A ‘luz no fim do túnel’ não é mais apenas especulação em Luís Alves. A Cooperativa de Crédito – Credialves deve mesmo ser incorporada pela Blucredi. Pelo menos é o que espera o interventor João MáximoIurk, que comanda a Credialves desde a intervenção do Banco Central no final de 2012. Segundo o interventor, a incorporação motivada pela Blucredi é uma ação vital, tanto para os associados, que podem ter a chance de recuperar suas perdas e o capital, quanto para a economia do município, que tende a crescer novamente com o giro de capital no município.
Esta semana, diretores da Blucredi e o interventor da Credialves realizaram uma reunião com os associados da cooperativa luisalvense para explicar todo o processo de incorporação. Durante a reunião, dia 15, na Capela Santa Paulina, o presidente da Blucredi, João Marcos Baron, lembrou aos cooperados que a Blucredi tem a intenção de salvara cooperativa e agregar seus serviços ao já conceituado trabalho da Blucredi. “Sabemos que a Credialves é uma das grandes forças da região, principalmente pela quantidade de associados e a importância no crédito ruraldos municípios. Queremos garantir aos associados o resgate de seus créditos, com a instalação de uma cooperativa forte e com tradição”, destacou.
APROVAÇÃO
De acordo com o interventor João Máximo Iurk, a incorporação é uma forma de evitar a liquidação extrajudicial da Credialves, poupando os associados de maiores perdas que esse fato certamente causará. “Obviamente que todo esse processo deverá passar necessariamente pela aprovação dos associados de ambas as cooperativas, que será antes do final deste ano”, confirmou João Máximo.
De acordo com o interventor, em setembro deste ano será realizada nova avaliação do quadro patrimonial da Credialves, e só aí então serão iniciadas as efetivas providências que poderão resultar na incorporação pela Blucredi.”Até lá, pedimos aos associados que mantenham em dia seus pagamentos, os que ainda não fizeram contratem os rateios de 2011,e façam sua parte para a recuperação da cooperativa, que é de todos”, destacou João Máximo.
NEGOCIAÇÕES
Para que as negociações de incorporação se efetivem e para que os cooperados sejam favorecidos com o desbloqueio do capital e ainda um possível ‘perdão’ do rateio de 2012 e 2013,o interventor destaca a necessidade dos associados cumprirem com suas responsabilidades e manterem-se associados. “Os associados que querem continuar operando com sua cooperativa; os que querem ter acesso aos recursos que ficaram bloqueados, renegociar em melhor cenário suas dívidas, fazer parte de uma instituição bem administrada e lucrativa e ter acesso a novos recursos de financiamento para seus negócios, devem participar como protagonistas do processo”, lembrou João Máximo.
Segundo ele, já houve um pronunciamento do poder judiciário reconhecendo a validade da Assembleia de 27 de novembro de 2012 e que os critérios e valores do rateio das perdas de2011 são legais. “Não vai ter jeito, todos terão que pagar. Mas, a boa notícia é que se houver mesmo a incorporação e o associado ficar na nova cooperativa, poderá ter grandes vantagens e quem sabe, no futuro, recuperar até mesmo as perdas iniciais”, confirmou. “É fundamental o associado ter em mente que a liquidação da cooperativa fará com que os cerca de 40 milhões investidos hoje na cooperativa fiquem praticamente perdidos, além de ser um processo longe e mais árduo do que o que acontece agora”, destacou o interventor.
AÇÕES
De acordo com o interventor João Máximo Iurk, hoje a cooperativa já conseguiu estancar a inadimplência, tem 9 milhões em caixa e cerca de 50% dos associados já contrataram cerca de37% do rateio. “Os números não são ótimos, mas mostram um certo comprometimento do associado e intenção de acertar tudo”, destaca. “Isso precisa se manter, mas associados precisam fazer suas negociações para que a cooperativa possa mesmo se reerguer’, confirmou.
Para o interventor, foi uma grande sorte a Blucredi ter se interessado em incorporar a Credialves. Mesmo com o quadro crítico, a cooperativa teria achado vantajoso assumir os riscos ,já que o número de associados é grande e a Blucredi tem interesse em ampliar a atuação no crédito rural.
PUNIÇÕES
Com a possibilidade de incorporação da Credialves à Blucredi, muitos associados questionam a punição dos culpados pelos desvios de recursos e má administração dos recursos da cooperativa, que motivaram a intervenção do Banco Central. O interventor João Máximo afirma, porém, que a comissão de inquérito do Banco Central continua investigando tudo. “Em mais uma ou duas semanas, a investigação é concluída e a comissão, formado por funcionários do Banco Central, vai apresentar relatório final sobrea situação”, afirma João Máximo.
Segundo ele, assim que o banco Central avaliar o relatório, vai definir as penalidades administrativas aos culpados, sendo elas multas pecuniárias e até a proibição de assumir cargos em entidades financeiras no país. As penalidades criminais, porém, ficarão à cargo do Ministério Público, que vai receber cópia de todo o relatório.’





