Ainda de forma tímida, servidores públicos de Balneário Piçarras manifestaram seu descontentamento salarial – entre outras reivindicações trabalhistas – em assembleia do Sindicato os Servidores Públicos Municipais da Região da Foz do Rio Itajaí (S.S.P.M.R.F.R.I), realizada na noite de quarta-feira, 27, no auditório da Univali. Pouco menos de 20 trabalhadores de carreira participaram da reunião que resultou na produção de uma lista de pedidos que será entregue ao Governo Municipal em alguns dias.
“A pouca participação é normal neste momento inicial de cobranças. A partir de agora a mobilização deve ganhar corpo e novos servidores devem abraçar a causa”, definiu a presidente do Sindicato, Eliane Aparecida Corrêa. Servidores da área de Obras, Saúde, Administração e Educação participaram da conversa que iniciou pelas revisões salariais não realizadas nos últimos dois anos, que segundo Eliane, em Balneário Piçarras é de 15%. “Hoje, o Governo Municipal tem uma dívida de 15% com os servidores”, sacramentou.
As duas últimas compensações salariais pela inflação aconteceram nos anos de 2012 (5,57%) e 2013 (6,77%). “Vamos começar a negociar com o prefeito (Leonel José Martins), pelo menos, para que os índices inflacionários dos dois últimos sejam aplicados”, frisou Eliane aos servidores, referindo-se a 2014 (6,87%) e 2015 (8,34%). A partir desse norte, a reunião ganhou ares de maior confiança e os servidores passaram a ressaltar as maiores necessidades de suas categorias.
A lista de pedidos que deve ser entregue ao Governo Municipal no próximo dia 9, se completa com: redução do período para licença prêmio de 10 para 5 anos, melhores salários aos bibliotecários e professores de informática, pagamento de insalubridade na saúde, adicional noturno na saúde, regularização da hora extra na saúde, mais psicólogos e fonoaudiólogos para educação e, por fim, o cumprimento da carga horária de trabalho entre todos os funcionários.
“Não temos qualquer vantagem de ser servidor público aqui”, desabafou o técnico em radiologia, Ricardo Mafra. O pagamento de 13º salário e férias, segundo os servidores, são os únicos benefícios fornecidos aos servidores de carreira. Há ainda um Plano de Saúde coorporativo que oferece preços reduzidos aos funcionários interessados, mas que segundo os reclames dos participantes, os valores não seriam tão mais vantajosos em comparação com um plano individual/familiar.
Os profissionais da educação também aproveitaram o momento para criticar a recente atualização do Plano de Carreira do Magistério. Segundo alguns profissionais que participaram da assembleia, o documento pode ter sido considerado um avanço, mas poderia ter sido mais generoso e justo com a classe. Os educadores citaram que o grupo gestor formado pela Secretaria de Educação teve cunho político e que as propostas de alas neutras eram imediatamente negadas.
A próxima reunião do Sindicato será marcada após a reunião do dia 9, que segundo Eliane, acontecerá com a secretária de Administração e Fazenda, Ana Lucia Wilbert. “Em dois anos não conseguimos conversar com o prefeito. Vamos entregar os pedidos a Ana e tentar uma conversa com o prefeito”, finalizou. Uma possível paralisação dos funcionários não foi descartada, contudo, o assunto será melhor discutido após a reunião do dia 9. Hoje, apenas 339 servidores são efetivos, de um total de 1.096 trabalhadores.
A Associação dos Servidores Públicos Municipais de Balneário Piçarras (ASPI) não participou da assembleia. A presidente, Fabiane Engelmann Quintino, disse que não foi convidada, citando ainda desconhecer a realização da reunião. A presidente do sindicato, Eliane, confirmou que não oficializou o convite à ASPI.
O prefeito, Leonel José Martins (PSDB), disse que vai atender o sindicato na reunião do dia 9. Contudo, não falou sobre os pedidos já feitos, citando apenas que irá mostrar a situação do município.
Foto por: Felipe Bieging





