A Assembleia Legislativa reforça um alerta para a população sobre o chamado “golpe do falso advogado”, crime que já fez milhares de vítimas em todo o país e tem provocado prejuízos financeiros e emocionais significativos. O objetivo é orientar a população sobre como a fraude funciona, quais sinais devem despertar suspeita e quais medidas adotar para evitar cair na armadilha.
A prática criminosa se aproveita de momentos de vulnerabilidade, muitas vezes relacionados a processos judiciais, aposentadorias ou indenizações aguardadas com expectativa. Criminosos utilizam dados públicos de ações judiciais, informações disponíveis na internet e, mais recentemente, recursos de inteligência artificial para tornar a fraude mais convincente.
A preocupação foi destacada pelo deputado Ivan Naatz (PL), que também é advogado, durante pronunciamento na tribuna na última semana. O parlamentar alertou para a necessidade de atenção redobrada com mensagens e contatos virtuais.
“Virou uma questão grave de segurança pública. Mas as pessoas podem se prevenir desconfiando de qualquer pedido de pagamento urgente e, nesses casos, buscando contato direto e presencial com seu advogado”, orientou.
Segundo o deputado, ao utilizarem dados públicos de processos para criar histórias detalhadas e convincentes, os criminosos não apenas prejudicam clientes, mas também afetam a imagem da advocacia, ao gerar dúvidas sobre a integridade da classe e abalar a confiança — base da profissão. Ele ressalta ainda que, diante do aumento das fraudes, escritórios têm adotado protocolos mais rigorosos, o que gera mais burocracia, trabalho adicional e custos.
Em Santa Catarina, a OAB-SC contabiliza centenas de relatos de uso indevido de nomes e números de registro profissional. De acordo com o presidente da entidade, Juliano Mandelli, trata-se de uma modalidade criminosa que causa prejuízos à sociedade como um todo.
“O estelionatário se passa por integrante do sistema de Justiça, muitas vezes por advogado, e informa que a vítima teve ou terá um ganho processual. Diz que, para receber o valor, é necessário pagar custas ou alguma taxa. Na expectativa de receber o dinheiro, a pessoa acaba fazendo o pagamento”, explicou. Segundo a OAB Nacional, já são mais de 17 mil vítimas em todo o Brasil.
Como funciona o golpe
Os criminosos entram em contato com a vítima, geralmente por WhatsApp ou telefone, se passando por advogado, representante de escritório ou até integrante do sistema de Justiça. Informam que há valores a receber em um processo, muitas vezes real, e afirmam que é necessário pagar “custas”, “taxas”, “impostos” ou “honorários finais” para liberar o montante.
Para dar credibilidade à fraude, utilizam: nome e foto reais de advogados; número verdadeiro da OAB; dados públicos do processo; linguagem técnica; chamadas de vídeo com pessoas vestidas formalmente; vídeos manipulados com uso de inteligência artificial.
A exigência costuma envolver transferência via Pix ou pagamento de boleto, quase sempre em nome de terceiros. A sensação de urgência é parte essencial da estratégia.
“O primeiro sinal é o pedido de dinheiro, especialmente via Pix. Independentemente do valor, a pessoa deve se certificar. É preciso confirmar se aquele telefone é realmente o do advogado e se a conta indicada pertence de fato ao profissional”, enfatiza Mandelli.





