Mais dois nomes foram inclusos no processo que investiga o milionário crime de fraude bancária, que resultou na prisão de Márcio Vanderlei Merfort, Alexandre Menon e Jorge Luiz Kraue – em setembro do ano passado. Adilson Vieira Lemos e Gilberto de Souza Marques foram apontados como as principais cabeças da quadrilha e também responderão pelos crimes de formação de quadrilha e furto qualificado mediante fraude.
Adilson, conhecido por For, e Gilberto foram arrolados na denúncia do Ministério Público (MP/SC) após as audiências de instrução do processo, quando Márcio, Alexandre e Jorge foram ouvidos pela Justiça. A versão que alimenta a denúncia aponta que Jorge (funcionário terceirizado do Banco do Brasil), a pedido de Adilson, Gilberto e Márcio, instalava um equipamento eletrônico que permitia acesso virtual ao sistema do banco.
“O modus operandi utilizado pelos denunciados consistia no seguinte: o denunciado Jorge, na condição de funcionário terceirizado do Banco do Brasil S/A, instalava equipamento espúrio em ponto estratégico das agências bancárias, o qual propiciava acesso as informações e transações sigilosas e permitia movimentações de recursos financeiros. Em seguida, os denunciados Alexandre, Adilson e Gilberto, através do equipamento instalado por Jorge, obtinham acesso ao sistema corporativo do Banco do Brasil e realizavam as fraudes nos pagamentos de Depósito Judicial Ouro-Precatórios, modificando as titularidades dos beneficiários”, pontua a denúncia do promotor de Justiça Substituto, Felipe Brüggemann.
Para sacar a quantia, a Alexandre teria convencido Márcio a integrar o esquema. Conhecedor da realidade financeira e judicial que Márcio vivia, a quadrilha ofereceu 10% de um total de aproximadamente R$ 1,5 milhão para ele utilizar sua conta bancária e receber o valor dos precatórios desviados. Com o dinheiro na conta, Márcio agendou o primeiro saque de R$ 700 mil para o dia 18 de setembro, em Itajaí, quando foi preso com R$ 600 mil em uma mala e R$ 100 mil escondidos na cintura. Alexandre foi preso no outro lado da rua.
“Desse modo, os denunciados utilizaram em atividade econômica valores obtidos por meio de infração penal, tendo todos concorrido com o crime, uma vez que Gilberto de Souza Marques, Adilson Vieira Lemos e Alexandro Menon foram os autores intelectuais do esquema, cooptando Márcio Vanderlei Merfort, o qual forneceu a conta de titularidade de sua empresa, enquanto que o denunciado Jorge Luiz Krauel forneceu os meios materiais para as transferências bancárias”, reforça o promotor, na denúncia de aditamento.
Agora, a Divisão de Defraudações da Diretoria Estadual de Investigações Criminais (DEIC) trabalha para identificar outros nomes envolvidos no esquema. A suspeita é de que funcionários do próprio Banco do Brasil também tenha ligação, já que a quadrilha tem acesso a informações sigilosas sobre os depósitos judiciais. A investigação aponta que foram efetuadas fraudes em resgates de depósitos judiciais atingindo o montante de R$ 13 milhões.
Prisão preventiva de Márcio é revogada
O corretor de imóveis de Balneário Piçarras, Márcio Vanderlei Merfort, conseguiu a revogação da prisão preventiva em 18 de dezembro. Após cooperar diretamente com as investigações, durante as audiências, a Justiça entendeu, inicialmente, que “Márcio foi recrutado por Alexandre Menon. Portanto, sua participação na associação criminosa, se existente, aparenta ser de menor importância”, decidiu a juíza substituta, a Francielli Stadtlober Borges Agacci.
“Conseguimos demonstrar que Márcio foi aliciado para participar do esquema, atraído logicamente pela oferta financeira”, detalhou o advogado de defesa, Carlos Baumgarten. Apesar da revogação da prisão, Márcio segue como réu no processo e responderá, em liberdade – podendo futuramente ser condenado pelos crimes, que somados, chegam a 12 anos de prisão.
Alegando ameaças de morte, Márcio está residindo em outra cidade, cujo endereço está sob segredo judicial.
SITUAÇÃO DOS OUTROS ENVOLVIDOS
A mesma sentença que revogou a prisão de Márcio, soltou também Jorge Krauel. A juíza entendeu que, apesar de sua participação no esquema ainda não estar bem elucidada, “a proibição do exercício de sua função profissional junto ao Banco do Brasil, é medida suficiente para coibir nova reiteração criminosa”.
A defesa de Alexandre Menon também tentou a revogação, mas, sem sucesso. “Há indícios suficientes de que o réu Alexandre Menon ocupa posição relevante na associação criminosa, sendo contumaz na prática de crimes contra o patrimônio”, decidiu a juíza, em decisão sobre pedido analisado e julgado em 15 de dezembro. Ele segue preso Complexo Penitenciário do Vale do Itajaí.
Adilson Vieira Lemos, o For, que chegou a participar de uma reunião com Alexandre e Márcio, em Balneário Piçarras, está foragido. Ele tem uma extensa ficha criminal, já incluindo furtos a caixas eletrônicos. Ele é considerado o principal nome da quadrilha. Investigações apontam que ele estaria na cidade de Mauá (SP), após residir em Araquari e também possui casa de veraneio em Balneário Piçarras, na rua João Holz – imóvel este que já teria sido adquirido com dinheiro oriundo do esquema fraudulento.
Da mesma forma, Gilberto de Souza Marques – que chegou a ser preso em 2014 por integrar uma quadrilha de furto e desmanche de carros de luxo – está foragido. Gilberto e Adilson em março de 2015 a 8 anos de reclusão pelo crime de furto a caixas eletrônicos, no Estado de Pernambuco. Os mandados de prisão seguem abertos.





