Através de nota oficial enviada à imprensa na tarde de quinta-feira, 2, a Prefeitura de Penha deu publicidade ao quarto laudo pericial sobre as condições estruturais do Grupo Escolar Antônio José Tiago, situado no bairro Nossa Senhora de Fátima. Em 130 páginas, a empresa de engenharia e arquitetura Magnus afirma que a cobertura da escola oferece “alto risco”, mas sacramenta que a situação é passível de reforma e futura ocupação. O Governo Municipal, no entanto, adiantou que o futuro da unidade será definido em uma reunião com pais.
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“Vamos nos reunir com os pais, apresentar o laudo, onde cada ponto da estrutura da escola foi minuciosamente averiguado”, assegurou o prefeito, Aquiles José Schneider da Costa (PMDB). Na reunião, que possivelmente acontecerá nesta terça-feira, 7, Aquiles pretende apresentar duas alternativas à comunidade: reforma ou reconstrução. “Queremos mostrar o projeto para os pais poderem ter a melhor opinião sobre a questão”, complementou.
O receio do Governo Municipal é de reformar a escola e os problemas ressurgirem no futuro. “Temos um verdadeiro dilema em mãos, que é arriscar reformar a escola e os problemas continuarem aparecendo, transformando ela num ralo onde será sugado o dinheiro público, ou reconstruí-la totalmente, o que pode ser mais barato para a municipalidade a longo prazo, garantindo segurança e qualidade para os estudantes”, analisou.
Diante de rumores de que a escola seria demolida para elaboração de uma “Escola Modelo” em outra região, Aquiles assegurou – na nota oficial – que a escola permanecerá no bairro. “É uma situação que não criamos, nós herdamos, mas não deixaremos o bairro sem escola, pelo contrário, queremos ampliar o atendimento na região, garantindo não só o acesso, mas também a qualidade de ensino”, finalizou.
O LAUDO
O laudo assinado pelo engenheiro Robson Carlos Santos reconhece que a degradação da estrutura metálica realmente oferece “alto risco” e deve ser completamente substituída. Ele também encontrou inúmeros outros problemas, como nos revestimentos (rebocos) internos e externos, juntas estruturais mal executadas, afundamento do piso em várias salas, trincas, fissuras e rachaduras nas paredes, madeira de má qualidade utilizada na construção, infiltrações e falta de impermeabilização, instalação elétrica comprometida, além da falta de sistema preventivo contra incêndio.
“Muitos problemas não são visualmente detectáveis, e poderão surgir novas situações durante a execução da reforma”, reforçou o engenheiro. Por fim, Robson recomendou a continuidade da interdição da escola até a completa reforma, reforçando os três laudos técnicos que motivaram a interdição da escola em fevereiro: do Corpo de Bombeiros Militares, Defesa Civil Municipal e da equipe de engenharia da Secretaria Municipal de Planejamento.
O engenheiro acredita que a edificação é passível de reforma, recuperação e futura ocupação. “A estrutura de concreto armado em geral, apesar dos problemas pontuais por aparentes falhas de execução e não cumprimento do projeto apresenta-se estável, no sentido de não haver aparente risco de colapso ou desmoronamento de qualquer peça”, diz o engenheiro no seu relatório. No entanto, ele não garante que novos problemas não possam aparecer.
“A reforma não resolverá definitivamente as patologias apontadas, as quais, por questões construtivas ou devido a intempéries e variações térmicas, poderão retornar”, admitiu. Em seu laudo, o engenheiro reforça sua tese pontuando que “o aparecimento de problemas patológicos nas edificações pode ter as mais diversas origens. O problema pode ter sua origem ainda na fase de projeto, durante a concepção da edificação, ou na fase de execução do edifício, ou ainda após sua conclusão”.
APP faz reunião e cobra decisão
Na noite de segunda-feira- 30, a Associação de Pais e Professores (APP) da escola se reunião para discutir a situação da unidade – que além de interditada por problemas estruturais, foi completamente vandalizada. “A reforma da nossa escola foi promessa de campanha do prefeito, mas hoje, nossa escola está esquecida. Depois de fevereiro, não tivemos uma só notícia sobre o futuro da escola”, questionou o presidente da APP, Elisângelo dos Santos Antoniette. Um ofício foi elaborado pela APP e entregue ao Governo Municipal na última quarta-feira, 1º de novembro. “Estamos pedindo uma reunião com o prefeito. Queremos cobrar uma resposta definitiva”, encerrou. A reunião deve acontecer no dia 7.





