A vitoriosa equipe feminina de basquetebol do município, que passou a representar a Associação Desportiva e Recreativa de Balneário Piçarras (Adepi) nos últimos anos, encerrou seus arremessos. O treinador e principal incentivador da modalidade na cidade, Oswaldo Moreira Junior, anunciou o fim da equipe, alegando falta de apoio público. Agora, nove atletas locais e o treinador irão representar a Associação de Basquete de Itajaí (ABI), que os contratou.
O acordo firmado com a ABI garante às atletas bolsas de estudo no Colégio Salesiano, transporte e alimentação. Elas têm entre 14 e 16 anos, sendo que cinco escolhidas já foram convocadas para a seleção catarinense. Ao treinador, coube o trabalho de comandar um novo time: o Basquete do Colégio Salesiano/ABI/FMEL. “A minha maior tristeza foi não poder levar todas as minhas atletas. Sei que muitas delas, grandes talentos, irão largar o esporte”, lamentou Oswaldo.
“Durante os últimos três anos estivemos pedindo auxilio financeiro para a Prefeitura. Eles nunca tiverem o trabalho de, sequer, responder. Nosso time estava com um basquete de alto nível, onde os custos também se tornam mais caros”, explicou Oswaldo, sobre o principal motivo que fez a diretoria da Adepi aceitar a proposta itajaiense. No último mês, após novo pedido de apoio financeiro à Prefeitura, o silêncio permaneceu.
“Ninguém da Prefeitura se mobilizou com o trabalho, mas tenho certeza que dos resultados eles sabem”, criticou o treinador. Na categoria sub-16, o time é o atual terceiro melhor do estado e também ficou em quinto na Olimpíada Escolar do Brasil, em 2011. Em todas as competições, o nome de Balneário Piçarras se manteve estampado nos uniformes. “Nossa cidade é respeitada e temida no basquetebol”, salientou.
É justamente pelos bons desempenhos que, segundo Oswaldo, um apoio de maior expressão se faria necessário. “Nosso basquete é de excelência e quando você disputa competições de alto nível está mais propenso a contusões de atletas e custos de viagens. Sofremos com isso no ano passado e optamos por não colocar a vida esportiva das atletas em risco”, frisou. “Aceitamos essa proposta porque é a única chance de crescimento individual destas jogadoras”, acrescentou.
“Há anos nossa equipe recebe esse tipo de proposta. Sempre neguei, porque sei que o basquetebol acabaria”, complementou. Com a migração do treinador e das jogadoras, o município fica sem sua principal referência no esporte estadual. A Adepi, contudo, estuda a possibilidade de manter um grupo de treinamento de base, com meninas de até doze anos para que a modalidade não acabe na cidade. Desta forma, jogadoras seriam lapidadas e repassadas a times da região.
Com aproximadamente uma década e meia de atuação na formação de atletas e conquistas estaduais, Oswaldo vê o término de um projeto que havia atingido uma de suas melhores fases. “No ano passado conquistamos o direito de representar Santa Catarina em uma competição nacional, algo histórico em nossa cidade. Balneário Piçarras, hoje, perde sua referência esportiva”, finalizou. Outros cerca de cinquenta troféus decoram a galeria de feitos da equipe.
O chefe da divisão de esportes da prefeitura, Alexandre Hack, que assumiu a pasta em agosto passado, afirmou que o projeto não passou por sua análise. “Desde que eu assumi não recebi nada formal”, respondeu. Ele acredita que por se tratar de uma proposta financeira o projeto tenha sido repassado aos setores superiores. A Assessoria de Imprensa da prefeitura foi questionada sobre o caso por e-mail e telefone nesta sexta-feira, 17, mas ainda não se pronunciou.
Foto por: Felipe Bieging





