Quatro anos após deixar as categorias de base do basquetebol feminino piçarrense, o treinador Oswaldo Moreira da Silva Junior volta a integrar o plantel de treinadores das modalidades oferecidas pela Secretaria de Esporte e Lazer de Balneário Piçarras. Com uma história de destaque na formação pessoal, de atletas e de conquistas de títulos em competições estaduais, Oswaldo espera que dentro de dois anos tenha uma equipe competitiva para os campeonatos de alto nível.
Os treinos acontecem em dois polos: no ginásio Aurélio Solano de Macedo (centro) e na quadra do Hotel Candeias (Itacolomi). Os horários e as inscrições podem ser confirmados e feitas pelo telefone 3345.1472. “Recomeçamos com atletas 8 a 13 anos, mas no futuro, quando estiver mais estruturado, pretendo reativar o Baby, aos 4 anos”, adiantou o treinador, que conta com aporte técnico de Natacha Suter Delaflora. A ideia é recriar as equipes Sub-11, Sub-13 e Sub-15, com foco no Campeonato Catarinense e competições estaduais.
Com uma filosofia de trabalho bastante definida, Oswaldo adianta que a reformulação das bases deve começar a render frutos dentro de dois, focando exponencialmente no estímulo à capacidade mental das atletas. “Os meus alunos, as minhas atletas, eu não ensino muito a filosofia de aprender a ganhar ou perder. Nos meus times, a filosofia é vencer”, filosofou o treinador que, aos 61 anos, recusou propostas de grandes equipes para voltar a atuar em Balneário Piçarras.
Motivado pelo retorno, Oswaldo conversou longamente com o Jornal do Comércio, onde detalhou sua forma de trabalho e pensamentos alusivos ao esporte na formação pessoal. “É como diz a letra da música popular: cada volta é um recomeço. Eu já era entusiasmado antes, agora ainda mais. Aliás, e uma palavra grega que significa Deus dentro de si. Eu estou muito a fim de fazer o melhor pelo basquetebol de Balneário Piçarras”, reforçou o educador físico.
[ABRE ASPAS] Oswaldo Moreira, treinador
JC – O senhor retorna ao basquete de Piçarras após mais de quatro anos afastado. Que tipo de trabalho pretende desenvolver?
Oswaldo: Estou retornando após quatro anos, muito entusiasmado, como se eu estivesse reestreando aos 61 anos – maduro e mais experiente. Nesse tempo eu estudei bastante, estou bastante antenado com as mudanças do basquete, as novas regras. É como diz a letra da música popular: cada volta é um recomeço. Eu já era entusiasmado antes, agora ainda mais. Aliás, e uma palavra grega que significa Deus dentro de si. Eu estou muito a fim de fazer o melhor pelo basquetebol de Balneário Piçarras. A vontade que eu tenho de ensinar, de ser didático e de ser pedagógico é muito grande.
JC – Quando será possível que Balneário Piçarras volte a ter equipes competitivas para as competições estaduais, a exemplo do passado?
Oswaldo: Normalmente, com 3 anos já é possível fazer alguma coisa. Mas, eu pretendo acelerar os treinamentos, os processos pedagógicos e, como eu tenho muita experiência e o apoio técnico da Natacha (assistente), acredito que com 2 anos eu já consiga ter uma equipe que possa surpreender. A Natacha, que já foi minha aluna e atleta, vem se preparando muito para estar no projeto e certamente está motivada para auxiliar e dar continuidade nesse trabalho, no futuro.
JC – Em que se baseia sua filosofia de treinamentos?
Oswaldo: A minha filosofia de trabalho, que é muito importante no esporte, é o acolhimento: receber bem essa criança e ensinar os fundamentos da modalidade. É necessário cobrar, mas ser justo na cobrança. Além disso tem o empoderamento. A criança precisa acreditar que ela tem o potencial, que ela tem possibilidade e que ela tem o poder tomar decisões – e essa decisão tem consequência. Pode errar, ou pode acertar. Os meus alunos, as minhas atletas, eu não ensino muito a filosofia de aprender a ganhar ou perder. Nos meus times, a filosofia é vencer. Perder não. Aprende a assimilar as derrotas e levá-las como um ensinamento para não cometer os erros no futuro. Eu acredito muito no empoderamento, representar bem a si mesmo e não ter medo de errar.
JC – Na sua visão, com o esporte influência na formação de uma criança?
Oswaldo: Há muito tempo eu li um filósofo que dizia que o esporte revela caráter. No esporte você vê quem é corajoso, quem é covarde, quem é generoso…O esporte dá limite, ele tem regras, tem objetivos… O que é a pessoa corajosa? Ela tem limites, não admite perder, sabe que adversário pode ser melhor, mas ela treina, vai pra cima e dá o melhor de si. As vezes, nunca vai chegar ao nível daquela outra pessoa, por razões genéticas muitas vezes, mas vai evoluir e levar essas lições para fora das quatro linhas. O que é a pessoa generosa? Admite que a outra pessoa é melhor e que mereceu ganhar o jogo. E tem a pessoa covarde, que sabe que o adversário é melhor e se recusa a enfrentar. Então esse é o objetivo que temos que desmistificar e fazer que a criança acredite que a vida não é assim e que é preciso superar seus próprios limites. Existe uma seleção natural da vida: o boi que chega primeiro ao rio, bebe água limpa. Os demais, o que sobrar. A criança, no esporte, precisa se esforçar ao máximo que puder para alcançar os melhores, assim como na vida.
JC – E a participação dos pais? Como deve ser?
Oswaldo: Os pais devem ser os principais incentivadores. Devem fazer o que por possível para que os filhos estejam inclusos em uma modalidade esportiva.
JC – Muitas foram as atletas treinadas por você, inclusive Nataly Dunka, que hoje joga com uma bolsa de estudos nos Estados Unidos. É possível que outra piçarrense siga a mesma jornada?
Oswaldo: Ao longo da minha carreira como técnico eu já revelei muitas atletas para as seleções catarinenses Sub-12, Sub-13 e Sub-15 – outras no Sub-17 jogaram por equipes de maior envergadura. Fora das quatro linhas, hoje eu tenho ex-atletas desde professoras a engenheiras mecatrônicas. Muitas conseguiram fazer faculdade com bolsa de estudo que o basquete proporcionou. Vejo que o basquete levou àquele empoderamento necessário que a vida impõe. A Dunka é fruto de muito esforço e dedicação. Quem a viu pela primeira vez, como eu, jamais poderia imaginar que aquela menina magrinha se tornaria uma atleta de alto nível. Mas o que aconteceu? A mãe natureza foi pródiga com ela: lhe deu uma boa coordenação motora e esforço pessoal dela foi gigantesco. Ela pedalava 10 quilômetros para ir aos treinos, corria na praia, treinava aos finais de semana em casa. Depois de ser destaques nas seleções catarinense, aos 15 anos ela foi para os Estados Unidos com a passagem de ida e volta, 400 dólares no bolso e sem saber falar inglês. E lá, ela venceu pelo esforço dela. Fez muito bem a High School (ensino médio), foi selecionada para uma faculdade da California, com o time de basquete na primeira divisão. Quero crer que ela estará na WNBA e com certeza integrará a seleção brasileira num curto espaço de tempo.





