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terça-feira 29 de setembro de 2026

Rara ave oceânica é registrada apenas 11 vezes em nove anos no Litoral Norte de SC

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Uma ave marinha considerada rara na costa brasileira chama a atenção de pesquisadores e equipes de monitoramento no Litoral Norte de Santa Catarina. Conhecida popularmente como Alma-de-Mestre, a espécie foi registrada apenas 11 vezes desde 2015 no trecho 5 do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS). Somente neste ano, foram encontrados quatro indivíduos.

Os dados foram divulgados pelo Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos, por meio do perfil Resgate Marinho Univille. A espécie é uma ave de pequeno porte, com até 42 centímetros de envergadura, e pertence à ordem dos Procellariiformes, grupo de aves marinhas que possui como uma das características as narinas em formato de tubo no bico.

Segundo o projeto, a Alma-de-Mestre raramente é avistada na costa brasileira. Quando aparece, os registros costumam ocorrer durante ou após períodos de temporais, quando as condições adversas do oceano podem contribuir para que essas aves cheguem à costa.

Aves chegam em estado de extrema exaustão

O atendimento aos animais encontrados revela um dos principais desafios enfrentados pela espécie. De acordo com a médica veterinária responsável técnica do projeto, Giulia G. Lemos, a maioria dos indivíduos resgatados apresenta sinais de debilidade crônica, como hipotermia, exaustão, desidratação e baixo peso.

O quadro é associado ao que os profissionais chamam de síndrome migratória, caracterizada por um estado de extremo esgotamento físico e metabólico.

Além da dificuldade de sobrevivência associada às condições naturais, as aves também estão expostas aos impactos provocados pela poluição dos oceanos.

Plástico é encontrado no sistema digestivo

Durante a necropsia de uma das aves encontradas, a equipe identificou resíduos de plástico rígido no trato gastrointestinal.

A ingestão de lixo marinho representa uma ameaça especialmente relevante para a espécie devido ao seu comportamento alimentar. A Alma-de-Mestre busca alimento próximo à superfície do oceano e, dessa forma, fica mais exposta aos resíduos que permanecem na água.

O caso reforça a importância do monitoramento das praias para identificar não apenas a ocorrência de espécies pouco comuns, mas também os impactos provocados pelas atividades humanas sobre a fauna marinha.

Monitoramento amplia conhecimento sobre a fauna

O Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos atua há 11 anos e reúne informações sobre animais marinhos encontrados ao longo da costa. Os registros contribuem para ampliar o conhecimento científico sobre a ocorrência, distribuição e condições de saúde das espécies.

Os dados coletados pelo projeto podem ser consultados no Simba – Sistema de Informação de Monitoramento da Biota Aquática, na área de acesso público.

O PMP-BS é realizado como exigência do licenciamento ambiental federal conduzido pelo Ibama para as atividades da Petrobras relacionadas à produção e ao escoamento de petróleo e gás natural na Bacia de Santos.

REDAÇÃO, JORNAL DO COMÉRCIO
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