A recente conclusão do calçadão em deck na orla Norte de Balneário Piçarras popularizou a circulação de pedestres e ciclistas em todo o calçadão. O movimento intenso vem, contudo, causando embaraços entre eles: enquanto os pedestres cobram o uso único das calçadas, os ciclistas relatam falta de segurança e de uma ciclovia como motivos para também utilizarem o passeio. A discussão se acirrou nas redes sociais.
“Ontem (6 de janeiro) no final da tarde passeando no calçadão pensei que estava enganada e que por engano estava circulando na ciclovia. Era preciso evitar os ‘bicicleteiros’ constantemente. Andam em alta velocidade sem se importar com as crianças e adultos que estão ‘tentando’ caminhar no calçadão. A prioridade passou a ser dos ciclistas”, desabafou uma pedestre por meio da internet, em um popular grupo do Facebook. O artigo 68 do Código Brasileiro de Trânsito (CTB) embasa a pedestre.
Segundo o artigo, “é assegurada ao pedestre a utilização dos passeios ou passagens apropriadas das vias urbanas e dos acostamentos das vias rurais para circulação, podendo a autoridade competente permitir a utilização de parte da calçada para outros fins, desde que não seja prejudicial ao fluxo de pedestres”. O inciso primeiro do artigo pontua ainda que “o ciclista desmontado empurrando a bicicleta equipara-se ao pedestre em direitos e deveres”.
Muitos pedestres dividiram do mesm o pensamento. Contudo, ciclistas também expuseram seu pensamento – causando algumas discussões em certos momentos do fórum. Eles relatam falta de respeito por parte dos motoristas, observando a circulação na calçada quase como obrigatória. “Eu faço parte dos que andam na calçada… Pra não correr o risco de ser atropelada. Mas ando com cuidado e devagar, pois na ocasião eu sou ciclista mas a todo momento sou pedestre”, rebateu uma ciclista.
O artigo 21 do CTB também categoriza que cabe aos municípios “planejar, projetar, regulamentar e operar o trânsito de veículos, de pedestres e de animais, e promover o desenvolvimento da circulação e da segurança de ciclistas”. A ciclovia, por exemplo, é um dos pedidos dos ciclistas locais. “Penso que a cidade de Piçarras é linda, porém precisa de ‘vida’ o ano todo, a ciclovia separada na beira mar se faz necessário”, disse outro integrante da discussão virtual.
De acordo com o prefeito Leonel José Martins, a obra de urbanização do trecho Norte da praia não está completamente finalizado. Uma segunda etapa será iniciada, contemplando a ciclovia. “Na verdade o projeto é maior. Este projeto está executado parcialmente. O projeto completo prevê a construção de calçada, ciclovia e o deck de madeira – além de asfaltamento da Avenida. Enquanto isso não sai, nós sinalizamos o deck de madeira. A população deve estar atenta. Isso é questão de educação, porque ela está sinalizada proibindo a circulação de bicicletas sobre o deck. Ali é uma passarela para pedestres e não para ciclista”, esclareceu.
A Secretaria de Planejamento confirmou ainda que pretende prolongar ciclovia por toda a Avenida José Temístocles de Macedo. De acordo com a Diretora de Planejamento da Secretaria, Carolina Ferreira, para implantar a ciclovia o Governo Municipal vai extinguir o estacionamento de veículos ao longo de toda a orla, criando uma extensa faixa aos ciclistas até a Barra Sul. O projeto será executado ainda este ano, durante a baixa temporada. Hoje, há apenas 1,4 quilômetro de ciclovia – localizada na Avenida Emanoel Pinto.
Foto por: Felipe Bieging | JC





