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segunda-feira 22 de abril de 2024


Perito apresenta relatório final sobre explosão em BV

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O Corpo de Bombeiros Militar de Barra Velha apresentou na terça-feira, 19, o relatório final sobre as causas que teriam provocado o incêndio de um caminhão carregado de fogos de artifício no dia 31 de dezembro, que provocou a morte de duas pessoas. A investigação realizada pelo Major do batalhão e perito em incêndio, Edson Luís Biluk, apurou a imperícia do técnico pirotécnico e proprietário da empresa contratada de Goiânia, Fogos Bozzana, Fábio César da Silva. A investigação foi repassada para a Polícia Civil de Barra Velha, que realiza um inquérito policial sobre o caso e para o Ministério Público, onde está em aberto uma ação penal da Promotoria de Justiça. O relatório será acrescentado ao processo que ainda não teve nenhum dos envolvidos citados.
De acordo com Biluk, o caminhão que carregava 900 quilos de explosivos teria pegado fogo porque de forma acidental um dos artefatos pirotécnicos detonou a partir do manuseio errado e a falta de cuidados de segurança. “Houve imperícia do responsável pirotécnico. A pré-montagem dos fogos, que deveria ter sido feita numa oficina, ou no local aonde iria a acontecer a detonação (na laje frente à praia central) foi feita dentro do caminhão baú. A perícia indica que a conexão dos morteiros teria sido feita pelo auxiliar de César da Silva, João Batista Ferreira Sanches, que morreu carbonizado porque não conseguiu sair do veículo. Ele estava trabalhando há um ano na empresa. O pirotécnico responsável estava do lado de fora do caminhão quando a explosão aconteceu”, explicou o Major.
A suposição é que alguma faísca poderia ter provocado a detonação dos fogos. De acordo com investigações, o jovem que morreu no caminhão era fumante. “A pólvora é altamente explosiva e qualquer faísca ou até o atrito de uma barra de ferro caindo contra o piso do caminhão, onde poderia ter caído pólvora, seria capaz e ter iniciado o incêndio”, comentou Biluk. Dentro do caminhão, próximo do corpo do auxiliar foi encontrado um grampeador. Uma suspeito aponta que os fogos poderiam ter sido cobertos com plásticos por proteção contra a humidade e um dos morteiros teria tido o skip ou detonador grampeado, o que poderia ter também gerado a explosão.
Os Bombeiros Militares ainda levantaram questões chave sobre a imperícia do dono da Bozzana. Fábio da Silva tinha autorização para ser técnico pirotécnico somente no Estado de Goiás, já a autorização da Bozzana para transporte, armazenagem e manuseio de material pirotécnico expedida pelo Exército estava vencida desde 2009.
Todo o show de fogos e o Rodeio Country da Companhia Cesar Paraná aconteceu sem nenhum Alvará dos bombeiros. O relatório sobre a estrutura do Rodeio e o uso de fogos durante os shows levantou graves irregularidades que colocaram o público em risco. “As arquibancadas estavam com superlotação, os fogos durante o rodeio deveriam ter sido lançados no mínimo 149 metros de afastamento do público. O que não aconteceu”, enfatizou o Major.
De acordo com o militar, todo a informação foi enviada para os órgãos públicos que investigam o caso. “Não nos pronunciamos sobre de quem é a culpa do incêndio, entanto nossa responsabilidade é explicar o que aconteceu e como foi originada a explosão”, encerrou o major.
O inquérito policial que estava em aberto na Delegacia de Barra Velha poderá ser finalizado e encaminhado para a Justiça em breve com as informações do relatório, já que o laudo do Instituto Geral de Perícias de Itajaí será realizado com o relatório dos bombeiros.

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