A Aliança Brasileira dos Importadores Varejistas e Atacadistas (ABIVA) entregou ao secretário de Estado da Fazenda de Santa Catarina, Cleverson Siewert, na segunda-feira (19), um estudo sobre os possíveis impactos da reforma tributária nas empresas importadoras e na cadeia de comércio exterior catarinense. No encontro, a instituição também apresentou a Carta dos 100 Dias, como proposta de organização das prioridades para enfrentar a transição.
A iniciativa busca contribuir com conhecimento técnico e propostas concretas para o futuro econômico de Santa Catarina. A ABIVA articulou a cooperação técnico-científica com a Universidade do Vale do Itajaí (Univali) para desenvolver a pesquisa, que contou com apoio da Associação das Tradings de Santa Catarina (ASTRA). O trabalho reúne dados públicos e entrevistas com representantes do setor para discutir como preservar a atratividade do Estado diante das mudanças tributárias.
“A pesquisa nos ajuda a compreender melhor os desafios que a reforma tributária trará para Santa Catarina e, principalmente, a nos preparar para eles. Queremos trabalhar junto ao Governo para encontrar caminhos que mantenham nosso Estado competitivo, fortaleçam as empresas e valorizem tudo o que já foi construído ao longo dos anos”, afirma o presidente da ABIVA, Flávio Antônio Paiva.

Competitividade além dos incentivos
A pesquisa aponta que os benefícios fiscais tiveram papel importante na atração de importadoras e no crescimento de atividades como armazenagem, transporte e serviços especializados em Santa Catarina. Com a reforma, esse diferencial tende a perder espaço, ampliando a importância da infraestrutura, da eficiência logística, da qualificação profissional, da tecnologia e do ambiente de negócios.
A proposta defendida pela ABIVA é construir essas condições em conjunto com o Governo, empresas, portos e entidades representativas. O estudo reúne essa agenda no conceito de TED — Tratamento Estrutural Diferenciado, voltado às condições oferecidas pelo Estado para investir, operar e distribuir mercadorias.
O secretário de Estado da Fazenda de Santa Catarina, Cleverson Siewert, destacou a importância do encontro e reconheceu o papel da entidade na construção de soluções para a transição tributária. Ao ressaltar que o comércio internacional representa 30% da movimentação econômica de Santa Catarina e contribui para a geração de emprego e renda, o secretário reforçou a relevância dessa aproximação. “Ter a possibilidade da ABIVA ser nossa parceira é fundamental para que a gente possa, em conjunto, desenvolver metodologias, formas e jeitos de viver esse processo de transição da reforma tributária”, afirmou. Siewert também manifestou satisfação em receber novamente a diretoria da entidade, destacando a importância dessa atuação conjunta para manter o protagonismo catarinense no cenário nacional.
Dados dimensionam a cadeia e os desafios
Os números reunidos no estudo mostram a dimensão das atividades logísticas na economia catarinense. Segundo dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), apresentados na pesquisa, Santa Catarina registrou 39.661 empregos formais em armazenagem e atividades auxiliares dos transportes em 2025. Entre 2018 e 2025, essas atividades incorporaram 19.992 postos. O transporte terrestre, por sua vez, somava mais de 124 mil empregos no Estado em 2025.
Outro dado ajuda a compreender os desafios da tributação no destino. A pesquisa analisou uma cesta selecionada a partir das principais categorias de produtos importados por Santa Catarina e identificou que 70,3% são absorvidos fora do Estado, enquanto 29,7% permanecem no mercado catarinense. São Paulo concentra a maior parcela, com 34,1% do total analisado. Os percentuais evidenciam a forte ligação das operações catarinenses com os mercados consumidores de outros estados.
Com a mudança tributária, a localização dos consumidores ganha relevância para a arrecadação, e fatores como custos de distribuição e proximidade dos mercados passam a pesar mais nas decisões empresariais. Por isso, manter a movimentação nos portos catarinenses, embora relevante para a economia, não elimina os possíveis efeitos fiscais da transição.
Preparação e construção conjunta
O estudo identifica empresas que já buscam se adaptar por meio de investimentos em tecnologia, diversificação de negócios e expansão geográfica. Também aponta que uma eventual reorganização das operações pode alcançar transportadoras, armazéns, despachantes, operadores logísticos e municípios ligados à cadeia.
A pesquisa não trata a saída de empresas como inevitável nem apresenta consenso sobre a dimensão de uma possível migração. O diagnóstico reforça a importância das decisões tomadas durante a transição e da preparação para diferentes cenários.
Com a entrega do estudo e da Carta dos 100 Dias, a ABIVA coloca essas evidências à disposição do Governo e defende uma agenda conjunta para preservar empregos, fortalecer as empresas e manter Santa Catarina competitiva.
Pesquisa será lançada no Ciência & Negócios 2026
No dia 22 de outubro, a ABIVA e a UNIVALI realizarão o Ciência & Negócios 2026, evento que marcará o lançamento oficial do relatório técnico-científico. O encontro acontecerá no Elume Centro Regional de Inovação, em Itajaí, das 13h às 17h30, reunindo pesquisadores, executivos e lideranças institucionais para compartilhar conhecimento e debater os desafios do ambiente de negócios.





