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sexta-feira 10 de julho de 2026

Comerciantes e moradores contam os prejuízos pelas cheias

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 A maioria do comércio local foi prejudicado pelas chuvas. Supermercados, farmácias, empresas de prestação de serviços e até concessionárias de carros ficaram embaixo da água. Muitos funcionários ficaram ilhados ou tiveram suas casas atingidas, sem conseguir chegar ao serviço. Nem as principais redes do comércio abriram suas portas durante as primeiras horas da manhã e a maioria das pessoas saíram de casa o mínimo indispensável atendendoàs recomendações da Defesa Civil. Até a rua do quartel dos Bombeiros Militares ficou parcialmente alagada.

No bairro Itajuba, a escola Manoel Antônio de Freitas começou a funcionar desde cedo com o abrigo para as vítimas da água, entanto a diretora da escola e vários professores também não conseguiram chegar no local de serviço. A queda de uma ponte e o transbordamento do rio Itajuba paralisaram parte do bairro. O morador Valdir Koelher, que trabalha com fretes e mora na rua1911, do lado do rio, perdeu a maioria dos pertences. A água no local subiu cerca de dois metros. “Estamos dormindo na casa de familiares e amigos porque na nossa casa ainda não há condições. Consegui salvar o caminhão que é minha fonte de trabalho. Havíamos recém feito a compra do mês, gastado R$ 420 com vários quilos de carne e alimento que foi parar no rio”, lamentou Valdir.

Sem fogão nem geladeira em funcionamento, foi um dos desabrigados que foram até a escola municipal para fazer o almoço. Num panorama desolador, todos os moradores da rua 1911se refletem nas quase 300 ruas atingidas pela água. Colchões molhados, roupas perdidas, móveis cujas prestações ainda não foram pagas e um futuro na esperança de receber alguma ajuda para conseguir se reerguer.

Dirles Eser contou ao JC que a enchente de 2008 somente havia atingido de leve sua casa próxima do rio, porém desta vez a água entrou na casa toda com muita pressão. “Salvei minha filha, minha mulher e minha sogra com a água no pescoço. Tiveque atravessá-las até uma casa vizinha puxando com uma mangueira. Fiquei com medo pela minha filha que somente tem 09 anos”, relatou Dirles. “Muitas pessoas falam que somos loucos porque moramos do lado do rio, mas essa casa é nossa, comprada. Foi o único terreno que tivemos condições de comprar.

No meu ver acho que as empresas de água e luz deveriam colaborar com a população de diminuir o valor da fatura já que muitas famílias deverão gastar bastante água para limpar a casa e lavar a roupa que conseguiram salvar”, encerrou Dirles. O morador do bairro São Cristóvão Ricardo Leal foi literalmente acordado pela entrada da água. “Estava dormindo e a pressão de água estourou a porta de casa. Imediatamente sai para tirar o carro e levar para um lugar alto. Consegui salvar alguns aparelhos eletrônicos, porém os móveis não servem mais. A água começou subir muito rápido e tive que sair remando na prancha de surf”, encerrou.

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