Durante uma vistoria realizada recentemente pela Defesa Civil, no trecho canalizado do Rio Cancela, no Centro, foi detectada a obstrução do tubo de dois metros de diâmetro próximo da desembocadura do córrego na Praia das Canoas. A obstrução é causada por pilares de concreto localizados no terreno dum supermercado e seriam em parte responsáveis pelos alagamentos nas áreas baixas por onde o Cancela passa, em volta do bairro São Cristóvão. O diretor do estabelecimento comercial se comprometeu em resolver o problema num prazo de 60 dias.
De acordo com o coordenador da Defesa Civil, Elton Cunha, que vistoriou o local, o desempenho do tubo está reduzido em 50% por motivo do lixo que fica acumulado entre os pilares. A vistoria foi solicitada pela prefeitura municipal diante das suspeitas de que os tubos não estavam oferecendo um correto fluxo na desembocadura do rio.
A vistoria começou em uma das aberturas na rua Ipiranga, ao lado do estacionamento do Supermercado Dubom. “O cano possui dois metros de diâmetro e está obstruído pela metade com o lixo que fica trancado entre os pilares. Não foi possível passar para o final da desembocadura. No local também detectamos um grande número de esgotos irregulares conectados diretamente à rede pluvial”, comentou Elton, que enfatizou o problema nos períodos de chuvas prolongadas ou fortes.
Na terça-feira, o diretor dos Supermercados Dubom, Gilvan Fenner, se reuniu com os representantes da Secretaria de Planejamento e Fiscalização, junto com a Defesa Civil, e comprometeu-se a retirar os pilares da tubulação num prazo de 60 dias. Ainda foi recomendada a colocação de uma grade de ferro no início desse trecho da tubulação, para evitar o entupimento do cano. De acordo com fontes da prefeitura, o próprio diretor informou que a empresa arcaria com as despesas de retirada das colunas, colocação da grade e manutenção da grade para a remoção de lixo.
O presidente da Fundação Municipal de Meio Ambiente, Alexandre Sant´Ana informou que o próximo passo para formalizar o projeto de retirada das colunas é a assinatura de um Termo de Ajustamento de Conduta diante da Justiça, para poder garantir a execução da obra do prazo combinado.
Para a remoção do concreto será necessária uma obra de engenharia que irá a construir um travessão de cimento para dar sustentação à tubulação e o asfalto.
Entre os questionamentos que a obstrução do cano apresentou está a dúvida de quem autorizou a tubulação do rio, que hoje está proibido por lei. Em segunda medida, a prefeitura na época também não deveria ter permitido que fossem colocadas colunas de concreto no seu interior. De acordo com a prefeitura, as colunas deveriam ter sido colocadas há mais de 15 anos.
Hoje o rio Cancela é um córrego morto de água altamente poluída em função de um grande número de esgotos irregulares. Na última vistoria realizada em 2008, o então cabo Cladenir Sikorski, dos Bombeiros Militares, contraiu leptospirose em função da grande contaminação do local.
Na vistoria realizada semana passada pelo coordenador da Defesa Civil, acompanhado pelo soldado dos bombeiros Medeia, foram percorridos aproximadamente 50 metros, até o ponto onde não era permitida a passagem.
Obstrução na canalização do Cancela





