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sexta-feira 23 de fevereiro de 2024


Casa de Palmito de Barra Velha será devolvida à comunidade nesta quarta-feira, 6

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O único patrimônio histórico tombado de Barra Velha será oficialmente devolvido à comunidade nesta quarta-feira, 6 – em cerimônia de inauguração prevista para começar às 19h30. O agora, Centro Cultural Casa de Palmito, foi realocado do Costão dos Náufragos para a Praça Lauro Loyola e passou por um fino processo de restauro – que manteve sua base arquitetônica e uma de suas principais peculiaridades: as paredes intertravadas com troncos de palmito. Agora, a história barra-velhense continuará a ser contada.

Casa tem 250m² e foi reconstruída, mantendo suas características – Foto, Juliano Bernardes

O restauro envolve a empresa Barra 07 Empreendimentos, que reconstruiu o imóvel, em conjunto com o Conselho Municipal de Patrimônio Cultural (Compac), Fundação Municipal de Turismo, Esporte e Cultura (Fumtec) e demais setores municipais. A inauguração acontece um dia antes do aniversário de 62 anos de Barra Velha.

Durante a inauguração, abrirá exposição fixa sobre a história do imóvel, e no decorrer do ano, vão ocorrer mostras de artistas da cidade, os quais devem procurar o Compac para as propostas de projeto. A partir de agora, o auditório será aberto à comunidade, sob agendamento. Durante a inauguração, o nome de Walter (Wald) Becker, construtor do imóvel, será reverenciado, e a companheira, dona Erna Bisewski, receberá o nome do auditório. Também na inauguração, haverá a exposição de trabalhos de alunos do professor Juliano Bernardes, da Escola Básica Municipal Professora Antônia Gasino de Freitas, sobre a história da casa – evento que marca também os 50 anos da “Gasino”.

“Ela representa para Barra Velha uma parte histórica, um período histórico importante da nossa cidade. Passando por uma fase de crescimento bem intenso – estão aí os dados de IBGE que mostram que a cidade de Santa Catarina, a segunda cidade que mais cresceu, foi Barra Velha. Então, a gente percebe o quanto é importante preservar os patrimônios históricos, pois há todo esse processo civil, muito acelerado aqui em Barra Velha e Piçarras. Tem que ser pensado também na questão histórica, para não perder tudo. Já perdemos muita coisa e não podemos perder mais. Então por isso que é importante manter a Casa de Palmito”, define o professor, historiador e presidente do Compac, Juliano Bernardes.

A empresa Alianza Engenharia e Construções, contratada pela Barra 07 Empreendimentos, conseguiu devolver a Barra Velha a Casa de Palmitos em suas características praticamente originais, com o trabalho dos engenheiros Sheila Prochnow Okivet, Luiz Eduardo Melara e Rafael Bueno Gretter, além do arquiteto Jonathan Carvalho. A arquiteta Denise Freitas, do Compac, supervisionou o trabalho, assim como a mestra em Patrimônio Angelita Borba de Souza e o professor Juliano Bernardes, este presidente do conselho.

“Como esses troncos tinham diâmetros diversos, cada cantoneira é única, cortada especificamente para cada bloco”

SHEILA OKIVET

Sheila Okivet, engenheira da Alianza, enfatiza que os palmitos originais usados nas paredes da casa (que a tornam única no Brasil) praticamente revestiram toda a área externa do imóvel, garantindo com grande fidelidade a originalidade do imóvel; portas e janelas também foram reaproveitadas. O esmero no trabalho da Alianza, segundo Sheila, ficou tão evidente, que até as cantoneiras arredondadas que permitem o fechamento das frestas nos troncos de palmitos encaixados um a um para constituição das paredes foram personalizadas. “Como esses troncos tinham diâmetros diversos, cada cantoneira é única, cortada especificamente para cada bloco”, comentou ela.

A casa de 250m² foi edificada pelo casal Augusto Teodoro Wald Becker e Erna Bisewvski, que se conheceu na cidade e logo se uniu. “A Casa de Palmito pode ser considerada a primeira mansão de Barra Velha, a primeira casa de grande porte. Ela foi construída 1939 e 1943, em uma época em que havia só pequenas casas de pescadores lá naquela região. E, quando ela foi feita, chamava muita atenção dos moradores de Barra Velha, de quem visitava a cidade –pelo tamanho dela”, acrescenta Juliano.

Com o falecimento de Dona Erna – Seu Wald havia lhe dado o direito de usufruto até sua morte – iniciou-se uma discussão pela herança e o processo de tombamento quase foi revertido. Até que o imbróglio se resolveu, a casa ficou abandonada e à sorte.  “A importância que Barra Velha corria o risco de perder o seu único, seu primeiro e único imóvel tombado como patrimônio histórico, que estava prestes a ruir porque a situação dela estava bem complicada. Após a morte da dona Erna, 2014, a família, os herdeiros eles entraram na justiça pra destombar e a casa ficou completamente abandonada. Então, foi tomada por moradores em situação de rua, havia marcas de fogueira dentro dela, já não tinha não tinha mais forro, mais piso…A gente estava realmente na eminência de perdê-la”, finaliza Juliano.

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