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quarta-feira 14 de outubro de 2026

Escritora surda transforma reflexões sobre a infância em mensagem de esperança em livro de estreia

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Transformar sentimentos em palavras e levar uma mensagem de esperança a pessoas que enfrentam experiências difíceis é o propósito da escritora piçarrense, Adrielly Cordeiro da Silva, autora do livro Você Precisa se Libertar da Sua Infância. A obra aborda as marcas emocionais deixadas na infância e convida os leitores a refletirem sobre a importância de reconhecer as próprias dores sem permitir que elas determinem o futuro.

A ideia de escrever o livro surgiu em 2024, a partir de um propósito que, segundo a autora, foi inspirado por sua fé em Deus. Desde então, Adrielly passou a reunir reflexões sobre experiências emocionais, a importância do acolhimento e a possibilidade de ressignificar acontecimentos do passado.

Para a escritora, a infância pode deixar lembranças positivas, mas também marcas que permanecem silenciosas ao longo dos anos e influenciam a maneira como as pessoas se enxergam e se relacionam com o mundo. A partir dessa perspectiva, a obra busca incentivar o reconhecimento dessas experiências e mostrar que é possível construir novos caminhos.

“Mais do que publicar um livro, desejo compartilhar uma mensagem de esperança e mostrar que nossas histórias podem ganhar novos significados”, afirma Adrielly. O livro Você Precisa se Libertar da Sua Infância, de Adrielly Cordeiro da Silva, está à venda pela internet, na plataforma UICLAP. A obra pode ser adquirida CLICANDO AQUI.

A IMPORTÂNCIA DE FALAR SOBRE AS DORES DA INFÂNCIA

Um dos principais objetivos da autora é incentivar o diálogo sobre situações difíceis enfrentadas por crianças e adolescentes. Segundo ela, sentimentos como medo e vergonha podem dificultar a busca por ajuda, especialmente quando os jovens não encontram espaço para expressar o que estão vivendo.

“Quero reforçar que ninguém é culpado pelas violências ou pelas situações dolorosas que sofre e que buscar ajuda é um ato de coragem”

A escritora defende que o acolhimento, a proteção e a escuta precisam fazer parte das relações familiares e dos ambientes frequentados pelos jovens. Para ela, também é fundamental reforçar que ninguém deve ser responsabilizado pela violência ou pelas situações dolorosas que sofre.

“Quero reforçar que ninguém é culpado pelas violências ou pelas situações dolorosas que sofre e que buscar ajuda é um ato de coragem”, destaca.

A obra também procura alcançar adultos, famílias e educadores, incentivando uma atenção maior aos sentimentos dos jovens e às situações que podem exigir apoio e proteção.

ESCRITA COMO FORMA DE EXPRESSÃO E INCLUSÃO
Como mulher surda, Adrielly também encontra na escrita uma maneira de ampliar sua comunicação e compartilhar suas ideias com diferentes públicos. Ela relata que os desafios relacionados à comunicação e à acessibilidade fazem parte de sua trajetória e reforçam a importância de criar espaços em que todas as pessoas possam se expressar.

Nesse contexto, a publicação do livro representa tanto a realização de um projeto pessoal quanto a oportunidade de levar suas reflexões a novos leitores.

A autora ressalta que a inclusão precisa ir além do discurso, com oportunidades e condições para que pessoas com diferentes características possam participar da sociedade e apresentar suas contribuições.

“TRANSFORMAR AS FERIDAS EM ASAS”
A mensagem central do livro está sintetizada na ideia de que se libertar da infância não significa negar o passado, mas compreender suas marcas e buscar novas possibilidades para o futuro.

Na visão da escritora, reconhecer as experiências vividas é diferente de permitir que elas determinem toda a trajetória de uma pessoa. A transformação, segundo ela, passa pelo acolhimento dos sentimentos, pelo apoio e pelo tempo necessário para compreender cada experiência.

A fé em Deus também ocupa um lugar importante nessa perspectiva. Adrielly afirma que sua espiritualidade fortalece a crença de que as dificuldades não precisam representar o fim de uma história.

Ao se dirigir aos jovens que enfrentam situações difíceis dentro ou fora de casa, a autora reforça a importância de procurar pessoas de confiança e buscar apoio. Ela destaca que ninguém precisa enfrentar o sofrimento sozinho e que experiências dolorosas não diminuem o valor de quem as vivencia.

