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quarta-feira 15 de julho de 2026

Polícia busca terceira suspeita em crime de tentativa de decapitação

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A Polícia Civil de Penha segue atrás de uma terceira pessoa suspeita de participar do crime de tentativa de homicídio do adolescente de 17 anos, P.P.S, em abril do ano passado. A jovem piçarrense de 21 anos, Tailana Machado Freitas – que já tem a prisão preventiva decretada pela Justiça – teria participado da emboscada e ainda gravado com um celular a ação falha de decapitação, realizada por Thais Lima dos Santos a mando de Gilmar Fortunato. Thais e Gilmar estão presos e Tailana segue foragida.

A participação de Tailana foi revelada assim que Thais foi presa em meados do ano passado. Em seu depoimento, Thais disse à Polícia Civil que Gilmar pediu a Tailana que ligasse para a vítima marcando um encontro. Gilmar então pegou uma espada ninja, a colocou no porta malas do carro e os três foram ao encontro de P.P.S. Na Ponta da Vigia, uma remota praia de Penha, Gilmar entregou a espada a Thais e ordenou que P.P.S ficasse de joelhos.

“Determinou que Thais cortasse o pescoço de P.P.S e falou que aquilo serviria de lição para quem roubasse sua droga”, diz o depoimento de Thais à Polícia. Enquanto cumpria a ordem de Gilmar, Tailana gravava toda a ação com um celular. Acreditando que P.P.S estaria morto, os três pegaram o corpo do adolescente e jogaram no costão da Ponta da Vigia, segundo o depoimento de Thais, e foram embora.  

Diante da revelação, o Ministério Público da Comarca de Balneário Piçarras (MP/SC) incluiu Tailana na denúncia que foi apresentada à juíza Regina Aparecida Soares Ferreira. O promotor, Luis Felipe de Oliveira Czesnat, pede que o trio enfrente o tribunal de júri para responder ao crime de homicídio qualificado, praticado por motivo fútil, cruel e mediante emboscada. A pena para um crime dessa natureza, segundo o Código Penal, é de 12 a 30 anos de prisão.

Já considerada uma foragida da Justiça, a Polícia segue pistas que possam levar os investigadores ao cumprimento do mandado. “Tentamos cumprir no ano passado, mas o pai disse que ela estava escondida e que o advogado ia tentar reverter o mandado de prisão”, afirma o responsável pela Delegacia de Penha, Allan Martins Coelho. Na esfera judicial, Tailana já possui um defensor que pediu a revogação do mandado de prisão.

O advogado de defesa pontua que “a jovem gestante não tem interesse em viver foragida, deseja tão somente responder o respeitável feito em liberdade, pois tem um filho pequeno e encontra-se gestante de seu segundo filho, ademais excelência, caso seja presa, terá que permanecer no inferno carcerário que são nossas prisões, situação complexa para uma gestante”, pontuando ainda que ela é uma vítima do narcotráfico. No início das investigações, Tailana chegou a ser ouvida pela delegada Danielle Pereira Gonzalez da Silva, quando negou sua participação no crime.

A juíza negou o pedido do defensor. “Mantenho na íntegra a decisão que decretou a prisão preventiva da acusada […] Acrescente-se que no vídeo a acusada Thais confessa que Tailana atraiu a vítima, ajudou a cortar o pescoço e a jogar o corpo da ribanceira. As condutas descritas são gravíssimas, pois a violência narrada (cortar pescoço com uma espada por dívidas de droga) foge da normalidade”, categoriza a juíza Regina, em decisão proferida em setembro passado.

No próximo dia 13 de março, às 14h, Gilmar e Thais terão audiência no Fórum da Comarca de Balneário Piçarras, momento em que poderão apresentar suas versões à promotoria e juíza sobre o ocorrido. Caso Tailana seja presa até a data, também deverá participar do interrogatório.

O CRIME

Segundo a Polícia Civil, a tentativa de homicídio foi motivada por uma dívida de drogas, que eram vendidas por Gilmar. O adolescente contou aos investigadores que há três meses vinha vendendo drogas para Gilmar. Sob posse de 20 tubos de removedor de solda – que eram vendidos como “Loló” ao preço de R$ 50 cada – o adolescente acabou consumindo o material e contraindo uma dívida de R$ 1.000,00 com o traficante.

Pressionado a quitar a dívida, o jovem acabou pegando mais cocaína de Gilmar – sem seu consentimento – para tentar fazer dinheiro. “Gilmar descobriu que o adolescente tinha pegado sua droga sem sua autorização e disse que iria matá-lo”, comenta Allan. No dia 2 de abril de 2017, P.P.S recebeu uma ligação para se encontrar com o trio.

“Ordenaram que ele saísse do carro e ficasse de quatro no chão. Segundo relatou a vítima, Thais começou a cortar o seu pescoço, enquanto Gilmar dizia que o adolescente serviria de exemplo para que ninguém pegasse o que era seu sem sua autorização, e que por isso iriam arrancar a sua cabeça”, relata Allan.

“O adolescente relatou que começou a ter espasmos e veio a desmaiar, só recobrando a consciência quando estava sendo jogado da encosta em direção ao mar. Por fim, informou que conseguiu se agarrar em uns arbustos, onde permaneceu até o dia clarear, para então subir a encosta e pedir ajuda”, pontuou Allan.

Por volta das 17h do dia 3 de abril, o adolescente foi encontrado e imediatamente encaminhado para o Hospital Marieta, em Itajaí. Ele permaneceu internado por vários dias em razão da gravidade dos ferimentos sofridos. O jovem recebeu alta do Hospital no dia 14.

REDAÇÃO, JORNAL DO COMÉRCIO
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