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quarta-feira 17 de julho de 2024


Novas regras afastam o sonho da casa própria

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A Caixa Econômica Federal divulgou novas regras para adesão ao programa de financiamento popular ‘Minha Casa, Minha Vida’. Apesar das novas normas só valerem para pedidos formalizados após o dia 30 de junho, a decisão deve dificultar a adesão ao programa, além de inviabilizar novas construções e as vendas.
A principal alteração é relacionada ao local de construção e compra dos imóveis. A partir do primeiro dia de julho, a Caixa só vai liberar o crédito para edificações construídas em ruas de infraestrutura completa. Ou seja, somente em locais que possuem ruas calçadas, água, esgoto e iluminação. “Para gente não dificulta, mas para as pessoas o preço das construções vai aumentar e deve diminuir a procura”, afirma o construtor Renato Kfuri, especializado em empreendimentos para o programa.
“Qualquer aumento de R$ 10 mil é muito para o programa”, completa. Para Kátia Evangelista Orladi – que trabalhou por uma década como correspondente da Caixa e ainda atua no assessoramento de financiamentos imobiliários – as regras irão dificultar o acesso à moradia própria. “Acho que vai haver mais dificuldade na solicitação de financiamento. São regras que colocam entraves nas próprias construções, já que a infraestrutura local valoriza as regiões”, acredita.
O programa ‘Minha Casa, Minha Vida’ movimentou o setor civil no Brasil, onde muitos construtores passaram a investir em construções menores e de baixo custo para enquadrá-las dentro do valor máximo de financiamento. Na região de Itajaí – que abrange Balneário Piçarras e Penha – é possível conseguir até R$ 100 mil para compra ou construção do imóvel próprio. “Quem tiver condições deve aderir ao programa até 30 de junho, porque depois vai ficar mais difícil de ter acesso ao crédito”, orienta.
As novas regras foram anunciadas no começo do mês e teriam validade imediata. Contudo, houve muita polêmica e a Caixa voltou atrás, adiando a aplicação das normas para julho. Apesar disso, Kátia observa a prorrogação apenas como uma ação paliativa para a polêmica. “Eles prorrogaram o prazo, mas irão dificultar a liberação do crédito, exigindo um valor de entrada e aumentando a burocracia”, prevê.
Isso porque o Governo Federal anunciou que programa ‘Minha Casa, Minha Vida’ vai ter uma contenção de mais de R$ 5 bilhões nos repasses neste ano. O valor representa 40% de corte, ou seja, vai passar de R$ 12,7 bilhões para R$ 7,6 bilhões. “Essas regras são uma forma de dificultar o acesso ao crédito, indo ao encontro do corte financeiro do Governo Federal”, finaliza Kátia.
 

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