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segunda-feira 22 de abril de 2024


Pesquisa do IFSC identifica microplásticos em ostras e mariscos produzidos em Penha

“Todas as amostras que recebemos até agora tinham microplásticos, já encontramos sete microplásticos em uma amostra de ostra e 13 em uma de um mexilhão”

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Um projeto de pesquisa que está sendo realizado no Câmpus Itajaí do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC) identificou a presença de microplásticos em moluscos bivalves como ostras e mariscos. Fragmentos de plásticos estão sendo encontrados nas amostras que já foram processadas e que são provenientes de dois pontos considerados polos de cultivo na região de Penha e em Bombinhas.

“Todas as amostras que recebemos até agora tinham microplásticos” – Foto, Felipe Franco

“Todas as amostras que recebemos até agora tinham microplásticos, já encontramos sete microplásticos em uma amostra de ostra e 13 em uma de um mexilhão. Os dois animais são filtradores e acabam ingerindo o microplástico devido ao comportamento similar que esses resíduos têm do fitoplâcton, que é o alimento natural deles. Para se ter uma ideia em uma amostra que chegou logo após o carnaval, nós identificamos inclusive a presença de glitter, dá para ver no microscópio os pontos de brilho”, explica a estudante do curso técnico em Recursos Pesqueiros Letícia Furtado, que é uma das voluntárias do projeto.

A pesquisa está sendo coordenada pelo professor Thiago Pereira Alves e conta com estudantes do curso técnico integrado em Recursos Pesqueiros do Câmpus Itajaí. A proposta do grupo é analisar amostras de cultivo de moluscos bivalves das duas cidades, pelo menos, uma vez em cada uma das estações do ano.

“Até o momento, analisamos a coleta que foi feita no verão e no outono em que pegamos amostras dos moluscos do mar e da banca onde eles costumam ser vendidos

“Até o momento, analisamos a coleta que foi feita no verão e no outono em que pegamos amostras dos moluscos do mar e da banca onde eles costumam ser vendidos. Estamos coletando nesses dois lugares porque queremos entender se a quantidade de microplástico encontrada nos moluscos é a mesma ou se há alguma alteração quando ele é manuseado, aberto e limpo”, explica o bolsista do projeto, o estudante de Recursos Pesqueiros Guilherme Mendes.

Quando chegam ao Laboratório Oficial de Análise de Resíduos e Contaminantes em Recursos Pesqueiros (Laqua), no Câmpus Itajaí, os moluscos são abertos pelos estudantes e é feita a retirada de todo o trato digestivo dos animais. A escolha pela análise do sistema digestivo se dá porque é onde ficam os fragmentos do que é efetivamente ingerido pelo molusco.  O material é colocado em solução alcalina por 48 horas e, após esse período, passa por um processo de filtragem em que ficam apenas os microplásticos. Esses resíduos têm cerca de cinquenta micrômetros e não podem ser vistos a olho nu, por isso precisam ser analisados no microscópio. 

“Ao olhar os microplásticos no microscópio, percebemos que há diferentes colorações o que nos leva a crer que eles têm origens diferentes. Por exemplo, um que encontramos com um tom de verde remete ao plástico de garrafa PET e outro que parecia trançado lembrava os resíduos de uma corda de pesca ou da maricultura”, comenta a estudante Mariana Pereira, voluntária do projeto. 

“Esses resultados mostram que a Política Nacional de Resíduos Sólidos não está sendo eficiente, que aquilo que não está sendo devidamente tratado vai parar no oceano”

“Esses resultados mostram que a Política Nacional de Resíduos Sólidos não está sendo eficiente, que aquilo que não está sendo devidamente tratado vai parar no oceano. A ciência já sabe que nós consumimos plásticos e agora nós temos que avançar para tentar entender quais são as consequências disso”, reforça o professor Thiago Pereira Alves.

O projeto “Investigação da presença de microplásticos em moluscos de cultivo em Santa Catarina” começou a ser executado em fevereiro e terá duração de um ano. A pesquisa está sendo custeada com recursos do Câmpus Itajaí através de edital interno de pesquisa.

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