A Escola de Educação Básica Adolfo Cabral vive um novo cotidiano desde que o material retirado do fundo dos Rios Piçarras e Furado começou a ser depositado em um terreno ao lado da instituição. De forte odor, o material vem causando desconforto aos alunos e dúvidas à direção, que acredita na possibilidade alagamentos após o aterro ter atingido grandes proporções e até de contaminação dos alunos.
“As crianças acabaram de fazer o lanche. Muitas estavam reclamando do cheiro”, conta o diretor da escola, Fernando de Souza. Enquanto os alunos comiam, do outro lado do muro, uma retroescavadeira movimentava o lodo para que uma fétida água pudesse escoar para outra região do terreno. Nos dias de sol forte, o cheiro acaba se tornando insuportável, segundo o diretor. Pais fortalecem as reclamações.
O material, que vem transferido de aterros provisórios localizados ao lado dos rios que estão sendo dragados por meio de uma obra da Prefeitura, chega em caminhões e vai ficar ali definitivamente. A visível quantidade de material também assusta a direção, que acredita em riscos de alagamentos na parte mais baixa da escola. A altura do aterro já ultrapassou os muros, atinge quase o nível do telhado.
“Tenho uma verba para comprar móveis sob medida, mas tenho receio de adquirir e perde-los na primeira chuva, já que a escola ficou em meio ao lodo”, explica Souza, mostrando uma sala na área da quadra de esportes e que fica cerca de dois metros abaixo das demais salas. “O Governo do Estado estendeu a mão ao Governo Municipal e em troca ganhamos esse material podre ao lado da escola”, cita, referindo-se à verba estadual para construção dos molhes.
Outra questão que causa receio à direção da escola é com relação a uma possível contaminação dos alunos. Para o diretor, que é formado em Biologia, o material precisa ser analisado para que o risco seja descartado. “Sou biólogo e esse material não é areia. É lodo em decomposição. Ainda é possível ver a água borbulhando em virtude do processo”, analisa Souza, que comunicou a situação à Secretaria de Desenvolvimento Regional (SDR).
A SDR acionou a Fundação do Meio Ambiente (Fatma) para ir até o local e analisar a situação, já que o aterro possui licenciamento ambiental. Fiscais já estiveram na região e agora analisam se a licença permite o depósito de tal material. A obra de drenagem dos rios soma custos de R$ 10 milhões e está sendo realizada pela empresa Baltt Terraplanagem, vencedora da licitação promovida pela Prefeitura.
PREFEITO É AVISADO
Umberto Luiz Teixeira (PP) esteve na Câmara de Vereadores, terça-feira, 22, para falar sobre as obras da praia e acabou ouvindo a reclamação do diretor da escola. Teixeira afirmou que irá tomar alguma providência para amenizar a situação na região.
Apesar da promessa, Souza disse que procurou a Prefeitura há mais de 20 dias, através de ofícios. “Não vieram nem saber o que estava acontecendo”, garantiu. “Só tomei essa decisão porque zelo pelos alunos e pelo patrimônio público”, finalizou.
Foto por: Felipe Bieging





