O portal MetSul Meteorologia emitiu um alerta indicando que o atual episódio de El Niño pode atingir uma intensidade sem precedentes e se tornar o mais forte da era moderna. Em análise publicada nesta quinta-feira (2), os meteorologistas Estael Sias e Luiz F. Nachtigall afirmam que as projeções mais recentes dos principais modelos climáticos mundiais apontam para um fenômeno de intensidade extrema, com possibilidade de superar todos os registros observados nos últimos 150 anos.
Segundo a publicação, diversos modelos internacionais projetam que as anomalias da temperatura da superfície do Oceano Pacífico Equatorial podem atingir entre 3°C e 4°C no último trimestre deste ano, enquanto algumas simulações chegam a indicar valores próximos de 5°C. Diante dessas projeções, a agência norte-americana NOAA precisou ampliar repetidamente a escala de seus gráficos de monitoramento para acomodar previsões cada vez mais elevadas do fenômeno.
Conforme a MetSul, dos 13 principais modelos climáticos analisados, 11 indicam um Super El Niño, e sete projetam um evento potencialmente mais intenso do que os históricos episódios de 1982-1983, 1997-1998 e 2015-2016, considerados até hoje referências em intensidade. Apesar disso, os meteorologistas ressaltam que previsões de longo prazo ainda estão sujeitas a alterações e devem ser interpretadas com cautela.
O estudo também destaca que o Oceano Pacífico continua acumulando uma grande reserva de água quente abaixo da superfície, com anomalias que chegam a 7°C acima da média. À medida que essa massa de água alcança a superfície, a tendência é de intensificação do aquecimento, fortalecendo ainda mais o El Niño ao longo dos próximos meses.
Para o Sul do Brasil, a MetSul reforça que o segundo semestre será de alto risco para episódios de chuva intensa a extrema, com possibilidade de cheias de rios, enchentes e aumento na frequência de tempestades severas. Segundo os meteorologistas, o cenário começa a se agravar durante julho e agosto, mas o período de maior preocupação deve ocorrer entre setembro e dezembro.
Apesar do alerta, Estael Sias e Luiz F. Nachtigall observam que um El Niño excepcionalmente forte não significa, necessariamente, que o Brasil registrará os maiores desastres climáticos de sua história. Eles explicam que os impactos dependem também da interação com outros fatores atmosféricos e oceânicos, como as temperaturas do Atlântico, correntes de jato, bloqueios atmosféricos e outros padrões climáticos que podem intensificar ou amenizar os efeitos do fenômeno em diferentes regiões do país.





