Mariléia Pereira vai a júri popular no dia 3 de novembro acusada de matar seu marido, Anderson Vicente Zancanela. Ela responderá por homicídio qualificado (por motivo fútil, diante da vontade da vítima em deixar de praticar sexo com outros casais) e fraude processual (na tentativa de esconder as provas do crime). Se condenada, pode pegar até 32 anos de prisão.
A data do julgamento de Mariléia foi publicada no dia 17 do mês passado em decisão proferida pela juíza de Direito da Comarca de Balneário Piçarras, Regina Aparecida Soares Ferreira. No mesmo despacho, a magistrada também negou a realização de exames de sanidade mental em Mariléia, solicitado pela defesa.
“Ela (Mariléia) premeditou, planejou e executou o crime”, disse o delegado, Wilson Masson. Presa no Presídio Feminino de Itajaí, Mariléia disse ao longo das investigações que se “sentia sufocada dentro da relação” e que a única forma de se “livrar” do marido seria o matando. O crime ocorreu após uma discussão, segundo Masson.
A defesa da ré garante que ela não premeditou o crime, mas cometeu o ato como forma de escapar dos abusos e taras sexuais de Anderson. Afirmou ainda que ela precisava de tratamento psicológico por conta de diversas tentativas de suicídio e que o marido havia lhe negado o tratamento. Desta forma, indiretamente, ele teria assumido os riscos.
A juíza também negou três pedidos pela liberdade provisória da ré. “A necessidade da garantia da ordem pública, haja vista que os indícios apontam que a acusada praticou o crime de homicídio contra seu marido e registrou falso boletim de ocorrência, buscando sua impunidade. Ademais, a revogação da preventiva causaria descrédito a justiça e fomentaria a prática das condutas ilícitas, até porque, seria bastante cômodo atentar contra a vida de outrem, ser pronunciado, e livrar-se solto quando findada a instrução processual, como dito”, sacramentou.
COMO FOI, SEGUNDO A POLÍCIA
Na noite de 6 de agosto de 2015, a golpes de machado, Anderson foi assassinado pela esposa em uma região afastada de Santa Lídia, em Penha. O corpo foi achado na noite do dia 8, um dia após Mariléia ter registrado o desparecimento do marido na delegacia.
No mesmo dia 8, a Polícia Civil apreendeu o carro de Mariléia com marcas de areia e lama característicos da extração. Na residência do casal, a polícia também achou um machado, com marcas de sangue e cabelos presos à lâmina.
No domingo, 9, Mariléia tentou suicídio, tomando herbicida e antidepressivos. Foi levada ao Hospital Marieta Konder Bornhausen. A Polícia Civil a prendeu na terça-feira, 11.
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