21.1 C
Piçarras
quinta-feira 23 de maio de 2024


Corredora de Penha supera os 25 quilômetros da maratona mais difícil do Brasil

“Essa prova é surreal, ela é diferenciada”, definiu Raquel Lesse, que no último sábado, 6, completou o percurso na Rio do Rastro Marathon

Ouça a Matéria

A corredora de Penha, Raquel Lesse, de 33 anos, acaba de incluir um grande feito em sua biografia pessoal e, ainda curta, vida de maratonista: venceu os quilômetros da mais difícil maratona do Brasil. No último dia 6, ela completou os 25 quilômetros da Rio do Rastro Marathon, na sinuosa e íngreme serra catarinense. “Conseguir passar pela linha de chegada de uma prova com tantos desafios é simplesmente indescritível. Senti vontade de gritar e gritei”, definiu ela.

“Conseguir passar pela linha de chegada de uma prova com tantos desafios é simplesmente indescritível. Senti vontade de gritar e gritei”

RAQUEL LESSE

Com mais de 1.500 atletas inscritos – entre maratonistas e ciclistas – os meiões verdes fluorescentes de Raquel cruzaram a linha de chegada após 3h42min. A classificação final pouco importa. A vitória é pessoal. “Essa prova é surreal, ela é diferenciada. Largamos às 7h da manhã com chuva, mas logo em seguida abriu o sol, no meio do percurso. Também pegamos um vento contra muito forte. Rolou literalmente de tudo durante o percurso”, completa a assistente administrativa.

Para encarar o desafio mais difícil de sua jornada esportiva, num trajeto de quase 1.500 metros acima do nível do mar, Raquel treinou em trajetos mais elevados da região. “No início do ano me inscrevi para a prova e a partir daí minha planilha de treino, bem como os exercícios de fortalecimento, foram todos pensados e voltados para a enfrentar a Serra. Aos finais de semana fazia treinos longos com subidas como a Praia Vermelha, em Penha, e o na Interpraias, em Balneário Camboriú”, recorda-se.

Raquel iniciou no mundo das corridas há três anos – espaço em que afirma ter se ‘encontrado’.: “iniciei a convite de uma amiga, e me encontrei na corrida! Não vejo mais minha vida sem esse esporte. A cada treino, cada prova nessa modalidade buscamos nos superar, é um esporte que depende só de você mesmo e é muito gratificante ver a evolução”. Sua rotina de treinos e provas é compartilhada em suas redes sociais. E, claro, há um objetivo claro: motivas a pessoas.

Raquel agora se prepara para o Desafio do Beto Carrero, em agosto

 “Espero transmitir a mensagem de que tudo que desejamos de verdade pode se realizar, só depende de nós mesmos e que o esporte (independente da modalidade) transforma vidas – pra muito melhor. Eu sou outra pessoa depois da corrida na minha vida e busco ser melhor a cada dia. Na corrida e na vida!”, resume ela. Os 25 quilômetros mais difíceis do Brasil a motivaram a outro, já agendado para agosto.

“O próximo desafio a ser encarado será o Desafio do Beto Carrero aqui em nossa cidade (Penha) que acontece em agosto, e serão três dias de prova. Sendo 5 quilômetros na sexta à noite, 10 quilômetros no sábado à noite e 21 quilômetros no domingo de manhã, e concluindo as 3 provas você recebe um medalhão referente ao cumprimento do desafio de 36 quilômetros”, explica detalhadamente. A prova ocorre nos dias 4, 5 e 6 de agosto.

Questionada sobre quais conselhos poderia dar para quem pensa em iniciar no mundo das corridas, Raquel é direta: “apenas comece! Você não imagina do que você é capaz e de onde pode chegar. A gente começa aos poucos e vai vendo que vai melhorando e vai se desafiando cada vez mais”, finaliza.

ABRES ASPAS  |  Raquel Lesse, maratonista

JC – Há quanto tempo você corre?

Raquel – Faz três anos que eu iniciei na corrida de rua! No início apenas corria com um grupo de amigos, depois de aproximadamente um ano comecei a fazer corrida técnica, fortalecimento e planilha com os devidos profissionais, buscando sempre melhorar o desempenho a performance e o mais importante sem lesão!

JC – Como foi percorrer todo esse íngreme trajeto?  Quais foram os principais desafios? Pensou em desistir? 

Raquel – Essa prova é surreal, ela é diferenciada. Largamos às 7h da manhã com chuva, mas logo em seguida abriu o sol, no meio do percurso. Também pegamos um vento contra muito forte. Rolou literalmente de tudo durante o percurso! Desde o início o meu maior receio era com os tempos de corte, pois era necessário chegar até o quilômetro 12 com 1:59:59, no quilômetro 20 com 2:59:59 e concluir a prova com até 3:59:59. Caso não chegasse nesses tempos nas devidas quilometragens, você seria cortado da prova sem poder continuar. O primeiro corte eu passei com 1:21 já no segundo cheguei com 2:25, passei super bem pelos tempos de corte que eram a minha maior preocupação. Mas, aí depois deles é que realmente a serra fica íngreme, a pior parte. É dali em diante, (tanto que existe um desafio com premiação para quem faz esses 7 quilômetros mais rápido, que é o desafio da Santa, pois exatamente onde tem uma capelinha que começa esse percurso) eu senti muita câimbra nesse trajeto, porque por mais que tenha treinado em subidas por aqui, nada se compara as subidas da Serra.  Mas, ao mesmo tempo aquele lugar é tão incrível que em nenhum momento eu pensei em desistir, eu só foquei no tempo que ainda tinha pra concluir a prova e fui administrando conforme meu corpo ia sentindo, alternando caminhada com corrida e algumas paradas pra foto. Quando cheguei no quilômetro 24, consegui voltar a correr direto pois o último quilômetro é plano e consegui passar na linha de chegada com 3:42 recebendo assim a medalha e camiseta finisher de Guardião da Serra.

Confira também
as seguintes matérias recomendads para você