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sexta-feira 26 de junho de 2026

Professoras do EJA de Penha vão a Portugal conhecer a Escola da Ponte

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Duas educadoras da cidade de Penha participaram de uma abrangente viagem de estudos e intercâmbio em Portugal, junto a um dos projetos educacionais mais importantes da Europa. Rosete Cordeiro dos Santos e Odali Maria Schaker, professoras da Escola de Jovens e Adultos (EJA) de Penha, retornaram dia 3 de outubro após 30 dias em Portugal, onde estabeleceram contato com a Escola da Ponte, na cidade do Porto.

Rosete e Odali, que respectivamente, atuam como coordenadora de projetos e pesquisas, e professora da disciplina de Língua Portuguesa da EJA, repassaram o resultado desse intercâmbio na tarde de segunda-feira, 14 de outubro, ao prefeito Evandro Eredes dos Navegantes (PSDB).

Localizada na periferia do Porto, mais precisamente na Vila das Aves, em São Tomé de Negrelos, a Escola da Ponte é uma instituição pública de ensino, e é dirigida pela educadora Ana Maria Marquês Pinto Moreira, há 18 anos. Foi ela quem recepcionou Rosete e Odali na instituição de ensino.

Segundo as professoras da EJA, a Escola da Ponte é estruturada de modo que todos possam atuar com todos dentro do processo ensino/aprendizagem, e nela, nenhum professor é professor só de alguns alunos. “É um projeto educacional conhecido internacionalmente, baseado em valores como a solidariedade, autonomia e responsabilidade”, comenta Rosete. “E nós buscamos traçar os paralelos e as diferenças entre essa escola e a EJA”, completa.

O Ensino de Jovens e Adultos de Penha, localizado na Praia de Armação e dirigido pelo professor Carlos Rodrigo Martins Dias, possui em comum com a escola portuguesa a diversidade. “Temos muita diversidade na EJA, social, de idades, e também muito trabalho de pesquisa, como em Portugal”, frisa Odali.

Já as diferenças também são possíveis de serem mapeadas. Em Portugal, o ensino em geral é integral, do 1º ao 9º ano; a EJA de Penha, oferece aprendizagem de 5ª a 8ª séries, focando, como o nome diz, nos jovens e adultos que ainda querem complementar seus estudos. “Aqui temos realidades sociais e econômicas diversas, mas na Escola da Ponte, elas são ainda maiores. Só em termos de inclusão, a escola trabalha com 15% de alunos com déficit de aprendizagem”, diz Rosete.

As professoras custearam a viagem com recursos próprios, mas recebem apoio do secretário de Educação de Penha, Misael Cordeiro, e do prefeito Evandro Eredes, que liberaram ambas para esse período de estudos. Na tarde de segunda, elas presentearam o prefeito com lembranças de Portugal, onde elas fizeram um contato prévio com Ana Maria, e foram por ela recepcionadas.

Do aprendizado na escola, surgiu um convite para a educadora portuguesa vir a Penha, conhecer a estrutura da EJA e atuar na formação dos professores locais, o que é de grande importância, segundo Misael e Evandro.  As lições da Escola da Ponte, narradas pela própria Ana Maria, foram filmadas pela dupla penhense. “Para nós, do EJA, é uma honra”, enaltece o diretor Rodrigo, que tem divulgado a experiência das professoras, inclusive nas redes sociais da internet.

Saiba mais

A Escola da Ponte é um marco pedagógico de diferenciação do modelo de escola considerado “tradicional”. Com mais de 35 anos de história, seu projeto é estudado e admirado em todo o mundo. A unidade integra o sistema público de ensino português, e tem excelência comprovada pelo Ministério da Educação local.

O trabalho em equipe foi liderado pelo educador José Pacheco. O objetivo sempre foi buscar a autonomia individual dos estudantes, desde 1970, quando o projeto foi implantado. Na cidade do Porto, a escola encontra-se numa área aberta. Os alunos formam grupos heterogêneos, não classificados, nem agrupados ou distribuídos por turmas nem por anos de escolaridade.

Não há salas de aula, mas espaços de trabalho, e não existem lugares fixos. Do mesmo modo, não há um professor encarregado de uma turma ou orientador de um grupo. Em vez disso, todos os estudantes trabalham com todos os orientadores educativos.

“O principal que vimos e aprendemos na Escola da Ponte é que precisamos ter a disponibilidade para tentar compreender o outro, que esta à nossa frente”, declara Rosete. “Valorizar a humanidade do estudante; um aluno não pode passar um dia inteiro numa escola e não produzir”.

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