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quarta-feira 7 de outubro de 2026

Vitiligo: Projeto catarinense usa literatura para combater o preconceito desde a infância

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O vitiligo atinge mais de 1 milhão de brasileiros, segundo a Sociedade Brasileira de Dermatologia, e estimativas internacionais apontam entre 65 e 95 milhões de pessoas no mundo. Para quem carrega as manchas na pele desde a infância, a condição pode virar motivo de isolamento, piada e baixa autoestima. Mas uma experiência literária que começa nesta quarta‑feira, 7 de outubro, em Navegantes (SC), aposta no caminho oposto: transformar as manchas em assunto de conversa, poesia e afeto dentro da sala de aula.

O projeto “Minhas manchinhas”, idealizado pelo educador, pedagogo e mediador de leitura Eduardo Minsky, levará cerca de 120 crianças dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental da E.B. Vilna Correa Pretti, no bairro São Domingos, a uma jornada de leitura com o livro “Olhos de panda”, do escritor catarinense Everson Bertucci, com ilustrações de Juão Vaz e publicação da Eureka Infantil. A programação será realizada em quatro encontros no período vespertino, um para cada turma, com aproximadamente 30 estudantes e uma hora de atividades por sessão, divididas em três momentos: mediação da história, bate‑papo com o autor e entrega gratuita de um exemplar autografado do livro a cada criança.

“Queremos que as crianças entendam, desde cedo, que a diferença faz parte da vida. A literatura abre essa porta de forma lúdica, sem medo: quem aprende a acolher as manchas do panda aprende também a acolher as diferenças dos colegas — e as suas próprias”, comentou Minsky.

Da mancha ao pertencimento: a metáfora do panda

“Olhos de panda” apresenta, de forma leve e poética, a experiência de uma criança que vê seu corpo, desde cedo, se encher de pequenas manchas. Com a ajuda da mãe, ela passa a observar a natureza e percebe que tigres, gatos, corujas, cobras, coalas e tantos outros animais também carregam manchas em seus corpos. A narrativa constrói, assim, uma delicada ponte para conversar com as crianças sobre vitiligo, diversidade, autoestima, respeito e aceitação das diferenças — sem medo, sem desconhecimento e sem preconceito.

A escolha da abordagem não é acidental. Apesar de o vitiligo não ser contagioso e não impor nenhuma limitação física ou cognitiva, a condição ainda é cercada por desinformação: relatos de pacientes apontam o estigma como um dos maiores desafios, especialmente quando as manchas surgem na infância, fase em que a escola se torna um dos primeiros espaços de convivência social. Ao levar o tema para dentro da sala de aula de forma lúdica, o projeto contribui para relações mais empáticas e acolhedoras desde os primeiros anos.

“Se o tigre, o gato e a cobra têm suas manchas na natureza, por que as nossas não poderiam ser celebradas? ‘Olhos de panda’ nasceu dessa vontade de falar de aceitação com poesia e delicadeza”, explicou Bertucci.

Encontro direto com o autor

Depois da mediação conduzida por Eduardo Minsky, os estudantes poderão conversar diretamente com o escritor, conhecer curiosidades sobre o processo de criação do livro e fazer perguntas sobre a história, os personagens e o trabalho de um escritor. Esse contato entre leitores e autor é um dos diferenciais da proposta, que aproxima as crianças do universo da criação literária e mostra que os livros nascem de experiências, observações, sentimentos e inquietações sobre o mundo. Ao final de cada encontro, cada estudante levará para casa um exemplar autografado — ampliando o acesso ao livro e fazendo a leitura ultrapassar os muros da escola e chegar também às famílias.

Potencial replicável e literatura catarinense

Everson Bertucci possui trajetória reconhecida na literatura para as infâncias: foi finalista do Prêmio Jabuti 2022 com “Mesma nova história”; recebeu duas vezes o selo da Cátedra Unesco de Leitura da PUC‑Rio, por “A senhora da casa azul” e “Eugênio”; conquistou o selo Altamente Recomendável da FNLIJ por “Gilbiscleuda” e obteve reconhecimento internacional com “Eugênio”, presente no catálogo The White Ravens (Alemanha) e no BRAW Amazing Bookshelf (Itália). Ao levar uma obra de um escritor catarinense para dentro da escola pública, o projeto também aproxima os estudantes da produção literária do próprio estado — e se apresenta como modelo replicável de política pública de fomento à leitura e combate ao preconceito. A ação integra a execução de projeto cultural realizado em Navegantes no âmbito da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura – PNAB.

REDAÇÃO, JORNAL DO COMÉRCIO
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