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terça-feira 16 de abril de 2024


“A sustentabilidade já é uma realidade dentro do BRDE”, afirma ex-presidente Wilson Bley

Hoje na diretoria financeira do BRDE, Wilson Bley comentou sobre os históricos resultados que deixou após os dezenove meses em que esteve como presidente da instituição

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O paranaense, Wilson Bley Lipski, que possuí residência em Balneário Piçarras, deixou a presidência do Banco Regional de Desenvolvimento do Extremo Sul (BRDE) no último dia 2 de junho. Ao longo de dezenove meses afrente do banco – num período de recuperação pandêmica – cravou números recordes para instituição e a consolidou como um Banco Verde, abrindo linhas de créditos para projetos sustentáveis.

Wilson presidiu o BRDE entre 3 de novembro de 2021 até 2 de junho de 2023

“Nesse período (pós-pandemia) o diálogo com a sociedade foi a ferramenta estratégica para compreender a necessidade entre o que oferecíamos e efetivamente o que era adequado para a ocasião. Criamos uma política para jovens, para mulheres, fizemos capital de giro isolado, algo inédito na história do BRDE”, disse Wilson, em longa entrevista ao Jornal do Comércio. No último dia 5, o catarinense João Paulo Kleinübing assumiu a presidência.

“Criamos uma política para jovens, para mulheres, fizemos capital de giro isolado, algo inédito na história do BRDE”

Em 2022, o BRDE efetivou um novo recorde desde a fundação há 62 anos, com a marca de R$ 4,4 bilhões em novos financiamentos, abrangendo diversos setores da economia nos estados em que atua. No recente balanço divulgado, o banco obteve, no último ano, o maior lucro líquido da história com R$ 449,6 milhões. A instituição financeira lidera também o ranking como maior repassador de recursos para projetos de inovação no país, por meio da Financiadora de Estudos e Projetos (FINEP), totalizando quase R$ 1 bilhão em financiamentos nos últimos anos

“A missão de 2022 foi transformar e dar visibilidade aos nossos resultados, incrementar e expandir os programas que realizamos de desenvolvimento social e econômico, criar a jornada do Banco Verde e mudar a mentalidade sobre como nos posicionamos institucionalmente, a forma de relacionamento interna e com o público e de que modo nosso trabalho impacta na sociedade”, acrescenta o ex-presidente, agora na diretoria financeira do Banco.

O Banco Verde é um dos motivos de orgulho de Wilson – denotando que o BRDE passa a ofertar novas linhas de crédito para projetos sustentáveis. “A sustentabilidade já é uma realidade dentro do BRDE, que foi moldada com muita conversa interna, e um novo olhar para as próprias ações do banco. O Banco Verde, por exemplo, é uma manifestação, um posicionamento extraído dos resultados revelados em nosso relatório socioambiental”, detalha.

Na diretoria financeira do BRDE, Wilson frisa que “já montamos diretrizes estratégicas como aplicação de recursos em operações de crédito, balanços e dados econômico-financeiros do banco, aprimoramento da eficiência tributária do banco, decisões de governança e coordenar as ações desse setor, de forma alinhada aos propósitos do BRDE. E também, a discussão sobre plano estratégico para o projeto de captação de recursos no mercado, através dos RDBs (recibo de depósito bancário), de forma ágil e dinâmica”.

O BRDE atua nos três estados do Sul – Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul – e no Mato Grosso do Sul. Instituição financeira pública de fomento, foi fundada em 15 de junho de 1961. Possui agências em Curitiba, Florianópolis e Porto Alegre, atendendo as demandas de empreendedores nestas regiões. O BRDE tem quase 40 mil clientes ativos e está presente em 1.141 municípios – cerca de 95,8% de cobertura da Região Sul.


ABRE ASPAS  | Wilson Bley, ex-presidente do BRDE

JC: Na sua gestão, o BRDE cravou o maior recorde em novos financiamentos e também o maior lucro líquido da história. Como o senhor avalia esses resultados?

Wilson: A missão de 2022 foi transformar e dar visibilidade aos nossos resultados, incrementar e expandir os programas que realizamos de desenvolvimento social e econômico, criar a jornada do Banco Verde e mudar a mentalidade sobre como nos posicionamos institucionalmente, a forma de relacionamento interna e com o público e de que modo nosso trabalho impacta na sociedade.

E foram os resultados, o alcance de mais uma meta histórica de R$ 4,4 bilhões em operações em todo o Sul, enquanto em 2021, já tínhamos também quebrado um recorde de R$ 4,1 bi – que demostraram a força e comprometimento do BRDE com suas diretrizes > Banco Verde > Diálogo Permanente com a Sociedade > Sustentabilidade e Inovação > Participação na Construção e Execução de Políticas Públicas em consonância com as diretrizes estaduais.

Tudo partiu de um plano estratégico estabelecido em 2019. Reduzimos a dependência de recursos de maior parte do BNDES e isso trouxe ao banco, maior fluxo financeiro. As captações de novas fontes de recursos nacionais e internacionais para investimentos em diversos segmentos, expandiu a atuação do BRDE e com isso, a economia da Região Sul. Alguns exemplos: FCA (Fundo Setorial Audiovisual) e das linhas de inovação do Inovacred e do Finep. Nós somos hoje o maior repassador do Brasil das linhas de inovação, 40% delas estão só no Sul do Brasil. FGTS, quatro tranches do Fungetur em um ano, concorrendo com a Caixa Econômica como segundo maior executor do Brasil. Partimos para uma aproximação com Banco de Desenvolvimento da América Latina no início. Fomos atrás da Agência Francesa do Desenvolvimento, fomos atrás do BEI, do BID, do IRD, NDB e agora estamos até com o Banco da Ásia.

JC: O senhor assumiu a instituição num período de pós-pandemia e, ainda assim, consolidou números positivos para o BRDE. Como isso foi possível?

Wilson: Nesse período, o diálogo com a sociedade foi a ferramenta estratégica para compreender a necessidade entre o que oferecíamos e efetivamente o que era adequado para a ocasião. Criamos uma política para jovens, para mulheres, fizemos capital de giro isolado, algo inédito na história do BRDE. Estabelecemos o segundo piso com a Fomento Paraná, que distribuiu dinheiro para nós, de R$ 1 mil a R$ 5 mil. Nós colocamos lá R$ 30 milhões, como fizemos com outras cooperativas de crédito e produção. Se ainda não correspondemos 100% ao que é exigido pela sociedade, estamos próximos disso, firmando parcerias com universidades, instituições de pesquisa, associações e demais entidades que precisam de incremento não só nos negócios, mas em projetos de vida.

JC – Na sua visão, quais serão os desafios que a nova gestão terá de lidar? Quais setores podem ter mais atenção do BRDE?

Wilson: O desafio do novo pode ser empolgante se você estiver disposto a ouvir, compartilhar e inovar. A sustentabilidade já é uma realidade dentro do BRDE, que foi moldada com muita conversa interna, e um novo olhar para as próprias ações do banco. O Banco Verde, por exemplo, é uma manifestação, um posicionamento extraído dos resultados revelados em nosso relatório socioambiental. Ou seja, o BRDE já praticava investimentos em projetos aderentes aos Objetivos Sustentáveis de Desenvolvimento (quase 80%), assim como financiava quase 30% de projetos verdes, especialmente ao que se refere a produção e consumos sustentáveis. Além de ser inovador no aspecto do desenvolvimento social, como o apoio ao BRDE Labs, programas de inovação aberta, com startups, empresas, cooperativas, hubs de inovação para estabelecer conexões e relacionamento.

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