Após 15 anos de espera, o Hospital e Maternidade Marieta Konder Bornhausen (HMMKB), em Itajaí, passa a contar com uma Unidade de Acidente Vascular Cerebral (U-AVC), instalada no 11º andar do Complexo Madre Teresa. A implantação do serviço foi possível após habilitação do Governo do Estado para realizar procedimentos de Trombólise Endovenosa para AVC Isquêmico. Com a ação, os atendimentos serão ampliados, beneficiando pacientes de toda região da Associação dos Municípios da Foz do Rio Itajaí (Amfri) pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Os pacientes começaram a ser atendidos na nova estrutura na quarta-feira, 11. A unidade oferecerá atendimento hiperagudo, monitorização especializada e linha de cuidado completa aos pacientes com AVC, uma das principais causas de morte e incapacidade no país. O procedimento já é realizado na instituição desde fevereiro deste ano, quando foi concedida a habilitação estadual, conforme a Portaria SES/SC nº 394/2026.

“Dessa forma, avançamos no tratamento neurológico, reduzindo as sequelas decorrentes do AVC e salvando mais vidas. Com a expansão e a abertura do Complexo Madre Teresa, o Hospital Marieta Konder segue avançando”
“Em uma grande parceria, tivemos a coragem de realizar uma habilitação estadual para iniciar o serviço. Dessa forma, avançamos no tratamento neurológico, reduzindo as sequelas decorrentes do AVC e salvando mais vidas. Com a expansão e a abertura do Complexo Madre Teresa, o Hospital Marieta Konder segue avançando. Estamos ampliando a atuação na região da AMFRI, expandindo cada vez mais a saúde, com mais assistência, mais leitos e mais serviços habilitados em todas as regiões do nosso estado”, destaca o secretário de Estado da Saúde, Diogo Demarchi.
U-AVC conta com assistência multiprofissional integrada, reunindo neurologia, neurocirurgia, enfermagem especializada, fisioterapia, fonoaudiologia e gestão clínica, atuando de forma coordenada para decisões rápidas e centradas no paciente. A estrutura dispõe de tomografia computadorizada 24 horas, monitorização neurológica contínua, com aplicação seriada da escala NIHSS, vigilância hemodinâmica intensiva, protocolos de segurança para uso da medicação e fluxos assistenciais baseados em evidências, garantindo qualidade, rastreabilidade e agilidade em todo o percurso do paciente.
O tratamento hiperagudo do AVC compreende o conjunto de ações realizadas nos primeiros minutos e horas após o início dos sintomas. Essa fase é considerada crítica, em que cada minuto representa milhões de neurônios perdidos. É nesse intervalo que é possível reverter o dano cerebral e reduzir significativamente as sequelas.
A história do policial militar do BOPE de Santa Catarina, Michael R. Cardoso Araújo, 40 anos, reforça a importância do atendimento rápido. Ele percebeu uma dor de cabeça súbita e começou a perder a força do lado direito do corpo, avisou a esposa e procurou imediatamente o hospital. Atendido dentro da janela terapêutica, recebeu a trombólise endovenosa e teve 100% de recuperação neurológica. “Eu senti que algo estava diferente e viemos na hora. A rapidez no atendimento fez toda a diferença”, relata.
No caso do AVC isquêmico, a trombólise endovenosa pode ser realizada em até 4 horas e 30 minutos após o início dos sintomas neurológicos, reforçando a importância do atendimento imediato.
Para o médico Vinícius Borges Soares, neurocirurgião e coordenador da Unidade de Acidente Vascular Cerebral (AVC) do HMMKB, a implantação da estrutura representa um marco para a região. “A Unidade de AVC representa um avanço estratégico, ampliando o acesso a terapias tempo-dependentes, ou seja, tratamentos que precisam ser iniciados muito rápido para evitar sequelas. No AVC, cada minuto faz diferença: quanto antes o paciente recebe diagnóstico, remédio e cuidado especializado, maior a chance de recuperação. A nova unidade garante exatamente isso: rapidez, organização e uma equipe preparada para agir imediatamente”, explica.





