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segunda-feira 15 de abril de 2024


Setores turístico e náutico cobram desassoreamento do Rio Piçarras na margem de Penha

“Essa situação vem causando o encurtamento da altura do rio, dificultando consideravelmente o tráfego náutico”, afirma presidente do Conselho de Turismo

Foto, Felipe Franco / JC
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O assoreamento da boca da barra do Rio Piçarras mobilizou os setores turístico e náutico de Balneário Piçarras. Nesta quinta-feira, 21, eles se reuniram no molhe turístico Joaquim Pires para reforçar a cobrança sobre o município vizinho de Penha para que procedam com a ampliação do molhe de pedras e dragagem do canal situados em seu território. A situação tem se agravado com o passar do tempo, formando inclusive um pequeno balneário em momentos de maré baixa.

“O molhe da cidade vizinha está promovendo o assoreamento do canal, conforme estudos batimétricos já realizados pelo Governo Municipal de Balneário Piçarras. Essa situação vem causando o encurtamento da altura do rio, dificultando consideravelmente o tráfego náutico”, detalha a presidente do Conselho Municipal de Turismo de Balneário Piçarras, Juliana Boiani.

“O molhe da cidade vizinha está promovendo o assoreamento do canal, conforme estudos batimétricos já realizados pelo Governo Municipal de Balneário Piçarras”

JULIANA BOIANI
FOTO, FELIPE FRANCO

Em dezembro passado, o Conselho enviou ofício à Prefeitura de Penha solicitando providências quanto à manutenção e ampliação do molhe, além da dragagem do canal. Até o momento, não houve resposta. Conforme o estudo batimétrico promovido pela Defesa Civil de Balneário Piçarras, o assoreamento ocorre diretamente na margem Sul do canal, no lado da Praia Alegre, em Penha.

O secretário de Turismo de Balneário Piçarras, João Sensi, frisou a importância do turismo náutico para a cidade e antecipou o início de tratativas junto ao Governo do Estado para que interceda na questão. “O turismo náutico está numa crescente em Balneário Piçarras e precisamos que essa situação seja tratada com a mesma importância pelo município vizinho, que também usufrui do canal”. Sensi afirma que o município não possui legalidade para realizar a ação, visto que o problema está no território vizinho.

Para o empresário do ramo náutico, Joine Victorino, a situação precisa ser resolvida com urgência. “Lutamos por anos para que uma nova ponte fosse construída, elevando o patamar náutico da região. Agora, um problema de assoreamento vem dificultando a saída e retorno das embarcações, que precisam ter extrema cautela durante a navegação. A boca da barra do Rio Piçarras é um dos melhores canais para se lançar ao Atlântico, mas precisa de atenção para que essa boa reputação não seja manchada”, pontua.

A representante da pesca artesanal, Thalia Klabunde, frisa que o setor pesqueiro também tem tido grandes dificuldades para desenvolver a atividade. Apesar de desconhecer o registro de acidentes, ela vê o assoreamento completo como uma questão de tempo. “Os pescadores têm muita dificuldade de sair para o mar. Ainda não há registros, mas com o tempo o canal deve assorear por completo”, diz a associada da Colônia de Pescadores de Balneário Piçarras.

“Lutamos por anos para que uma nova ponte fosse construída, elevando o patamar náutico da região. Agora, um problema de assoreamento vem dificultando a saída e retorno das embarcações, que precisam ter extrema cautela durante a navegação”

JOINE VICTORINO

Os empresários, Guilherme José Coelho e Fabiano José Coelho – que possuem uma escuna no local – complementam que há dois pontos de assoreamento: na margem Sul e metros após a foz do rio. “Está cada vez pio. Um pouco mais para frente da boca da barra há um banco de areia em que já ficamos presos”, relata Guilherme, frisando que a margem Sul tem profundidade atual na casa dos 50 centímetros.

A boca da barra do Rio Piçarras foi inaugurada em 1974, em evento que contou com a presença do então governador, Colombo Sales. Já o prolongamento do molhe de pedras às margens da Praia Alegre, em Penha, foi construído entre os anos 90 a 2000 – possuindo menor escala se comparada à estrutura ao lado.

A reportagem buscou, às 9h de quinta-feira, 21, um posicionamento junto à Prefeitura de Penha. Não houve retorno até o momento.

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