Impedidos de retirarem e comercializarem mariscos desde o dia 26 de maio, maricultores e a economia de Penha começam a contabilizar prejuízos. As quatro semanas de inoperância na atividade podem chegar a uma perda próxima dos R$ 200 mil em todos os setores envolvidos pela produção.
“O beneficiamento está parado há quatro semanas, desde a proibição. Deixamos de vender, mas os gastos com funcionários e manutenção continuam”, explica o ex-presidente e associado da Cooperativa de Maricultores de Penha (Coopermape), Giovani Francisco Dias. A cooperativa beneficia 8 mil quilos semanais, com média de venda de R$ 21 o quilo.
“Essa situação é muito preocupante, mas esperamos uma melhora nas condições do mar e a liberação dentro de alguns dias. Essa é a nossa expectativa”, acrescentou Giovani. Cerca de R$ 168 mil deixaram de circular pela cooperativa, num produto beneficiado e que vai diretamente para os grandes centros paulistas.
O presidente interino da Coopermape, Gilberto Manzoni, frisa ainda que o prejuízo ganha força por conta do comércio paralelo que a maricultura impulsiona. A venda nas barraquinhas e a gastronomia regional. “Todos estão deixando de vender. Não há produto que possa ser vendido e essa proibição precisa ser respeitada”, categorizou.
Para aliviar as perdas diretas no bolso do maricultor, Gilberto acredita que seja necessário pensar a criação do pagamento de um defeso para estas situações. “Vejo que é a hora de criarmos um defeso essas situações. É uma situação atípica. Poucas vezes tivemos um período de proibição tão longo”, comentou. Parados, os maricultores vem se dedicando à pesca da tainha e dando manutenção aos equipamentos da produção.
Cidasc mantém interdição
A Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) manteve a proibição da retirada e comercialização de ostras, mexilhões, vieiras e berbigões em parte da costa de Santa Catarina. Ela se dá pela presença da toxina diarreica (DSP), em um fenômeno chamado de “maré vermelha”.
Como existe a possibilidade de a contaminação dos moluscos bivalves, a interdição de retirada e comercialização foi imposta. O médico veterinário da Cidasc, Pedro Sesterhenn, explica que a desinterdição do litoral ainda não aconteceu por causa da flutuação das algas, o que não dá segurança de que as áreas estejam totalmente livres de contaminação.
A toxina diarréica é produzida por algumas espécies de microalgas que vivem na água, chamadas de Dynophysis, e quando acumuladas por organismos filtradores, como ostras e mexilhões, podem causar um quadro de intoxicação nos consumidores. A presença de Dynophysis é conhecida em Santa Catarina e por isso os níveis da toxina são regularmente monitorados pela Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) no litoral. Os últimos episódios de excesso de DSP no estado aconteceram em 2014, 2008 e 2007.
Os sintomas causados pela DSP são diarreia, náuseas, vômitos e dores abdominais e se manifestam em poucas horas após a ingestão de moluscos contaminados. A recuperação do paciente se dá entre dois e três dias, independente de tratamento médico.
Foto por: Felipe Bieging





