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Piçarras
domingo 25 de outubro de 2026

“Se nada fosse feito ela morreria”, define bombeiro que entrou no mar para salvar baleia

Relato é do bombeiro militar, cabo Junior, que no último sábado, 28, entrou no oceano para cortar as redes da pesca amadora que emalharam uma baleia

(FOTO, BOMBEIRO MILITAR)
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A temporada de avistamentos de baleias recém começou e o primeiro emalhe de uma gigante foi registrado. Na manhã do último sábado, 28, entre a Laje do Jacques e a Ilha Feia – em Balneário Piçarras – um filhote de jubarte de 8 metros precisou de auxílio para seguir seu rito migratório. “Ela ainda conseguia se movimentar apesar da dificuldade. Com certeza, se nada fosse feito ela morreria”, definiu o bombeiro militar, Cabo Junior, que entrou no mar para cortar as redes. O animal sobreviveu.

“Quanto a entrar no mar, a minha maior preocupação é de acabar preso na rede junto com ela. Por esse motivo fiz tudo com muita calma para não assustar ainda mais ela”, detalhou ele, reforçando o êxito no salvamento do animal. A corporação lotada em Balneário Piçarras realizou o atendimento, após o acionamento do Instituto do Meio Ambiente de Balneário Piçarras (IMP). “Felizmente deu tudo certo conseguimos cortar boa parte da rede”, reforçou o bombeiro”, reforçou.

Para segurança dos animais, foi ainda cortado outros pedaços da rede com o apoio da embarcação. “Sem dúvida é uma honra e um privilégio fazer parte da corporação e poder ajudar, não só a baleia, mas qualquer pessoa que precise. Saber que o seu trabalho faz a diferença na vida de tantas pessoas e animais não tem preço”, encerrou ele. A ação ainda contou com o apoio da embarcação pesqueira Vô Mario.

A ex-presidente da Colônia de Pesca de Balneário Piçarras e atual vereadora, durante a sessão ordinária do último dia 31, fez um discurso em defesa dos pescadores artesanais profissionais. Ela pontuou que as redes que causam danos ambientais, como o emalhe de baleias por exemplo, não são fixadas no oceano pela categoria vive economicamente da pesca.

“Eu ouço muitos comentários, as vezes vejo nas redes sociais, de que o pescador botou a rede e a rede pegou a baleia […] eu quero deixar claro que essas redes que são colocadas na costa do nosso mar não são dos pescadores profissionais. Eles (pescadores profissionais) sabem o ponto, sabem as milhas, as regras e as leis que eles têm que seguir. Geralmente são aventureiros, pesca amadores que estão na nossa costa”, discursou.

É importante destacar que são proibidas, no litoral de Santa Catarina, as redes de emalhar fixas, ancoradas próximas à praia, nos costões ou molhes. “São perigosas, sobretudo, as redes do tipo “feiticeira”. A pesca ilegal é prejudicial para a fauna marinha e pode ocasionar a morte de tartarugas, golfinhos e baleias”, categoriza a presidente do IMP, Rosemari Bona. De acordo com a Lei de Crimes Ambientais (Lei Federal nº 9.605/1998), a pesca mediante a utilização de aparelhos, petrechos, técnicas e métodos não permitidos pode acarretar em pena de detenção de um a três anos e multa de R$ 700,00 a R$ 100.000,00.

No ano passado, o Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) Área SC/PR, que desde 2015 monitora diariamente a costa litorânea de Laguna (SC) até Guaraqueçaba (PR) em busca de animais marinhos encalhados, registrou cerca de 27 baleias-jubarte sem vida. Destas, dez foram encontradas no litoral norte catarinense, cinco em Florianópolis e sete no litoral paranaense. Um número muito superior aos anos de 2019, com total de sete registros, e 2020, com apenas seis.

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