SEGUNDO LIVRO ESTÁ PREVISTO PARA 2027
A trajetória literária de Adrielly deve ganhar um novo capítulo em 2027, quando ela pretende lançar o segundo livro, intitulado Além da Infância.

A proposta é ampliar as reflexões iniciadas na primeira obra, abordando outras fases da vida e mostrando como as pessoas podem continuar construindo suas histórias mesmo depois de experiências difíceis.

A escritora espera alcançar um público ainda maior com o novo projeto e ampliar o debate sobre acolhimento, transformação e esperança.

Para Adrielly, as experiências vividas fazem parte da história de cada pessoa, mas não precisam definir seu destino. É essa mensagem que ela busca transmitir por meio da literatura: a possibilidade de encontrar novos caminhos, reconhecer o próprio valor e continuar escrevendo a própria história.

“ABRE ASPAS”
Adrielly Cordeiro da Silva

JC – Como surgiu a ideia de escrever o livro “Você Precisa se Libertar da Sua Infância”? Houve alguma experiência ou momento específico que despertou em você a vontade de transformar esse tema em uma obra?
Adrielly – A ideia de escrever Você Precisa se Libertar da Sua Infância surgiu em 2024, a partir de um propósito que nasceu em meu coração e que, pela minha fé, acredito ter sido inspirado por Deus. Desde então, senti o desejo de transformar sentimentos, reflexões e experiências em palavras que pudessem alcançar outras pessoas.

“Quero reforçar que ninguém é culpado pelas violências ou pelas situações dolorosas que sofre e que buscar ajuda é um ato de coragem”

A infância é uma fase que pode deixar lembranças preciosas, mas também marcas emocionais profundas. Algumas dessas marcas permanecem silenciosas ao longo dos anos, influenciando a maneira como nos enxergamos e nos relacionamos com o mundo. Foi a partir dessa reflexão que nasceu meu desejo de escrever sobre a importância de reconhecer as próprias feridas e compreender que o passado não precisa determinar o futuro.

Como mulher surda, também carrego uma trajetória de desafios relacionados à comunicação e à acessibilidade. A escrita tornou-se uma forma de expressar minhas ideias e ampliar minha voz, permitindo que minha mensagem ultrapasse barreiras e alcance diferentes pessoas. Mais do que publicar um livro, desejo compartilhar uma mensagem de esperança e mostrar que nossas histórias podem ganhar novos significados.

JC – O livro aborda dores emocionais, sentimentos silenciados e marcas deixadas pela infância. Qual foi o principal objetivo ao compartilhar essa mensagem com os leitores, especialmente com os adolescentes?
Adrielly – Meu principal objetivo é mostrar que nenhuma dor deve ser ignorada e que toda pessoa merece ser ouvida, acolhida e respeitada. Crianças e adolescentes podem enfrentar situações difíceis sem encontrar palavras para explicar o que sentem. Muitas vezes, o medo, a vergonha ou a falta de compreensão fazem com que permaneçam em silêncio.

“Acredito que precisamos construir uma sociedade mais atenta aos sentimentos dos jovens, na qual o diálogo, a proteção e o acolhimento sejam prioridades“

Por meio desta obra, quero reforçar que ninguém é culpado pelas violências ou pelas situações dolorosas que sofre e que buscar ajuda é um ato de coragem. Acredito que precisamos construir uma sociedade mais atenta aos sentimentos dos jovens, na qual o diálogo, a proteção e o acolhimento sejam prioridades.

Também considero essencial falar sobre inclusão e acessibilidade. Como mulher surda, compreendo a importância de encontrar espaços em que possamos nos expressar e ser compreendidos. Todas as pessoas merecem ter suas histórias respeitadas, independentemente de suas diferenças.

Espero que o livro seja um convite à reflexão, tanto para os jovens quanto para os adultos, e que incentive famílias e educadores a ouvirem com mais atenção aqueles que, muitas vezes, não conseguem pedir ajuda.

JC – Na sinopse, você afirma que se libertar da infância não significa negar o passado, mas transformar as feridas em asas. O que essa frase representa para você e como ela se relaciona com a mensagem central do livro?
Adrielly – Essa frase representa a essência da obra. Para mim, libertar-se da infância não significa apagar o passado, negar o que aconteceu ou fingir que as feridas nunca existiram. Significa reconhecer a própria história, compreender os sentimentos que ela deixou e permitir-se construir um futuro que não seja limitado pelas dores vividas.

