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Piçarras
sábado 24 de fevereiro de 2024


Pescadores ajudam Colônia Z-26 com um dia de pesca

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Pescadores artesanais de Balneário Piçarras doaram todo camarão capturado no sábado, 13, à Colônia de Pescadores Z-26. A ação foi uma ideia da nova diretoria da Colônia com o intuito de angariar fundos para manutenção das atividades da entidade. A empresa, Natubrás Pescados, apoiou a iniciativa e comprou todo o crustáceo, da espécie Sete Barbas, por um valor 20% acima da tabela normal.

“É uma iniciativa que busca resgatar a Colônia Z-26 e por isso resolvemos apoiar a causa, comprando todo o camarão com um preço 20% superior. Sabemos que a pesca artesanal do camarão tem uma importância gigantesca para Balneário Piçarras e região, de forma econômica e também para a história da pesca”, analisa o empresário e diretor da Natubrás, Eduardo José de Borba Duarte.

No total, 14 pescadores filiados doaram o camarão à Colônia. Cristiano Sebastião da Silva foi um deles. Filiado há pouco tempo, ele doou os 60 quilos que pescou por “acreditar no trabalho da nova diretoria”. “Eles assumiram a Colônia recentemente e querem fazer um trabalho diferente, por isso pediram essa ajuda a nós. Há uma série de custos de serviços prestados aos pescadores, por isso resolvi ajudar”, explica.

A presidente da Colônia, Adriana Ana Fortunato Linhares, explica que “assumimos a Colônia praticamente falida. Como somos uma entidade sem fins lucrativos e sem qualquer outro tipo de ajuda financeira, resolvemos pedir a ajuda dos filiados para manter nossas atividades normais”. Hoje, há apenas 36 pescadores filiados, que anualmente pagam uma taxa simbólica para a Colônia, que realiza o trabalho de renovação de documentos, INSS, auxílio defeso, entre outras ações.

Ao todo, 507 quilos de camarão Sete Barbas foram comprados pela Natubrás, rendendo iniciais R$ 4.536,00. Com os 20% adicionais doados pela empresa, o valor final à Colônia passou para R$ 5.493,00.  “É apenas um auxílio para a entidade e a diretoria tem um longo caminho de recuperação para trilhar. Mas o que deve realmente ser enaltecido é o espírito da coletividade dos pescadores, que se uniram para trabalhar por um dia para a Colônia”, enaltece o empresário Eduardo.

“Importante frisar, ainda, que a Natubrás Pescados apenas compra o camarão fora do período de defeso. Durante o defeso, 1º de março a 31 de maio, nós não compramos o produto. Tanto que, se não tivermos camarão em estoque, nossa produção para. Respeitando esse período, a cadeia da pesca artesanal é mantida”, conclui Eduardo, que faz parte da terceira geração de uma tradicional família pesqueira.

Seu avô, João Emília Duarte, conhecido por Joca Mila, ficou conhecido pela habilidade na pesca em canoas, lanchas a remo e a vela. Entre as décadas de 40 e 50, Joca Mila foi convidado pelo empresário Eugênio Krause para testar em sua embarcação um motor movido a gasolina. O motor, criado pela Metalúrgica Stoll, de Joinville, se mostrou uma tentativa acertada e acabou por mudar a história da pesca no litoral. Seu filho, José Félix Duarte, o Seu Zequinha, deu continuidade ao legado da família Duarte, consolidado hoje pela Natubrás Pescados.

“A Colônia não é dos pescadores, é da família do pescador. Ela que se beneficia do trabalho”, acrescenta Adriana, tecendo ainda um agradecimento à empresa Natubrás. “Gostaria de agradecer a Natubrás, uma empresa que compra parte da produção local a um preço justo e que está nos apoiando nesse processo de reestruturação. O fato de a empresa ter apoiado a nossa ideia incentivou muitos pescadores a também nos apoiarem nesse dia”, encerra a presidente Adriana.

REDAÇÃO, JORNAL DO COMÉRCIO
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