Escola Estadual Básica Professor João Batista Paiva e com a comunidade local. Mais de 100 pessoas estiveram presentes para ver a tartaruga voltar ao mar e também conheceram um pouco mais sobre a espécie e como participar de sua preservação.
“A gente sabe que o pescador não é o vilão, pelo contrário, ele é parceiro do Projeto Tamar. A gente depende da ajuda dos pescadores que estão no mar todos os dias para tentar evitar esses acidentes que acontecem com as tartarugas”, completou Camila, reforçando que uma série de animais são encaminhados ao Tamar pelos próprios pescadores.
A clandestinidade de redes em áreas proibidas, por exemplo, é o grande problema apontado pelos pesquisadores ligados à causa. Durante a explanação, Camila reforçou que a comunidade deve ligar imediatamente para o 0800.642.3341 – número do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos – para comunicar a localização de qualquer tartaruga na praia.
AÇÃO REFORÇA ESTUDO PARA TRANSFORMAR PRAIA DO CASCALHO EM SANTUÁRIO
A soltura da tartaruga não possui ligação direta com os trabalhos que os pesquisadores do Tamar e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) vem realizando na Praia do Cascalho – que poderá resultar na criação de uma reserva ambiental da espécie na cidade. Mas, na visão do professor da Universidade do Vale do Itajaí, Gilberto Manzoni, que integra a pesquisa, fortalece que o local é o habitat da espécie.
“Essa soltura não faz parte da pesquisa, mas certamente fortalece todo o trabalho”, disse o especialista. O trabalho começou no ano passado. Até então, pouco se sabia sobre as tartarugas-verdes da Praia do Cascalho. A intenção é justamente precisar o número e seus hábitos. Todas as informações obtidas farão parte de um projeto científico para transformar a região num parque e mantê-lo preservado.
O trabalho dos pesquisadores consiste na a captura das tartarugas com o uso de uma rede. Todas receberão uma anilha de identificação, terão seu sangue coletado e também uma pequena parte de seu tecido será coletado antes de serem devolvidas ao mar. “Isso é para sabermos para onde vão e seu crescimento”, ressaltou Camila. Todo o material coletado será minuciosamente analisado em laboratório. Estudos genéticos, moleculares e bioquímicos serão realizados.
Esse é um minucioso trabalho que prosseguirá pelo restante do ano e poderá resultar na criação de uma reserva ambiental da espécie na cidade. “Mas é preciso ter muito cuidado. É preciso que o inventário seja muito bem elaborado. É preciso ter certeza de que essas tartarugas realmente habitam a Praia do Cascalho, ou se não estão apenas de passagem”, afirmou o analista ambiental Eron Paes e Lima, da Base do Centro Tamar/ICMBio. “Somente após um ano é que teremos algo de concreto para informar”, reforçou o analista.
Isso porque, o mesmo trabalho é realizado em praias da região, como Bombinhas e na Laje do Jacques, em Balneário Piçarras. O estudo paralelo vai revelar se as tartarugas-verdes encontradas nessa região acabam migrando de praia. “É preciso que elas sejam da praia, não turistas”, reforçou Eron, detalhando apenas um dos critérios para uma possível criação da reserva na Praia do Cascalho – fato que poderá acontecer também nas outras praias.





