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quinta-feira 23 de julho de 2026

Assistência Social de Balneário Piçarras tem atuação intensa na pandemia

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O ano pandêmico vivido pela sociedade mundial exigiu olhares ainda mais empáticos de uma outra ala do poder público: o da Assistência Social. Em Balneário Piçarras, por exemplo, o que se viu foi a criação de uma verdadeira força tarefa para “assegurar por meio das políticas públicas que a população que mais necessita tenha acesso as necessidades básicas”, definiu a secretária, Ana Paula Ribeiro Stiebler. Em momentos de maior reclusão social, o foco foi garantia da segurança familiar, diante do crescente número de casos de violência domiciliar.

“No sistema de registro do Cadastro Único, temos o número de 450 famílias atendidas no período que compreende de março a agosto deste ano, além de diariamente serem realizadas orientações via telefone e WhatsApp (99190-2279), e que não estão contabilizadas”, acrescenta a secretária. O cenário nunca antes vivido no município resultou ainda na perda de renda e emprego, tornando a vida dessas famílias ainda mais complicada. Para amenizar essa situação, cesta básicas foram elaboradas.

“Algumas famílias simplesmente perderam sua renda e não tinham mais condições de colocar comida à mesa. Antes, as crianças tinham as principais refeições na escola, mas na pandemia as aulas presenciais também foram suspensas. A proposta de compra de cestas básicas foi muito necessária para uma vida mais digna”, pontua Ana Paula. Entre março a agosto, 3 mil cestas básicas foram doadas, totalizando um montante estimado em R$ 184 mil – com valores provenientes de recursos próprias, esfera federal e doação da Fundação Banco do Brasil.

Em tempos normais, esse volume de doações seria contabilizado em dois anos. “Devido à pandemia é notável a crescente demanda dos serviços socioassistenciais, pois muitas famílias e indivíduos ficaram em situação de vulnerabilidade e risco social, pela perda de emprego, diminuição de renda, suspensão das aulas, isolamento social, enquanto outros tiveram uma situação pré-existente agravada”, complementa Ana Paula. A pandemia também elevou outras preocupantes demandas, exigindo uma atenção estratégia dos profissionais da Assistência Social – que em 2013 voltou a ser uma independente e começou a ser reestruturada.

“Tais necessidades se identificam através das mais diversas demandas, como busca por moradia, fonte de renda, benefícios eventuais e também devido às constantes violações de direitos e risco social em razão de situações de violência e suas variações, como o trabalho infantil, exploração sexual de crianças e adolescentes, conflitos familiares, violência doméstica, entre outros”, lamenta a secretária. Essas abordagens foram desenvolvidas por meio de escuta qualificada, verificação do atendimento de critérios definidos em regulamentação local e registro em sistema na unidade de atendimento, necessitando contato direto e sigiloso com os usuários.

Casos dessa natureza são tratados por psicólogos, assistentes sociais, educadores sociais e advogado – que formam o Centro de Referência de Assistência Social (Creas). A secretária lamentou também a alta de registros de violência contra a mulher, mas considerou que isso mostra “que a mulher está deixando de ter medo de denunciar o agressor. Faz parte de um processo de empoderamento”.

A atuação das equipes da Assistência se dá tanto por meio de atendimentos remotos (telefone específico de atendimento para solicitação de cesta básica emergencial e telefone), mas principalmente por meio de atendimentos presenciais individuais, familiares (respeitando as orientações e normas vigentes no município), visitas domiciliares (as quais muitas advém do sistema judiciário e por denúncias graves que não haveria outra maneira de atendimento possível), busca ativa, abordagens sociais com a população em situação de rua, reuniões de equipe e de rede de atendimento (conselho tutelar, equipes de saúde e educação).

AUXÍLIO EMERGENCIAL

Outra demanda foi a procura por ajuda para o cadastramento junto ao programa de auxílio emergencial, do Governo Federal. A instabilidade da plataforma digital da Caixa Econômica Federal e o desconhecimento com o processo de cadastramento e futuras liberações geraram alta demanda. “Isto ficou evidente pelo número de atendimentos realizados ter sido muito maior desde que a pandemia iniciou, pois houve o crescimento no município pela busca de orientações, busca por benefícios e auxílios eventuais. Logo, a rede socioassistencial tem executado estes serviços ao longo da pandemia, mostrando mais do que nunca a essencialidade desta atuação tanto neste município, como em nível nacional”, finaliza Ana.

REDAÇÃO, JORNAL DO COMÉRCIO
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