Em sete anos, o número de alunos em sala de aula na rede municipal piçarrense subiu 96%. Passou de 2.650 em 2013 para 5.200 crianças frequentando diariamente os berçários às salas do nono ano. Com uma filosofia educacional bastante definida, a Secretaria de Educação de Balneário Piçarras elevou os índices educacionais e precisou se reinventar para manter a filosofia administrativa de valorização dos investimentos na área diante da realidade pandêmica e evolutiva pelo serviço público.
Presencialmente, as aulas foram suspensas em 27 de março. Em 11 de maio, a Secretaria de Educação deu início ao projeto remoto em parceria com a Google for Education, que criou o GetEdu. “Fizemos um treinamento com os professores para eles entenderem como funcionava a plataforma e verem como iriam trabalhar com os alunos. Quais ferramentas o sistema oferecia”, lembra a secretária da maior pasta do município, Laureci Bernadete Schneider Pereira.
Um calendário emergencial foi criado. Alunos do Pré-1 ao 5º ano participam de aulas diárias com duração de 2h a 3h. Do 6º ao 9º ano, as aulas acontecem duas vezes na semana. Implantando em 2017, o sistema educacional da Positivo segue como base de ensino. “O restante do tempo os professores precisam ficar à disposição dos alunos via plataforma, ou até mesmo via WhatsApp, para tirar as dúvidas dos alunos”, reforça Laureci. Além disso, ela vê os pais como peça chave neste “momento bem difícil” que a sociedade vive.
“A importância do pai é muito grande. Nós precisamos muito dos pais nesse momento. Porque eles estão em casa junto dos filhos, apesar de sabermos que a maioria dos pais trabalha diariamente. Sabemos que não é fácil para eles, também, mas precisamos dos pais para que cobrem dos filhos a participação. A criança precisa fazer as atividades”, reforça. Alunos que não tem acesso à internet, podem retirar as lições na escola. “Que os pais coloquem aos filhos a importância dessa aula não presencial”, acrescenta Laureci.
A mãe da pequena Lorena, de 5 anos, Dayane Ignácio, mescla as lições das aulas remotas com as já previstas na apostila da Positivo. “Por conta do horário de trabalho, nem sempre consigo auxiliar nas aulas da plataforma, por isso, minha prioridade é repassar a ela o conteúdo da apostila”, comenta. No início da pandemia, quando atuava em revezamento, Dayane tinha mais tempo para auxiliar a filha no conteúdo on-line.
Apesar dos esforços para manter as lições, Laureci vê que o Brasil viverá perdas educacionais. “Todo o Brasil terá perdas de aprendizagem, afinal, não é a mesma coisa. Mas, nós estamos fazendo o possível para que não percamos o vínculo com a criança. Que a criança não perca seu vínculo com a escola, fique em casa ocioso. É importante que ele mantenha esse contato com a escola e obtenha conhecimento educacional”. A tese se reforça com a suspensão das atividades esportivas e musicais de contraturno e ensino profissionalizante via Senai, fomentados como aporte educacional. Os alunos devem avançar de série, assim que as aulas presenciais voltarem, mas receberão um reforço de conteúdo do ano anterior.
As aulas remotas neste momento de distanciamento social levarão a educação a caminhos mais tecnológicos, observa a secretária, que durante 29 anos lecionou em sala. “Todos os meios podem trazer aprendizagem e a tecnologia vai ter que viver dentro da escola, realmente. Vamos ter que aprender a usar o celular com o nosso aluno, porque ele não vai mais sair. Quando ele voltar para a sala de aula, eu não poder dizer a ele para não usar mais o aparelho. O professor vai ter que ter essa habilidade de saber buscar como trabalhar com o aluno pelo celular, com o computador. Essa tecnologia vai fazer parte da escola de agora para frente. Vai ser híbrido dentro da sala de aula, haverá momentos de pesquisa e de explicação pelo celular”.
A professora do Ensino Fundamental da Escola Professora Felicidade Pinto Figueredo, Sandra Freitas – que paralelamente alimenta um canal no YouTube com lições a seus alunos – também observa que a pandemia de coronavírus pode cravar o começo de uma nova era na educação pública. “O interessante, é que aos poucos se descobre que o uso destas tecnologias, é o futuro. E tendem a ser amplamente utilizadas nos processos de aprendizagem, das novas gerações. Não é só agora, durante a Pandemia. Existe ainda, logicamente, uma certa dificuldade em adaptação pelos pais e alunos, quando estes não têm acesso à internet, ou, possuem dificuldades na interação com tecnologias”.





