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quinta-feira 16 de julho de 2026

Literatura marginal marca primeiro livro de jornalista itajaiense

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O jornalista itajaiense, Marcos DeLacumbre Holtz, lança seu primeiro livro no próximo dia 23. Em 448 páginas, “Um drink numa bota de lama” traz as experiências pessoais obtidas em uma viagem a onze países da Ásia, feita ao longo de oito meses do ano de 2014. “Não é sobre a vida na estrada, é sobre a vida na vida”, define o escritor. A produção, completamente independente, foi escrita no estilo da literatura marginal, e promete uma visão mais despudorada do mundo.

“É uma narrativa em primeira pessoa que traz uma viagem intensa por onze países da Ásia. É protagonizada por um personagem visivelmente frustrado com o trabalho, seus relacionamentos e o padrão social imposto em sua cultura. Ele então decide romper com esses laços empobrecidos pra se jogar de forma completamente despudorada e sincera no que chama de tacho de vida”, definiu Marcos. O lançamento se inicia às 16h, no Bar do Habibi, em Balneário Camboriú.

A obra, que tem riqueza literária peculiar em cada um dos 57 capítulos, está disponível para venda ao público por R$ 59,90. A compra pode ser através do site do escritor: www.mochilacronica.com. “São capítulos com a história de cada cidade que passei: Turquia, Índia, Nepal, Tailândia, Laos, Vietnã, Camboja, Mianmar, Indonésia, Malásia e Cingapura”, completa Marcos, revelando enorme crescimento pessoal após a vivência obtida. O contato direto com moradores locais e desapego material tiveram valor dobrado na trip.

“A mutação do personagem (Marcos) é bastante perceptível, seus momentos de tristeza, loucura e até delírio. É um personagem que se expõe como um humano falho e ao mesmo tempo amável. Em alguns capítulos do livro é possível sentir uma quebra na narrativa com adição de alter egos, personagens imaginários, situações delirantes em ambientes reais, além de poesias e trechos retirados do diário manuscrito da expedição”, detalhou o jornalista, formado pela Universidade do Vale do Itajaí, em 2008.

Sua personalidade peculiar é marcante em cada parágrafo. Leitores desavisados podem até estranhar o estilo, mas Marcos antecipa que é preciso se libertar dos pudores antes de se afogar em sua lama literária. “Acredito que o leitor que estiver preparado pra ver um personagem se despir de pudores morais vai sentir um misto antagônico, ele vai acabar se envolvendo numa onda contagiante de sinceridade, sadismo e escárnio que, de certa maneira, é honesta e libertadora”, recomendou.

Marcos é conhecido no cenário alternativo. Vocalista de uma banda punk rock no final dos anos 2000, a Anti-Heróis, ele se autodefine como um escritor que busca fugir dos padrões – sempre com muita polêmica. “Numa definição referencial literária crua como a própria obra, talvez DeLacumbre seja: aventureiro como Kerouac e asqueroso como Bukowski. É um livro corrosivo ao politicamente correto e não deve ser alojado em estantes frágeis”, encerrou.

O AUTOR, PELO AUTOR*

Marcos DeLacumbre Holtz (20 de agosto de 1986 – Vila de Armação, Santa Catarina), largou o sistema que o matava e decidiu ir pra Índia em 2014. Escritor, poeta e jornalista estilo gonzo, ele narrou suas primeiras histórias asiáticas na obra “Um drink numa bota suja de lama”. Também documentou travessias por dez países da América do Sul, cruzou a Coreia do Norte em guerra e desafiou autoridades chinesas ao acampar ilegalmente na Muralha da China.

Inconsequente, DeLacumbre abusa de sua veia crua para ambientar seus demônios muito além de uma aquarelada realidade de vida feliz na estrada. Na verdade, ele usa de seus dias em lugares bastante exóticos para entrelaçar sua vivência às próprias angústias, flertando em conversas com a Morte, expondo de maneira envolvente confissões sórdidas, frustrações amorosas e horror à sociedade padrão; seu ceticismo espiritual e político; contextualizando passagens marcantes com fatos históricos, disparando, ao mesmo tempo, aversão e amor ao ser humano. Tudo isso entre bebedeiras épicas e confusões bem longe de casa.

Entusiasta e caçador de contradições, o autor oferece páginas despudoradas que ofendem e afagam, onde o delírio arde na pálpebra; mas também amáveis e sublimes como olhos infantis. DeLacumbre não deve ser lido pelos falsos benevolentes, ele é viciante e indigesto; ele é simplesmente um maldito de sinceridade suicida e, por isso, imprevisível.

* Escrito por Marcos DeLacumbre Holtz

 

Foto por: Divulgação

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