A linha de frente foi atingida. A crise política e econômica na qual o Brasil se afundou começou a causar conflitos entre sociedade e a categoria que luta diariamente para servir e sobreviver: o servidor público. Essa semana, por exemplo, o Jornal do Comércio conversou com funcionários dos Correios – instituição pública que até anos atrás era orgulho da nação e de quem veste a camiseta amarela e azul. Os relatos são preocupantes.
Envoltos em uma crise administrativa e de anseios sociais pela prestação de serviços de qualidade, atendentes, carteiros, supervisores, coordenadores e gerente s clamam no olhar por uma solução imediata – que obviamente não virá. Sem um patrão definido a quem clamar por melhores condições de trabalho, o cotidiano desses servidores tem sido de explicações, compreensão, ameaças e de medo.
Com um déficit absurdo de servidores para realizar todas as tarefas necessárias, os funcionários da empresa pública de entrega de correspondências começam a padecer pela pressão popular diante dos constantes atrasos. Mas, e a culpa? Afinal, de quem ela é? E nós, consumidores, estamos realmente cobrando soluções às pessoas certas? Não cabe a nós, consumidores, sermos mais empáticos a causa e buscar uma solução coletiva? Afinal, estamos todos no mesmo barco.
Nossas reclamações são lógicas. Nosso alvo é que é o errado. Ele, o servidor público, é vítima, assim como nós. O momento que vivemos clama por mudanças muito mais bruscas. Nossas reclamações não devem ser dirigidas à linha de frente. Devemos dirigir nosso descontentamento à esfera nacional, que ceifa os serviços mais básicos da comunidade para manter as próprias regalias. Que não consegue dar condições mínimas de trabalho a seus serviços, fazendo com que percam o estímulo e orgulho.
Está clara a falência do sistema administrativo nacional. Corrompido em todas as esferas, a desunião chegou a linha de frente: o trabalhador. É preciso que sejamos coerentes com a problemática que a categoria enfrenta – assim como muitas outras. Não devemos nos unir apenas em momentos de calmaria. São nestes momentos de tempestades que devemos ser fortes, nos apoiar e superar. Sentir as mazelas alheias faz parte de um próprio crescimento.
* Felipe Bieging, editor do Jornal do Comércio





