O Atlântico voltou a castigar a orla de Balneário Piçarras. Fortes ondas atingiriam toda a extensão da praia e causaram novos estragados durante os dias 21 e 22. O mar lançou pedras contra a Avenida Themístocles de Macedo, destruiu alguns trechos do calçadão e invadiu residências.
O trecho mais afetado pelas ondas foi entre os dois molhes de contenção, recém-construídos pelo Governo – o segundo, na descida da Avenida Getúlio Vargas, em fase final de construção. Parte da rua ficou comprometida e árvores quase caíram.
Na região Norte, as ondas atingiram a área de restinga, formando paredões de areia contida pelas raízes. Já na parte Sul, as ondas destruíram o calçadão e invadiram algumas residências.
Apesar dos estragos causados, o prefeito, Umberto Luiz Teixeira (PP), afirmou que os molhes minimizaram a força das ondas. “Os molhes já deram resultado. Nosso prejuízo foi muito menor do que os da região”, disse na noite de terça-feira, 22, na tribuna da Câmara de Vereadores. “Pra nós foi importante o que aconteceu ontem (21) porque foi um teste. Lá na Getúlio Vargas (molhe), quem foi ontem e foi hoje (22), deu pra perceber a quantidade de areia que foi depositada. O que anima a gente é que isso realmente eu acho que vai acabar funcionando”, acrescentou.
Na tarde de quarta-feira, 23, a Secretaria de Obras atuou na região, recuperando os setores danificados e reforçando o volume de areia nas árvores.
CAUSAS
De acordo com o setor de climatologia da Epagri, a explicação para a ressaca está na atuação de um ciclone em alto mar, que gerou ventos fortes e persistentes, provocando ondas que estão se propagando até a costa catarinense.
A fase da lua também influencia. Nas luas cheia e nova (situação atual) ocorrem as maiores marés. A maré astronômica está em torno de 1m nas preamares (conforme tábua de maré). É nos horários das preamares que ocorrem os maios picos de ondas. O nível mais alto do oceano observado na preamar faz a onda avançar pela faixa de areia mais que o de costume.
A junção entre a maré elevada e a ondulação provocada pelo ciclone em alto mar resultam em ondas maiores chegando às praias de Santa Catarina.
Ressaca atinge BV e destrói estátua do pescador
A ressaca que atingiu toda a região Sul do país chegou com força na costa do município e destruiu na segunda-feira, 21, um dos mais antigos monumentos em homenagem aos pescadores. A estátua do pescador da Praia do Grant era um dos principais trabalhos artísticos públicos que valorizavam a pesca artesanal, a primeira economia que deu nascimento ao município.
A Fundação Municipal de Turismo, junto com ONG Viagem em Família, estão analisando se a escultura pode ser reformada ou precisará ser reconstruída. De acordo com o presidente da ONG, Marcos Junghans, a Fundação Municipal de Turismo teria verbas para utilizar na reforma ou construção de uma nova estátua.
“O presidente da Fundação, Thiago Pinheiro, informou que existem verbas. Estou conversando com vários escultores para averiguar orçamentos e saber se é possível recuperar a estátua existente ou fazer uma nova”, comentou Marcos, que informou que poderia ser realizada uma pesquisa pública para saber se os moradores preferem homenagear algum pescador antigo com uma nova escultura ou somente será recuperada a estátua danificada.
Entre os vários escultores consultados, o estado da escultura permite ainda a reforma da obra de autor desconhecido. Esta é a segunda estátua que homenageia aos pescadores que acaba destruída pela ação do mar na Praia do Grant. Havia sido colocada na década de 80.
A reportagem não conseguiu entrar em contato com o presidente da Fundação Municipal de Turismo, que também é presidente da Fundação Municipal de Cultura.
Foto por: Felipe Bieging





