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sábado 24 de fevereiro de 2024


Jornalista de Itajaí narra em livro a experiência de entrar na Coreia do Norte

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O jornalista de Itajaí, Marcos DeLacumbre Holtz (@mdelacumbre), finaliza a edição de sua segunda obra: uma compilação de cinco grandes reportagens escritas durante uma semana de viagem ao restrito e pouco conhecido território da Coreia do Norte, em 2018 – momento em que os líderes Kim Jong-um e Donald Trump (EUA) divergiam publicamente. Escrita ao estilo jornalismo gonzo, que zela pela acidez das terminologias, a obra – ainda não batizada – tem seu apelo intensificado pelas fotografias capturadas às margens das leis coreanas.

“Foram seis dias na Coreia do Norte. Como a proposta jornalística é ancorada no estilo gonzo, quando o autor se coloca também como personagem nas ações, os textos realistas abordam a transpiração pura dos momentos pré e pós entrada no país. A narrativa despe o sentimento de pisar e conviver numa nação que, tecnicamente, está em guerra há mais de meio século com o vizinho e fechado ao mundo. Outros pontos da abordagem estão na vida social local, costumes e organização política na Coreia”, descreveu o autor.

A narrativa ímpar de Holtz – que brinca com os personagens fictícios M. Delacumbre e Marcola V – para caminhar com o folear das páginas ganha riqueza fotográfica. Mais de duas mil fotos foram feitas. Elas estão em processo de fina seleção. “Fiz uma pré-seleção dessas 2 mil fotos, hoje tenho ‘classificados’10% pra uma triagem final de 50 imagens. A ideia é selecionar o que melhor remonte a Coreia do Norte na cabeça do leitor junto aos escritos. Existem monumentos e outra série de coisas que o governo local faz questão de mostrar – a parte não arruinada e empobrecida da Coreia é realmente bonita e organizada, mas sabe-se que isso é ínfimo. Por outro lado, fotos de militares e estruturas das forças armadas são estritamente proibidas. Como não fui até lá pra brincadeira, fiz o possível para capturar o máximo de fotos às escondidas. Estar na Coreia é mudar de ótica já na porta de entrada, se pudesse clicar tudo, clicaria. Meu método de fotografar clandestinamente é o mesmo que utilizo pra fotografar retratos naturais ao estilo ‘cotidiano’, que realizo em quaisquer países por aí”, adiantou.

A obra está prevista para ser lançada no mês de agosto. Questionado sobre ser possível o leitor conhecer um pouco mais da Coreia do Norte através de sua obra, Holtz acredita que “por se tratar de um tema de realidade absurda, a obra entrará naquele interessante corredor de incertezas que conduz ao fascínio. O reino eremita da Coreia é excêntrico e se tornou caricato à medida que seus líderes foram ascendendo ao poder com suas práticas esquisitas. As reportagens transpiram no sentido de suor mesmo, elas passam o sentimento do personagem em situações reais, tentando, na maioria das vezes driblar os guias do governo e suas místicas pra arrancar revelações já conhecidas ou não. Eu tenho certeza que essas páginas vão colocar pelo menos um pé do leitor naquelas ruas vazias e dentro daqueles monumentos faraônicos”.

Sua intenção é transmitir ao leitor “acidez passional. Há um compromisso com verdades históricas, a guerra das Coreias, a relação com os comunas e os EUA, mas é inegável que o personagem está lá para provocar muito e transmitir um sumo muito ácido em suas opiniões que não fogem às linhas de seus textos, contrariando o engessado jornalismo moderno”. Ele assegura que quem deleitar de suas composições gramaticais “será conduzido pelo fascínio da incerteza e da curiosidade. Não faria sentido ir até lá, invadindo uma comitiva turística para apenas fotografar e ver diferenças. Era preciso ir além e provocar meus cães de guarda (guias do governo) – e é com esse comportamento provocativo que a trama se desenha”, encerra.

Esse é o segundo livro do jornalista. Ano passado ele lançou “Um drink numa bota de lama”, que traz as experiências pessoais obtidas em uma viagem a onze países da Ásia, feita ao longo de oito meses do ano de 2014: Turquia, Índia, Nepal, Tailândia, Laos, Vietnã, Camboja, Mianmar, Indonésia, Malásia e Cingapu

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