A imagem das feridas que se transformam em asas simboliza a possibilidade de mudança, o amadurecimento e a liberdade de descobrir novos caminhos. Assim como a borboleta passa por um processo de transformação, acredito que também podemos atravessar períodos difíceis e, com apoio, cuidado e tempo, encontrar novas possibilidades para nossa vida.

“Assim como a borboleta passa por um processo de transformação, acredito que também podemos atravessar períodos difíceis e, com apoio, cuidado e tempo, encontrar novas possibilidades para nossa vida“

Minha fé em Deus é uma parte importante dessa perspectiva. Ela me inspira a acreditar que a dor não precisa representar o fim de uma história. Ainda que não possamos mudar tudo o que vivemos, podemos buscar apoio para ressignificar nossas experiências e construir novas formas de olhar para nós mesmos.

Quero que os leitores compreendam que o passado faz parte da nossa trajetória, mas não precisa escrever sozinho os capítulos que ainda estão por vir.

JC – Falar sobre experiências dolorosas da infância pode ser um processo delicado. Quais foram os principais desafios durante a escrita da obra e como foi lidar com as emoções envolvidas nesse processo?
Adrielly – Escrever sobre a infância e suas marcas emocionais exige sensibilidade, responsabilidade e respeito. Um dos principais desafios foi abordar um tema tão delicado sem perder de vista o cuidado com os sentimentos de quem irá ler a obra.

Esse processo também representou uma oportunidade de reflexão sobre a importância de dar espaço às emoções e reconhecer que determinadas experiências precisam ser acolhidas, e não silenciadas. Compreendi ainda mais que cada pessoa tem seu próprio tempo e que não existe uma única maneira de lidar com as dores da vida.

“Minha trajetória como mulher surda também faz parte da maneira como me expresso e me relaciono com o mundo“

Minha trajetória como mulher surda também faz parte da maneira como me expresso e me relaciono com o mundo. A comunicação e a acessibilidade ainda apresentam desafios em diferentes espaços, por isso valorizo a oportunidade de compartilhar minhas ideias por meio da escrita. Publicar este livro representa, para mim, não apenas a realização de um sonho, mas também a conquista de um espaço para que minhas palavras possam ser conhecidas e compreendidas.

Ao longo dessa caminhada, minha fé em Deus tem sido uma fonte de esperança. Quero que o resultado desse trabalho seja maior do que a publicação de uma obra: desejo que ele contribua para despertar reflexões, incentivar o acolhimento e lembrar aos leitores da importância de cuidar das emoções.

JC – Que mensagem você gostaria de deixar para os jovens que enfrentam situações difíceis dentro ou fora de casa e que, muitas vezes, sentem medo ou vergonha de falar sobre o que estão vivendo?
Adrielly – A mensagem que desejo deixar é que vocês não precisam enfrentar a dor sozinhos. Aquilo que sentem importa, e nenhuma situação de violência, humilhação ou sofrimento deve ser tratada como algo sem importância. Vocês merecem segurança, respeito, proteção e a oportunidade de crescer em ambientes onde possam ser acolhidos.

Se estiverem passando por uma situação difícil, procurem alguém de confiança que possa ouvir vocês e ajudar a encontrar apoio. Não tenham vergonha de pedir ajuda. O silêncio não precisa ser o destino de quem sofre, e as experiências dolorosas não diminuem o valor de ninguém.

“Se estiverem passando por uma situação difícil, procurem alguém de confiança que possa ouvir vocês e ajudar a encontrar apoio“

Como mulher surda e autora, também desejo mostrar que as diferenças não devem ser obstáculos para a realização dos nossos sonhos. Acredito na importância de uma sociedade que ofereça oportunidades, respeite as individualidades e compreenda que cada pessoa tem algo valioso a compartilhar.

Minha fé em Deus me inspira a continuar acreditando na esperança, mesmo diante dos desafios. Por meio deste livro, quero lembrar aos jovens que sua história não se resume às dores que viveram e que existem possibilidades de acolhimento, transformação e novos começos.

Se existe uma mensagem que desejo deixar ao mundo, é esta: nossas feridas fazem parte da nossa história, mas não precisam definir o nosso destino. Podemos transformar dor em palavras, palavras em esperança e esperança em novos caminhos.

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