A exoneração de Sérgio Luiz da Maia (PSD), o Serginho, da Secretaria de Serviços Urbanos de Balneário Piçarras, coloca em dúvida a continuidade do partido junto ao bloco de sustentação ao governo do prefeito Leonel José Martins (PSDB) e vice-prefeito Flávio Tironi (PSD). O presidente do PSD, Cláudio Souza, afirmou que a executiva se reúne nesta segunda-feira, 15, para decidir o futuro da sigla dentro da conjuntura política local.
“Nos pegou de surpresa. Uma decisão que pegou todo o partido de surpresa”, definiu o presidente ao ser questionado sobre como teria recebido a notícia da exoneração do ex-secretário, que agora voltou ao estado de vereador. Com discurso bastante democrático, o presidente categorizou que reunirá a executiva, vai ouvir Serginho e conversar com filiados para anunciar a decisão do PSD.
“A situação está tão delicada que nós primeiro vamos ter de sentar, conversar e justamente nos direcionar para uma ação que venha para não estragar esse relacionamento que nós temos com o PSDB”, explicou. O termo “delicado” foi usado pelo presidente para definir a boa relação entre Tironi e Leonel em comparação com uma possível decisão que o partido terá de tomar diante da exoneração de um dos líderes da sigla.
A decisão do partido, segundo Claudio, será tomada após ampla consulta entre todos os membros ativos do grupo, prevalecendo a opinião da maioria . “Quando eu assumi a presidência deixei bem claro: eu não vou ser um presidente que vou decidir. Eu vou ser um presidente que vai assumir a decisão do partido”, definiu. “Eu pedi para o partido analisar essa semana qual o propósito, qual o caminho iremos seguir”, acrescentou.
Após a exoneração e apimentadas declarações públicas de Serginho contra o atual governo, o presidente do PSD disse que tentou conversar com o ex-secretário. “Tentei conversar com o Serginho, mas ele preferiu, enquanto está de cabeça quente, se reservar para analisar a situação toda para depois a gente conversar”, pontuou. “Por isso o Serginho está repensando a atitude dele. Nós temos que ponderar a vontade do partido”, complementou.
Também sem ter conhecimento dos reais motivos que levaram Serginho à demissão forçada, Claudio sinalizou para uma intermediação verbal de lideranças no intuito de saber todas as versões sobre o caso. “Não vou tomar decisão nenhuma antes de ouvir o Serginho. Após ouvi-lo vamos tentar conversar com o prefeito para saber o real motivo, se é partidário, ou se não é”, especulou. “Eu acredito que seja mais uma desavença entre os dois”.
Durante a entrevista concedida na tarde de quinta-feira , 11, Claudio fez uma breve análise política para as eleições do ano que vem e frisou que tal cenário também será levado como base na decisão de se manter, ou não, no ninho tucano. “A gente observa no ar que pode haver uma ala que quer o rompimento e a outra que não quer”, finalizou, apontando que o PMDB, PT e PP também possuem intenção de candidatura própria a prefeito, assim como o PSDB, e que a abertura de uma quinta via poderia polarizar os votos para uma sigla mais forte.
Exoneração ainda
não tem versão oficial
Seis meses após assumir a secretaria, Serginho foi exonerado pelo prefeito Leonel, voltou ao estado de vereador dia 9 e pediu licença médica de 30 dias na quinta-feira, 11. O Governo Municipal não se manifestou oficialmente sobre a exoneração, que teria sido motivada por atritos quanto à nova política de redução na folha salarial e uma recente demolição de residências construídas em terrenos da Prefeitura.
De acordo com a assessoria de imprensa da Prefeitura, o ato de exoneração aconteceu na segunda-feira, 8, no gabinete do prefeito, logo após a demolição de residências no Jardim Veneza, no bairro Nossa Senhora da Paz. Serginho foi procurado pela reportagem, mas disse que só irá se manifestar após reunião do partido, que definirá o futuro da sigla junto à coligação de apoio ao governo.
Fontes ligadas ao Jornal do Comércio comentaram que Serginho vinha divergindo com Leonel em virtude de demissões na Prefeitura, que estariam afetando seus apadrinhados nas secretarias. A interferência de Serginho no ato de demolição das residências – em que o ex-secretário teria adiantado aos moradores sobre a demolição e recomendando a retirada de bens pessoais com antecedência, além de outras questões relativas ao crescimento da invasão de lotes na região – teria sido a gota d’ água para a decisão de exonerá-lo.
Serginho tomou posse na Câmara de Vereadores no dia seguinte após sua exoneração, reassumindo sua cadeira que vinha sendo ocupada por Osmar Fidelis (PSD) e fez uma viagem de articulação política a Florianópolis. Ele, inclusive, participou da sessão ordinária de terça-feira, 9, mas não usou a tribuna para se pronunciar, como era esperado. “As pessoas presentes esperavam meu uso da tribuna hoje, mas quero justificar que o nosso partido vai se reunir, a executiva, segunda-feira (15) a qual decidirá se permanece, ou não, no governo, na administração”, disse ao final da sessão. Apesar das palavras, Serginho pediu afastamento de 30 dias, na quinta-feira, 11.
Leonel não foi encontrado para comentar o assunto e confirmar os motivos da exoneração. No dia seguinte a polêmica, o prefeito anunciou férias, mas intermediou um recado ao PSD através do vice-prefeito, Tironi, de que no seu período de afastamento o partido pense em um substituto para a vaga de secretário de Obras. Segundo Tironi, interinamente e sem acumulo de salário, o assessor Antônio Pedro responde pela pasta até decisão final.





