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segunda-feira 22 de abril de 2024


Vigilância Sanitária de BV faz mutirão para recolher caramujo

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A Secretaria da Saúde realizou através dos seus diversos órgãos um mutirão para recolher caramujos africanos e conscientizar à população sobre a importância de impedir a reprodução do animal mantendo limpos fundos de quintal, terrenos baldios e jardins. Hoje em dia o molusco é considerado uma praga exótica que agride o ecossistema nativo, sendo também um transmissor potencial de doenças.
Os trabalhos foram desenvolvidos pela Vigilância Sanitária em parceria com 37 agentes comunitárias da cidade, que percorreram o bairro Jardim Icaraí no perímetro da Avenida Thiago Aguiar. Também participou o diretor do Programa da Saúde da Família, o doutor Maurício Coimbra, junto com a Fundação Municipal de Meio Ambiente (Fundema) e a Secretaria de Agricultura. Tanto a presidente da Fudema, Maria Luisa Duarte, quanto o secretário de Agricultura, Eurico dos Santos, participaram do mutirão.
Segundo a diretora da Vigilância Sanitária, Devora Brasiliense Ferreira, também acontecerão mutirões nas localidades onde os agentes comunitários já receberam denúncias da presença domolusco. “Estenderemos a campanha ao bairro Itajuba, principalmente em Areias Brancas, também no bairro São Cristóvão e na Vila Nova. A ideia é que as pessoas combatam o caramujo da forma adequada para evitar riscos”, explicou a diretora. Os caramujos recolhidos serão levados a um incinerador animal.
A Secretaria de Agricultura também disponibilizou o trator para a limpeza de terrenos baldios, locais onde geralmente aparece entulho e lixo, preferido pelo caramujo como refúgio.
A moradora do Icaraí, Dona Evani Santos , ainda está surpresa pela velocidade de reprodução dos caramujos, que rapidamente tomaram conta do seu jardim. “Deixei de plantar pé de flor porque comem tudo. Na horta eles acabaram com a cebolinha e outros temperos. Até pensei em utilizar veneno para combatê-los”, comentou.
A diretora da Vigilância destacou que não é recomendável o uso de venenos para erradicar o caramujo, porque estes podem afetar humanos e animais domésticos sem sempre ser efetivos na sua totalidade.

Combate
O controle do caramujo-africano consiste na catação e destruição dos mesmos. Jamais coloque-os no lixo, pois estará disseminando o problema. Também não coloque sal nos animais pois assim contaminará o solo. O preconizado é o seguinte: Utilize luvas descartáveis para pegar e manusear os animais, proteja a pele e as mucosas: não coma, fume ou beba durante o manuseio do caramujo. Coloque os caramujos em dois sacos plásticos e quebre suas conchas, pisando em cima. Enterre-os em valas com pelo menos 80 cm de profundidade, longe de cisternas, poços artesianos ou do lençol freático. Aplique cal virgem sobre os caramujos quebrados (cuidado, a cal queima a pele), e feche a vala com terra. Retire as luvas e lave muito bem as mãos após isso.

História
O caramujo africano foi introduzido ilegalmente no país na década de 1980 com o intuito de aproveitar a carne do animal com fins gastronômicos, sendo produzido como alternativa do popular escargot. O animal acabou não tendo boa aceitação comercial e os produtores se desfizeram dos animais soltando-os em jardins, matas ou jogando-os no lixo.
O caramujo, pelo fato de não encontrar predadores naturais no Brasil começou a se reproduzir de forma desmedida, prejudicando o habitat de outras espécies autóctones. Como são hermafroditas (possuem os dois sexos em um mesmo animal) e realizam a autofecundação, basta apenas um indivíduo para que a praga se alastre, afinal são cerca de 400 ovos ano ao por caramujo.
 

Foto por: Ezequiel Díaz Savino|JC

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